segunda-feira, 28 de outubro de 2013

" Os pobres de Paulo Portas"

“Paulo Portas diz que os mais pobres não se manifestaram no protesto convocado este sábado pela CGTP e que juntou milhares de pessoas” (dos jornais, 20 de Outubro de 2013)
O livro de Ryiszard Kapuscinski “Mais Um Dia de Vida: Angola 1975” é interessante a vários níveis, entre os quais retenho dois: por nos trazer um período fundamental da história fundacional do actual estado angolano e pelo retrato inesquecível de Luanda durante o êxodo dos Portugueses. Uma cidade composta por muitas cidades: a cidade de madeira que cresce nas ruas e se desloca para o porto, composta por uma multidão de caixotes que se amontoam e onde tudo se acumula; a cidade de pedra, vazia, espectral, a que resta quando a Luanda colonial se esvazia nos barcos para encerrar o ciclo marítimo dos lusíadas; a cidade efémera e vergonhosa que os brancos em debandada ergueram nas vizinhanças do aeroporto.

 A descrição de Kapuscinski é fantástica, sonâmbula. O autor, um polaco surpreendente, foi um dos poucos jornalistas estrangeiros que continuaram em Luanda e a partir daí se deslocaram para as frentes de combate. Podemos imaginá-lo, um homem grande da Europa Central, indiferente ao perigo e ao cheiro miasmático da morte, numa aposta sem sentido consigo mesmo, cada vez mais solitário na grande cidade. Há um momento em que ruma a Benguela, cruza barreiras atravessadas nas estradas e encontra a cidade dos brancos. “Zonas residenciais vazias, um luxo indescritível, um excesso estonteante de espaço para chegar, cem metros depois, ao deserto onde crescem os povoados africanos, adobe e bosta, contraplacado e chapa, sobrelotados.” Apesar do contraste chocante, os negros não ocuparam as casas abandonadas e sem guarda. O jornalista interroga-se sobre os motivos desta atitude e adianta a sua explicação: tal ideia não lhes passou pela cabeça. Os muito pobres, diz ele, “não procuraram retirar proveito pessoal, material, da nova situação de forças criada pela descolonização, porque para eles era inconcebível outra forma de vida diferente, aceitando o seu casebre e a sua tigela de mandioca como o único mundo que alguma vez hão-de conhecer ou almejar.”

No filme que relata a ocupação da Torre Bela, a herdade dos duques de Lafões que em 1975 foi ocupada por camponeses ribatejanos, há imagens que persistem. Entrando num salão, mulheres rurais abrem os aparadores de vinhático e vêem, com um misto de espanto e admiração, as toalhas de linho imaculadas, dobradas, escrupulosamente passadas a ferro. E não lhes tocam, não as põem em utilização, não as retiram das gavetas.

“Às Segundas ao Sol” é um inesquecível filme de 2002 de Fernando Léon de Aranoa, em que Javier Bardem é Santa, um operário despedido quando a crise atinge os estaleiros das Astúrias. Uma noite, Santa e dois amigos sem trabalho vagueiam pela cidade e introduzem-se, furtivamente nos jardins de uma casa abastada onde a namorada de Santa é babysitter. Com os patrões fora e as crianças a dormir, ela abre-lhes as portas da cozinha e mostra-lhes o interior. No quarto de vestir exibe o interior de um armário. Santa olha, estupefacto, os vários pares de sapatos de mulher alinhados e, depois de uma luz se lhe acender nos olhos, exclama, sem qualquer ironia: “Ah, o marido tem uma sapataria?”

Nos vários círculos da exclusão, os pobres de Paulo Portas ocupam, como os negros dos bairros de Benguela, os lugares mais profundos, secretamente irrevogáveis. Pertencem, assim pensava Kapuscinski, a um mundo que não muda, que Salazar interpretou superiormente e tentou confundir com a alma lusa. Este miserável perfeito só existe no subconsciente de Paulo Portas e nesse lugar é, curiosamente, o único elemento parado, voluntariamente desprovido, feliz com a sua miséria. Está num estádio inferior ao da resignação. A resignação pressupõe um incómodo, o desconforto de se imaginar uma outra realidade e, mesmo como possibilidade remota, a sua inclusão nela. A resignação tem em si, paradoxalmente e de forma ardilosa, a proto-ambição de mudança, porque é potencialmente provisória, precária, instável. Essa ousadia está completamente ausente da pobreza de Portas.

Os pobres de Portas são os condenados da terra antes da Internacional, as vítimas da fome perpetuamente agradecidas à amabilidade enlatada da Dra. Isabel Jonet. Os pobres de Portas são o povoléu agrilhoado e agradecido, a arraia-miúda confundida com “a convergência do sistema de pensões”, a gentalha aturdida com “o regime geral”, o escorralho adormecido com “a condição de recurso”, a ralé que “não aparece na televisão”.

Os camponeses da Torre Bela são insurrectos interruptus. Hesitaram no momento da sua libertação. As suas mãos e a comida que decerto prepararam mereciam a brancura das toalhas de linho, de que desistiram.

Santa e os camaradas asturianos foram derrotados pela deslocalização, pela flexibilização e pela crise das economias europeias, mas entraram sem culpa no quarto dos patrões.

Mas nos círculos mais exteriores – e esta verdade fere a testa dos opressores como uma espada de fogo – há seres cada vez mais livres, alguns e algumas dos quais são tão livres como Paulo Portas.


“Mais Um Dia de Vida: Angola 1975”, Ryszard Kapuscinski, Tinta da China, 2013
“Às Segundas ao Sol”, Fernando Léon de Aranoa, 2002

“Torre Bela”, Thomas Harlan, 1977

Luís Januário - Jornal I

sábado, 7 de setembro de 2013

Óbidos: A mudança!

Câmara Municipal!

Junta de Freguesia da Amoreira:


Temos equipa! Somos Semente!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Temos equipa! Somos Semente!


Boa tarde meus amigos!

Na continuação do nosso trabalho em prol de um projecto de governo de proximidade ao qual nos temos dedicado de corpo e alma e para que cada amoreirense venha ao nosso encontro para saber quais as nossas propostas para os próximos quatro anos, se vencermos as eleições autárquicas na nossa freguesia como o esperamos, a nossa candidatura anuncia que dentro de poucos dias irá abrir uma sede de candidatura nesta histórica freguesia do concelho de Óbidos, AMOREIRA! Será aqui que passaremos a ter um contacto diário com todos os que querem colaborar na mudança! Por isso caros amoreirenses esta será a vossa casa para entrarem com dúvidas e saírem com certezas! O voto que vos pedimos tem toda a sua razão de ser: Queremos uma Amoreira mais viva! Temos equipa! Somos semente! Uma Assembleia Municipal que dê voz ao povo que a elegeu! Queremos um Presidente de Câmara que seja de todos os habitantes do seu concelho e não apenas de alguns! 

Dia 29 de Setembro de 2013 vota Luís Pereira para Presidente da Junta de Freguesia. Vota José Machado para Presidente da Assembleia Municipal. Vota Bernardo Rodrigues para Presidente da Câmara de Óbidos. VOTA PS!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Luís Pereira, candidato à Assembleia de Freguesia da Amoreira-Óbidos.


Minhas Amigas! Meus Amigos!

Amoreirenses!

Foi com muito orgulho que aceitei o desafio que este maravilhoso grupo de mulheres e homens me fez para liderar a candidatura do PS às eleições autárquicas de 2013 na Amoreira!

Sei, e, sabemos das dificuldades, tanto a nível económico como social, com que nos iremos debater! Mas, isso não nos irá impedir de lutar diariamente em prol de todos os Amoreirenses!

São desafios como estes que nos fazem crescer como mulheres e homens! São desafios como estes que nos fazem ver o quanto é gratificante lutar pelo nosso ideal e pensar nos outros antes de pensarmos em nós próprios!

São pois estes motivos que nos levam a querer ser sujeitos a sufrágio para que, sem margem para dúvidas, sejamos eleitos para conduzir os destinos dos Amoreirenses nos próximos quatro anos e para levarmos em frente um programa simples mas com mais-valias para todos os que vivem nesta maravilhosa freguesia do concelho de Óbidos!

O dia 29 de Setembro de 2013 será o primeiro dia de um novo futuro para a nossa Amoreira!

Contamos consigo!

Temos equipa! Somos semente!

Com todos por Óbidos!

domingo, 28 de julho de 2013

Respeitáveis cidadãos e veneráveis imbecis!




Por entre a bruma política e futebolística, a notícia mais importante não abriu noticiários ou fez manchetes: neste ano lectivo, nos exames nacionais do secundário, bateram-se todos os recordes negativos.
Em Matemática não damos uma para a caixa, em Português ganhámos aversão à língua. Colectivamente, a força motriz que fará o nosso futuro conseguiu distinguir-se de todas as outras desde que há exames nacionais.
Tenho falado do assunto. A culpa não está na simplista ideia de que os portugueses sofrem de uma espécie de evolucionismo ao contrário – é uma análise perigosa e contraditória com outros números que nunca foram tão bons. Uma longa conversa onde teríamos que falar do empobrecimento da comunicação, da desagregação das famílias, da ausência de disciplina e responsabilização individual dos alunos, da falta de qualidade de um número substancial de professores e dos incompetentes programas. Programas que, nomeadamente no estudo da língua portuguesa, trocam uma grande aventura por um exercício burocrático que prefere a leitura cega da gramática à fundamental viagem pelos livros que nos ajudaram a ser estes e não outros.
Enquanto um miúdo inglês, até ao 9.º ano, já conhece no essencial, Shakespeare, Poe, Dickens, Wilde, Melville, Hemingway ou Virgínia Woolf, os meus filhos e os seus, conseguiram passar pelos Lusíadas e, mesmo assim, na maioria dos casos, sem dizer nada acerca do fio invisível que faz de Camões um dos arquitectos da alma portuguesa. Da grande epopeia especula-se de raspão, mas das oitavas decassílabas, subordinadas ao ritmo fixo x ou y, mergulha-se até à náusea. Interessa-nos, como sempre nos interessou, a massa bruta, a grande obra, aquilo que nos faz parecer sábios aos olhos de papalvos. Nunca nos interessa, ou pelos menos raramente nos comove, a procura da simplicidade, da grande ideia, do que nos fica no coração depois de tudo se ter esquecido.
Importante é ficar bem na fotografia. Estar confortável nos salões de chá onde parecemos aos outros mais qualificados na argamassa, na linguagem codificada, na objectividade, nas convenções. Os pobres diabos que fogem disso são vistos como líricos, utópicos ou mesmo dementes. Más companhias e péssimas influências. Cromos poéticos, perigosos delirantes.
Exagero um pouco, infelizmente só um pouco.
O jornalista para ganhar estatuto precisa de chegar a director ou ser comentador. Numa redacção, quando algum miúdo se destaca, é logo hipótese para um qualquer cargo de editor, de chefe disto e daquilo.
Na medicina, os mais talentosos, são pressionados para liderar equipas, fazer investigação e doutoramentos em universidades americanas ou europeias, nada contra. No entanto, quando algum mostra vontade de voltar a ver doentes, de os acompanhar e curar, há sempre quem diga ser uma loucura pois atira para o lixo a oportunidade de uma vida.
Na política, as juventudes partidárias formam miúdos para serem pessoas partidas e não inteiras. Antes eram cegos de ideologia, o que me parecia mal mas, ainda assim, incomparável com esta cegueira de si próprios. Não seguem cada um por uma estrada própria, formando opiniões, dúvidas, novas perguntas e respostas que destroem e reformulam a cada momento – a sua estrada está definida e, os que se destacam, seguem-na sem atropelos: fazem-se notar com arremedos de criatividade e rebeldia controlada, sabem quem são os aliados, licenciam-se custe o que custar e estão disponíveis para o que vier.
Nas faculdades, sobretudo nos cursos científicos, como Biologia, os nossos melhores (doutorados nas melhores universidades do mundo) não têm lugar como professores pois os lugares estão ocupados por outros que, apesar de profundamente desactualizados, formam alunos que, no final da licenciatura, estão atrasados em relação aos colegas ingleses, franceses, italianos, espanhóis ou italianos. Escolho a Biologia por ser um exemplo flagrante onde se evoluiu mais nos últimos vinte anos do que em toda a sua história.
Licenciar-se, custe o que custar. Parece contraditório com o que disse antes, mas apenas aparentemente. Portugal tem a mais alta percentagem de licenciados e doutorados a ocupar cargos políticos, é um facto. Não são permitidas excepções. A licenciatura transformou-se não numa opção para melhor mergulhar no conhecimento, mas numa opção de sobrevivência. O que ouvimos, mesmo entre os pais, não é da necessidade de se conhecer mais, de se saber mais, de se atingir a sabedoria. O que ouvimos é o mais cortante, e menos poético, «o meu filho precisa do canudo».
Como escrevi numa mensagem para amigos «ser chamado de doutor é hoje mais uma forma de igualização do que de distinção. Nas empresas, escolas, banca, ONG’s, política ou televisão, a maioria das pessoas é o título e só depois o nome. Doutor isto, engenheiro aquilo e uma consequência: o que era status transformou-se num estigma que confunde respeitáveis cidadãos com veneráveis imbecis. Estou certo que, num futuro não muito distante, importantes serão os que forem reconhecidos pelo seu nome e essência».

Oxalá.


Luís Osório - Sol

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Eleições viciadas.



O sistema eleitoral autárquico permite candidaturas independentes, mas sem lhes conceder as mesmas condições que dá aos partidos políticos. No processo eleitoral que se avizinha, os independentes partem com uma enorme desvantagem.
Desde logo, porque não dispõem dos meios financeiros ilimitados a que os partidos com assento parlamentar têm acesso. Estes canalizam para o processo eleitoral autárquico alguns dos muitos milhões de subvenções que recebem do estado. As condições financeiras são desiguais. E, para agravar esta situação, os partidos têm isenções fiscais, não pagam IVA, enquanto os independentes a isso estão obrigados. Por absurdo, são os candidatos com menos recursos que pagam mais impostos.
Mas o que é ainda mais grave é que não são garantidas condições mínimas de igualdade no acesso aos cidadãos para a transmissão da mensagem eleitoral.
Os partidos do regime beneficiam de doses maciças de propaganda através das televisões e de outros órgãos de comunicação nacionais. Daqui até às eleições, os debates irão suceder-se nos vários canais, com os representantes partidários a defenderem os seus candidatos. Os portugueses irão ser bombardeados com programas em que os candidatos dos partidos do regime serão propagandeados, enquanto os independentes serão esquecidos. Quando o tema em debate for ligado ao processo eleitoral, a campanha será explícita. E mesmo quando se discuta política nacional, as eleições locais estarão presentes, ainda que implicitamente. Como se irão tirar ilações de carácter nacional a partir dos resultados locais, a política governamental e parlamentar estará sempre contaminada pela campanha eleitoral autárquica.
Com a democracia portuguesa diminuída, o processo autárquico está refém de uma partidocracia dominante. Exige-se agora uma atitude corajosa da Comissão Nacional de Eleições, a par de uma desejável autorregulação por parte dos órgãos de comunicação social. A nível local, devem ser proporcionados meios de acesso ao eleitorado equitativos, para partidos e candidaturas independentes. E, sobretudo, devem impedir-se as lavagens de cérebro que os comentadores de serviço dos partidos irão tentar impingir através das televisões.
Paulo Morais - CM

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Está a acontecer. Já se apercebeu?


Está a acontecer. Aquilo que nem nos passava pela cabeça que pudesse acontecer está mesmo a acontecer. Está a acontecer cada vez com mais regularidade as farmácias não terem os medicamentos de que precisamos. Está a acontecer que nos hospitais há racionamento) de fármacos e uma utilização cada vez mais limitada dos equipamentos. Está a acontecer que muitos produtos que comprávamos nos supermercados desapareceram e já não se encontram em nenhuma prateleira. Está a acontecer que a reparação de um carro, que necessita de um farol ou de uma peça, tem agora de esperar uma ou duas semanas porque o material tem de ser importado do exterior. Está a acontecer que as estradas e as ruas abrem buracos com regularidade, que ou ficam assim durante longos meses ou são reparados de forma atamancada, voltando rapidamente a reabrir. Está a acontecer que a iluminação pública é mais reduzida, que mais e mais lojas dos centros comerciais são entaipadas e desaparecem misteriosamente. Está a acontecer que nas livrarias há menos títulos novos e que as lojas de música se volatilizaram completamente. Está a acontecer que nos bares e restaurantes há agora vagas com fartura, que os cinemas funcionam a meio gás, que os teatros vivem no terror da falta de público. Está tudo isto a acontecer e nós, como o sapo colocado em água fria que vai aquecendo lentamente até ferver, não vemos o perigo, vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida colectiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação.
Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espectáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país.
E morre porque era esta classe média que mais consumia — e que mais estimulava — os produtos culturais nacionais, da literatura à dança, dos jornais às revistas, da música a outro tipo de espectáculos e de manifestações culturais. É por isso que a cultura está a morrer neste país, juntamente com a economia. E se a economia pode ainda recuperar lentamente, já a cultura que desaparece não volta mais. Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe.
Durante a II Guerra Mundial, quando o esforço militar consumia todos os recursos das ilhas britânicas, foi sugerido ao primeiro-ministro Winston Churchill que cortasse nas verbas da cultura. O homem que conduziu a Inglaterra à vitória sobre a Alemanha recusou perentoriamente. “Se cortamos na cultura, estamos a fazer esta guerra para qué?” Mutatis mutandis, a mesma pergunta poderíamos fazer hoje: se retiramos todas as verbas para a cultura, estamos a fazer este ajustamento em nome de quê? Mas esta, claro, é uma questão que nunca se colocará às brilhantes cabeças que nos governam.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Aos meus amigos fora da Turquia.



Estou a escrever para vos fazer saber o que se passou em Istambul nestes últimos 5 dias. Estou a escrever pessoalmente porque muitos dos meios de comunicação foram bloqueados pelo governo e o "passa a palavra" e a internet são as únicas formas que restam para nos explicarmos e gritar por apoio e ajuda.

Na ultima semana de Maio de 2013 um grupo de pessoas cuja maioria não pertencia a nenhuma organização ou ideologia especifica, juntaram-se no Parque Gezi em Istambul. Entre eles estavam amigos meus e estudantes de yoga. A razão era simples : Protestar e impedir a demolição do parque para a construção de mais um centro comercial no centro da cidade. Existem inúmeros centros comerciais em Istambul, e pelo menos um em cada bairro. A destruição destas árvores deveria começar quinta feira de manhã. As pessoas reuniram-se com cobertores livros e crianças. Montaram tendas e pernoitaram no meio das árvores. De manhã quando os bulldozers começaram a arrancar árvores com centenas de anos do chão, eles enfrentaram-nos e impediram a operação.

Não fizeram mais nada que colocarem-se em frente às maquinas.

Não existiu um jornal ou uma televisão que tivesse noticiado o sucedido.Tiveram um black-out informativo completo.

Mas a policia chegou com canhões de agua e gás pimenta. E expulsaram as pessoas para fora do parque.

Ao serão do dia 31 de Maio o numero de manifestantes multiplicou-se. O numero de policias à volta do parque também. Entretanto o governo local de Istambul fechou todos os caminhos à Praça Taskim onde o parque está situado. O metro foi fechado, a circulação de comboios foi cancelada, e as estradas bloqueadas.

Contudo mais e mais pessoas conseguiam chegar ao centro da cidade a pé.

Vieram de todos os locais de Istambul. Diferentes passados, diferentes ideologias, diferentes religiões. Juntaram-se para impedir a destruição de algo maior que o parque:

O direito a sermos cidadãos honrados neste país.

Juntaram-se e permaneceram sentados no parque. A policia de choque, durante um ataque a meio da noite, pegou fogo às tendas, e atacou o manifestantes com gás lacrimogéneo e jactos de agua. Dois jovens atropelados por tanques morreram. Outra rapariga, uma amiga minha, foi atingida na cabeça com uma lata de gás que foi disparada. A policia disparava directamente contra a multidão. Após três horas de operação continua nos cuidados intensivos numa situação muito crítica. Enquanto escrevo isto, ainda não sei se sobreviverá. Este blog è dedicado a ela.

Estas pessoas são amigos meus, estudantes meus, familiares meus. Não têm qualquer agenda secreta como o Estado diz. A agenda do Estado, è a que se vê. È muito clara. O país inteiro está a ser vendido a corporações pelo governo, para a construção de centros comerciais, condomínios de luxo, auto-estradas, barragens e centrais nucleares. O nosso governo está a procurar (e a criar quando necessário), qualquer desculpa para atacar a Síria contra a vontade do povo turco.

Como se isso não bastasse, ultimamente o controlo do governo sobre a vida pessoal dos cidadão está a ser intolerável. O Estado, segundo a sua agenda conservadora aprovou legislação em relação ao aborto, nascimento por cesariana, venda e consumo de álcool, e inclusive sobre a cor de bâton  usado por hospedeiras de bordo.

As pessoas que marcham no centro de Istambul exigem uma vida livre, justiça, protecção e respeito do Estado. Exigem serem ouvidos nos processos de decisão acerca da cidade onde vivem.

O que recebemos em troca foi força bruta e gás disparado contra nós. Três pessoas perderam a vista.

Mas continuam a marchar. Centenas e milhares de toda a espécie juntaram-se a eles. Dois mil atravessando a ponte Bosporus a pé para se juntarem às pessoas em Taskim. Foram recebidos com mais canhões de agua, mais gás pimenta, mais hostilidade. Quatro morreram, milhares foram feridos.

Nenhum telejornal ou canal de televisão noticiou estes acontecimentos. Em vez disso, transmitiam noticias sobre a Miss Turquia ou o "gato mais perigoso do mundo".

A policia continuou a perseguir e a gasear as pessoas a um ponto que gatos e cães vadios chegaram a morrer envenenados.

Escolas, Hospitais e mesmo hoteis de 5 estrelas abriram as portas para acolher feridos. Alguns policias recusaram participar nas agressões e demitiram-se. À volta da praça a policia colocou antenas para bloquear os sinais 3G. Residentes e donos de lojas na zona providenciaram internet e wireless gratuitamente para as ruas. Restaurantes ofereciam e distribuíam comida e água.

Em Izmir e Ancara reuniam-se pessoas nas ruas em apoio às de Istambul. A manifestações começavam a espalhar-se a outras cidades, onde cidadãos iam sendo tratados com brutalidade e hostilidade pela policia. Centenas de milhares juntaram-se.

Os media, continuavam a transmitir a Miss Turquia e o "gato mais perigoso do mundo".

***

Estou a escrever isto para que saibam o que se passa em Istambul. A comunicação social não diz nada disto. Pelo menos no meu país. Por favor postem todos os artigos que encontrarem e virem na internet e espalhem pelo mundo.

Eu não pertenço a qualquer partido politico. Eu não acredito na politica. Não defendo qualquer ideologia nem estou ao lado de qualquer regime. Como muitos na Turquia, estou cansada e frustrada da polarização entre o secular Kemalismo e o Islamismo. Não pertenço a qualquer deles. Eu acredito no afastamento desta polarização em caminho de encontrarmos novas formas de relacionamento. Eu sei que muitas das pessoas que se manifestam nas ruas de Istambul partilham esta ideia e acho que não somos os únicos. Apenas queremos viver as nossas vidas com dignidade.

Enquanto postava artigos que explicavam o que se estava a passar em Istambul no meu Facebook, alguém me perguntou:

"Que esperas conseguir por queixar-te acerca do teu país a estrangeiros ?"

Este blog è a minha resposta.

Por "queixar-me" a estrangeiros acerca do meu país espero o seguinte:

Liberdade de expressão e de opinião,

Respeito pelos direitos humanos,

Controlo sobre as decisões que dizem respeito ao meu corpo,

O direito de me aglomerar a outro em qualquer parte de cidade sem me chamarem terrorista.

Mas principalmente ao espalhar tudo isto, a vocês, meus amigos, que vivem noutras partes do mundo, espero conseguir a vossa consciência, apoio e ajuda.

Por favor espalhem este blog.

Obrigada "

O original pode ser encontrado aqui:
http://defnesumanblogs.com/

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prémios Neurociências criados pela Santa Casa apresentados no Mosteiro dos Jerónimos.




O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Pedro Santana Lopes, o neurocirurgião João Lobo Antunes e o cientista Alexandre Quintanilha apresentam, no dia 29 de maio (quarta feira), no Mosteiro dos Jerónimos, a primeira edição dos Prémios Santa Casa Neurociências. São os maiores prémios atribuídos na área da investigação médica e científica em Portugal, no valor de 400 mil euros distribuídos em dois galardões: o Prémio Melo e Castro para a recuperação e tratamento de lesões vertebro-medulares; e o Prémio Mantero Belard, para o tratamento das doenças associadas ao envelhecimento, como a Doença de Parkinson e de Alzheimer.

O neurologista António Damásio está também associado à promoção destes Prémios, através dos quais a Santa Casa pretende investir e contribuir para a investigação científica, num contexto de grave crise.

A iniciativa conta ainda com o apoio das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, bem como de várias sociedades médicas nacionais.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Carta a Jorge Jesus.




Caro Jorge Jesus, muitos parabéns pelo grande jogo que ontem o Benfica fez.
Muitos parabéns pela forma desassombrada, corajosa, intensa e vibrante como ontem o Benfica jogou. Assim, sim, assim o Benfica é grande, mesmo quando perde.
Ontem, talvez pela primeira vez em toda a minha vida, senti que Portugal inteiro se orgulhou do Benfica. Mesmo os nossos adversários, portistas e sportinguistas, admiraram o nosso fantástico jogo, e o nosso maravilhoso público em Amesterdão, e mesmo eles sentiram a crueldade que foi perder assim.
A derrota custa, custa muito, mas caro Jorge Jesus, não deixes que esta derrota ensombre o quanto fizeste este ano e a grande temporada que o Benfica fez. 
Jamais me vou esquecer de muitos momentos bons deste ano. Das vitórias em Leverkusen e Bordéus, da forma magnífica como jogámos em Nou Camp, Newcastle ou nesta final; das excelentes vitórias nacionais em campos tão difíceis como Alvalade, Braga, Madeira e Paços de Ferreira.
E, sobretudo, jamais me vou esquecer daquele que foi o melhor jogo da época que o Benfica fez, na Luz, contra o Fenerbahçe, na meia-final.
Além disso, também não me vou esquecer do que diziam da equipa no início do ano, quando tínhamos acabado de vender Witsel e Javi Garcia e não havia meio-campo, pois Aimar e Martins estavam fora de combate. Ou quando diziam que não tínhamos defesa, pois Luisão estava castigado para meses e supostamente não havia lateral esquerdo.
Ainda te lembras do que disseram de ti? Pois, meu caro Jesus, a ti se deve a grande construção desta equipa. A invenção de um meio-campo excelente, com Matic e Enzo Pérez; o nascimento de um jovem lateral chamado Melgarejo; a afirmação de um grande avançado chamado Lima; e ainda uma aposta em jovens portugueses, os dois Andrés.
Quem fez tudo isto em apenas um ano, e conseguiu tanta coisa boa e bonita para alegrar os nossos corações, não pode pensar em desistir só porque perdeu dois jogos nos descontos. 
Os grandes homens não são os que estão sempre no topo, lá no alto, mas sim aqueles que sabem que vão cair muitas vezes e que se vão tornar a levantar do chão muitas vezes mais, e recomeçar tudo outra vez. 
A história não acaba aqui, a vida não acaba hoje nem amanhã, e no Domingo ainda temos de lutar por um milagre. 
Sim, um dia vai acontecer um milagre ao Benfica. Ninguém sabe quando, mas um dia a famosa maldição de Bela Gutman também vai acabar. Ontem não foi esse dia, mas ele vai chegar.
Sabemos todos, desde crianças, que todas as maldições acabam com a chegada de um Príncipe Encantado. Quem sabe se um dia não serás tu?

Domingos Amaral

domingo, 5 de maio de 2013

Selecção dos Mediadores dos Jogos Sociais do Estado.



  • Lisboa, 02 de Maio 2013: Foi hoje publicado em dois jornais de circulação nacional o Comunicado do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (DJSCML), que torna públicos os critérios, regras e procedimentos, para selecção dos Mediadores dos Jogos Santa Casa.

    Mantendo o rigor e transparência que sempre pautaram esta actividade, pretendeu-se simplificar procedimentos, nos termos do nº 5 do artigo 2º do Regulamento dos Mediadores dos Jogos Sociais do estado, aprovado pela Portaria nº 313/2004 de 23 de março, e alterado pelas Portarias nºs 216/2012 de 18 de Junho e 112/2013, de 21 de Março.
    Este Comunicado, que revoga o anterior Comunicado para selecção de mediadores dos Jogos Sociais do Estado de 24 de Janeiro de 2009, vem determinar que os mediadores dos jogos sociais do Estado passam a ser seleccionados nos termos exatos do referido Comunicado, não sendo consideradas quaisquer candidaturas que não cumpram os critérios, regras e procedimentos nele estabelecidos.

    Adequando os novos critérios e procedimentos à realidade actual  o início de um procedimento com vista à selecção de mediadores passa a ser publicitado no endereço electrónico www.jogossantacasa.pt, com indicação da respectiva zona de interesse comercial e do prazo para os interessados apresentarem a sua candidatura.
     As candidaturas que cumpram os requisitos estabelecidos serão avaliadas pelo DJSCML de acordo com elementos referentes ao respectivo estabelecimento comercial, tais como localização, período de funcionamento, acessibilidades, segurança, etc.

    Consulte aqui os novos Critérios, Regras e Procedimentos de Seleção de Mediadores., hoje tornados públicos, que entram em vigor no dia 31 de Maio de 2013.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Santa Casa alerta apostadores para fraude nas "Raspadinhas".



Jogos parecidos e ilegais detetados pela Santa Casa, que já participou o caso às autoridades.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa alerta os apostadores para uma fraude com bilhetes de jogo semelhantes aos da "Raspadinha". A informação surge num comunicado, no qual a Santa Casa refere que tem vindo a "detetar novas formas de jogo ilegal", das quais destaca imitações da conhecida "Raspadinha", oficialmente designada como "Lotaria Instantânea", ilegalidades que estão a ser investigadas pelas "autoridades policiais".

De acordo com o comunicado da Santa Casa, têm surgido "bilhetes de jogo cujas características são semelhantes aos da Lotaria Instantânea, conhecida popularmente por Raspadinha e cuja exploração - à semelhança dos restantes Jogos Sociais do Estado - está confiada em exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa".

Mas num anúncio, esta segunda-feira, no JN, a Santa Casa é mais clara e fala mesmo em "alerta". Neste sentido, o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa "alerta todos os cidadãos para os riscos em que incorrem ao participarem neste tipo de jogo ilegal, tais como o de burla e fraude, e também para o facto de tal participação constituir uma contraordenação".
E a Santa Casa esclarece que essas irregularidades foram detetadas pelo Departamento de Jogos, "em colaboração com as autoridades policiais competentes".

O alerta surgiu na passada sexta-feira, dia em que foi publicada um novo diploma legal relativamente à Raspadinha. Trata-se da Portaria nº 148/2013, que, segundo a Santa Casa, vem "reforçar a segurança dos apostadores e dos mediadores no momento da aquisição de bilhetes da Lotaria Instantânea".

A instituição salienta que os bilhetes só podem ser vendidos "através dos mediadores dos Jogos Sociais do Estado, que estão devidamente identificados".

Só valem em bom estado

É nestes termos e com este enquadramento jurídico que os vencedores das raspadinhas "só terão direito ao prémio se não forem rasgados, mutilados, deteriorados, alterados ou estiverem legíveis e se mantiverem intacta a zona 'Não raspar'". Da mesma forma, salienta a Santa Casa da Misericórdia, o código de barras deve ser mantido intacto. A nova legislação já está em vigor.

CARLOS VARELA - JN