quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prémios Neurociências criados pela Santa Casa apresentados no Mosteiro dos Jerónimos.




O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Pedro Santana Lopes, o neurocirurgião João Lobo Antunes e o cientista Alexandre Quintanilha apresentam, no dia 29 de maio (quarta feira), no Mosteiro dos Jerónimos, a primeira edição dos Prémios Santa Casa Neurociências. São os maiores prémios atribuídos na área da investigação médica e científica em Portugal, no valor de 400 mil euros distribuídos em dois galardões: o Prémio Melo e Castro para a recuperação e tratamento de lesões vertebro-medulares; e o Prémio Mantero Belard, para o tratamento das doenças associadas ao envelhecimento, como a Doença de Parkinson e de Alzheimer.

O neurologista António Damásio está também associado à promoção destes Prémios, através dos quais a Santa Casa pretende investir e contribuir para a investigação científica, num contexto de grave crise.

A iniciativa conta ainda com o apoio das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, bem como de várias sociedades médicas nacionais.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Carta a Jorge Jesus.




Caro Jorge Jesus, muitos parabéns pelo grande jogo que ontem o Benfica fez.
Muitos parabéns pela forma desassombrada, corajosa, intensa e vibrante como ontem o Benfica jogou. Assim, sim, assim o Benfica é grande, mesmo quando perde.
Ontem, talvez pela primeira vez em toda a minha vida, senti que Portugal inteiro se orgulhou do Benfica. Mesmo os nossos adversários, portistas e sportinguistas, admiraram o nosso fantástico jogo, e o nosso maravilhoso público em Amesterdão, e mesmo eles sentiram a crueldade que foi perder assim.
A derrota custa, custa muito, mas caro Jorge Jesus, não deixes que esta derrota ensombre o quanto fizeste este ano e a grande temporada que o Benfica fez. 
Jamais me vou esquecer de muitos momentos bons deste ano. Das vitórias em Leverkusen e Bordéus, da forma magnífica como jogámos em Nou Camp, Newcastle ou nesta final; das excelentes vitórias nacionais em campos tão difíceis como Alvalade, Braga, Madeira e Paços de Ferreira.
E, sobretudo, jamais me vou esquecer daquele que foi o melhor jogo da época que o Benfica fez, na Luz, contra o Fenerbahçe, na meia-final.
Além disso, também não me vou esquecer do que diziam da equipa no início do ano, quando tínhamos acabado de vender Witsel e Javi Garcia e não havia meio-campo, pois Aimar e Martins estavam fora de combate. Ou quando diziam que não tínhamos defesa, pois Luisão estava castigado para meses e supostamente não havia lateral esquerdo.
Ainda te lembras do que disseram de ti? Pois, meu caro Jesus, a ti se deve a grande construção desta equipa. A invenção de um meio-campo excelente, com Matic e Enzo Pérez; o nascimento de um jovem lateral chamado Melgarejo; a afirmação de um grande avançado chamado Lima; e ainda uma aposta em jovens portugueses, os dois Andrés.
Quem fez tudo isto em apenas um ano, e conseguiu tanta coisa boa e bonita para alegrar os nossos corações, não pode pensar em desistir só porque perdeu dois jogos nos descontos. 
Os grandes homens não são os que estão sempre no topo, lá no alto, mas sim aqueles que sabem que vão cair muitas vezes e que se vão tornar a levantar do chão muitas vezes mais, e recomeçar tudo outra vez. 
A história não acaba aqui, a vida não acaba hoje nem amanhã, e no Domingo ainda temos de lutar por um milagre. 
Sim, um dia vai acontecer um milagre ao Benfica. Ninguém sabe quando, mas um dia a famosa maldição de Bela Gutman também vai acabar. Ontem não foi esse dia, mas ele vai chegar.
Sabemos todos, desde crianças, que todas as maldições acabam com a chegada de um Príncipe Encantado. Quem sabe se um dia não serás tu?

Domingos Amaral

domingo, 5 de maio de 2013

Selecção dos Mediadores dos Jogos Sociais do Estado.



  • Lisboa, 02 de Maio 2013: Foi hoje publicado em dois jornais de circulação nacional o Comunicado do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (DJSCML), que torna públicos os critérios, regras e procedimentos, para selecção dos Mediadores dos Jogos Santa Casa.

    Mantendo o rigor e transparência que sempre pautaram esta actividade, pretendeu-se simplificar procedimentos, nos termos do nº 5 do artigo 2º do Regulamento dos Mediadores dos Jogos Sociais do estado, aprovado pela Portaria nº 313/2004 de 23 de março, e alterado pelas Portarias nºs 216/2012 de 18 de Junho e 112/2013, de 21 de Março.
    Este Comunicado, que revoga o anterior Comunicado para selecção de mediadores dos Jogos Sociais do Estado de 24 de Janeiro de 2009, vem determinar que os mediadores dos jogos sociais do Estado passam a ser seleccionados nos termos exatos do referido Comunicado, não sendo consideradas quaisquer candidaturas que não cumpram os critérios, regras e procedimentos nele estabelecidos.

    Adequando os novos critérios e procedimentos à realidade actual  o início de um procedimento com vista à selecção de mediadores passa a ser publicitado no endereço electrónico www.jogossantacasa.pt, com indicação da respectiva zona de interesse comercial e do prazo para os interessados apresentarem a sua candidatura.
     As candidaturas que cumpram os requisitos estabelecidos serão avaliadas pelo DJSCML de acordo com elementos referentes ao respectivo estabelecimento comercial, tais como localização, período de funcionamento, acessibilidades, segurança, etc.

    Consulte aqui os novos Critérios, Regras e Procedimentos de Seleção de Mediadores., hoje tornados públicos, que entram em vigor no dia 31 de Maio de 2013.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Santa Casa alerta apostadores para fraude nas "Raspadinhas".



Jogos parecidos e ilegais detetados pela Santa Casa, que já participou o caso às autoridades.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa alerta os apostadores para uma fraude com bilhetes de jogo semelhantes aos da "Raspadinha". A informação surge num comunicado, no qual a Santa Casa refere que tem vindo a "detetar novas formas de jogo ilegal", das quais destaca imitações da conhecida "Raspadinha", oficialmente designada como "Lotaria Instantânea", ilegalidades que estão a ser investigadas pelas "autoridades policiais".

De acordo com o comunicado da Santa Casa, têm surgido "bilhetes de jogo cujas características são semelhantes aos da Lotaria Instantânea, conhecida popularmente por Raspadinha e cuja exploração - à semelhança dos restantes Jogos Sociais do Estado - está confiada em exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa".

Mas num anúncio, esta segunda-feira, no JN, a Santa Casa é mais clara e fala mesmo em "alerta". Neste sentido, o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa "alerta todos os cidadãos para os riscos em que incorrem ao participarem neste tipo de jogo ilegal, tais como o de burla e fraude, e também para o facto de tal participação constituir uma contraordenação".
E a Santa Casa esclarece que essas irregularidades foram detetadas pelo Departamento de Jogos, "em colaboração com as autoridades policiais competentes".

O alerta surgiu na passada sexta-feira, dia em que foi publicada um novo diploma legal relativamente à Raspadinha. Trata-se da Portaria nº 148/2013, que, segundo a Santa Casa, vem "reforçar a segurança dos apostadores e dos mediadores no momento da aquisição de bilhetes da Lotaria Instantânea".

A instituição salienta que os bilhetes só podem ser vendidos "através dos mediadores dos Jogos Sociais do Estado, que estão devidamente identificados".

Só valem em bom estado

É nestes termos e com este enquadramento jurídico que os vencedores das raspadinhas "só terão direito ao prémio se não forem rasgados, mutilados, deteriorados, alterados ou estiverem legíveis e se mantiverem intacta a zona 'Não raspar'". Da mesma forma, salienta a Santa Casa da Misericórdia, o código de barras deve ser mantido intacto. A nova legislação já está em vigor.

CARLOS VARELA - JN

quinta-feira, 28 de março de 2013

O homem está em grande forma!



Notoriamente, os dois jornalistas destacados para entrevistar José Sócrates estavam impreparados, ou não tomaram em consideração a aptidão dialéctica do ex-primeiro-ministro, ou, pior, não estavam ali para esclarecer, sim, acaso, para baralhar e entrar em chicana, colocando-se como protagonistas, quando deviam ser mediadores. Chegou a ser pungente a evidência com que o entrevistado repôs a natureza dos factos, perante a turva propriedade das enunciações. O esclarecimento das manobras e das conspiratas com origem em Belém, e as inclinações ideológicas do dr. Cavaco, que põem em causa a sua tão apregoada "independência", foram pontos fulcrais da entrevista. Ficou-se a saber o que se suspeitava: o manobrismo unilateral de quem começa a ser cúmplice consciente do desastre para que nos encaminham. Um a um, ponto a ponto, Sócrates rebateu as alegações de "desincorporação" que ambos os jornalistas se aplicavam em expor, recorrendo às instâncias que estabeleciam as relações marcantes na época. Aí, a sua intervenção foi arrasadora. Claro que Sócrates e o seu governo não podem ser responsáveis de todas as malfeitorias, apesar das estruturas de contra-informação utilizadas, da negligência propositada de alguma comunicação social, e que ele denunciou com denodo. A entrevista foi extremamente interessante porque o reconhecido talento de José Sócrates voltou a impor-se em grande estilo. Ficámos esclarecidos? Não; porque os entrevistadores, além das deficiências apontadas, foram intimidados pelo "animal feroz". O homem está em grande forma.

BAPTISTA-BASTOS - DN

segunda-feira, 11 de março de 2013

O que devemos aos reformados.


É provável que o Tribunal Constitucional decrete a inconstitucionalidade da sobretaxa de 3,5% aos reformados, tratados por este governo como cidadãos de segunda – provavelmente fazendo parte desse contingente de “instalados” que trava a ascensão dos jovens de que recentemente falava Miguel Relvas. Se é impossível negar a existência da inversão da pirâmide demográfica (e uma reforma da Segurança Social deveria sempre discutir a existência de tectos máximos, rejeitando reclamações patéticas do estilo do movimentos dos banqueiros reformados e etc.), obrigar um pensionista com mais de 1350 euros mensais a pagar a crise com uma sobretaxa é um atentado social e institui, de facto, uma desigualdade geracional. Tratar os reformados como cidadãos de segunda é tentar fazer recair sobre uma geração que nasceu numa ditadura, que não teve qualquer acesso ao Estado social até à idade adulta, que em alguns casos viveu o racionamento da Segunda Guerra, penou na guerra colonial e teve os seus direitos civis amputados até ao 25 de Abril de 1974, uma “culpa” de se ter transformado, na meia- -idade, sabe Deus como, numa geração de “privilegiados”.
Não dispondo de qualquer hipótese de criar emprego – é a própria receita recessiva da troika e as políticas europeias que o impedem – o governo entretém-se na propaganda infeliz de colocar as gerações umas contra as outras, como se a situação fosse definível pela existência de “culpados” e “vítimas”. A utilização política do gap geracional é tanto mais obscena quanto a geração dos reformados fez o que lhe foi possível para entregar às novas gerações um país muito melhor do que aquele que existia quando começou a trabalhar e a pagar impostos. Se o Tribunal Constitucional declarar impossível à luz da Constituição portuguesa a divisão entre velhos e novos presta um bom serviço à coesão nacional.
Afinal, não foi a esmagadora maioria dos agora atingidos que criou os regimes excepcionais de reformados de cargos públicos – que na sua origem foram criados para evitar que um titular de cargo público passasse à situação de desemprego quando o mandato expirasse, mas serviu de pasto para um sistema insustentável moral e financeiramente. A participação maciça de pessoas mais velhas na manifestação “Que se lixe a troika” é um sintoma expressivo de que o combate ao governo tem nos reformados um dos seus principais suportes. Afinal, o governo também se encarrega de os combater.
Ana Sá Lopes - Ionline.

domingo, 10 de março de 2013

Prémio de 51,6 milhões do Euromilhões foi registado na Póvoa de Varzim.



Há mais um "excêntrico" em Portugal. O primeiro prémio do Euromilhões, no valor de mais de 51,6 milhões de euros, foi registado no Café Aroma Vivo, no Largo das Dores, Póvoa de Varzim. Luciana Ribeiro não sabe quem foi o totalista, mas, na montra, havia já um letreiro: "Saiu aqui o 1.o Prémio do Euromilhões".
"Estamos numa zona de passagem. Vem aqui muita gente que nem sequer é da Póvoa. Estamos próximos do tribunal e em frente ao hospital. É impossível saber quem foi", explica a proprietária. Ao final da tarde deste sábado, o totalista não se tinha ainda "denunciado".
No pequeno café, Luciana Ribeiro faz centenas de registos por semana de Euromilhões, Totobola e Totoloto. Por questões de proteção de dados, não há nomes, moradas ou telefones. Por isso, só se o novo euromilionário disser é que se ficará a saber a quem saiu o prémio e, "muitas vezes, as pessoas até nem ligam logo aos números". "Se calhar amanhã [hoje], quando lerem os jornais, é que se vão dar conta." Luciana soube, logo de manhã, que o boletim foi lá registado.
"Ligaram-me da Santa Casa a dizer e a dar instruções sobre o que fazer caso o totalista cá viesse", conta a proprietária do "Aroma Vivo", acrescentando que o totalista deverá dirigir-se diretamente ao departamento de Jogos da Santa Casa, a fim de reclamar o prémio.
No "Aroma Vivo", em quatro anos sob a gestão de Luciana Ribeiro e do companheiro, Sérgio Regado, nunca ali saiu nenhum prémio do Euromilhões, embora já tenham saído pequenos e médios totolotos, totobolas e raspadinhas, mas nunca acima de cinco mil euros.
Ontem o Euromilhões dominava as conversas. O corrupio de jornalistas e as "sessões" de fotografias faziam sorrir quem passava, curiosos sobre o vencedor.
Na zona, o último primeiro prémio do Euromilhões havia saído em 2007, em Bagunte (Vila do Conde), a um casal. Rendeu 15 milhões e foi "escolhida à sorte" pelo filho de três anos. Desta vez, a chave (3, 20, 23, 28, 42 e estrelas 8 e 11) resultou num único primeiro prémio.

JN

sábado, 9 de março de 2013

FISCO GANHA QUASE 10,5 MILHÕES NO EUROMILHÕES.

O Euromilhões deu, esta sexta-feira, quase 10,5 milhões de euros ao Fisco. É quanto vale o novo imposto, de 20%, sobre os prémios dos jogos sociais, aprovado no Orçamento de Estado para 2013. Vencedor do jackpot, deixa mais de 10 milhões ao Estado.

Um primeiro prémio, no valor de mais de 51,6 milhões euros, um segundo, superior a 580 mil euros, e cinco quartos prémios de quase seis mil euros cada, vão render ao Fisco quase 10,5 milhões de euros em impostos sobre os prémios que o Euromilhões deixou em Portugal este sábado.

O Orçamento de Estado para 2013 introduziu a possibilidade de o Fisco taxar o sonho de milhões de portugueses.

O único totalista do Euromilhões de sexta-feira, um prémio de 51689985 euros, quase 52 milhões de euros, vai receber pouco mais de 41 milhões (41351998 euros). Com a taxa de 20% em Imposto de Selo aplicada aos prémios superiores a cinco mil euros, o totalista do jackpot deste sábado deixa 10,34 milhões de euros nos cofres do Estado.

O vencedor de um segundo prémio, cujo valor era de pouco mais de 580 mil euros, vai deixar 116 mil euros ao Fisco, levando para casa cerca de 465 mil euros.

A proporção que o Fisco leva dos prémios com o Imposto de Selo, um quinto, é bem patente na análise ao quatro prémio, que saiu em sorte a cinco totalistas. O estado fica com 5921,87 euros, o equivalente a um quarto prémio. Cada apostador fica com um prémio líquido de 4736,63 euros, deixando 1185 euros ao Orçamento de Estado.

Tudo somado, o Fisco ganhou, sexta-feira, um "jackpot" de cerca de 10,46 milhões de euros, correspondente a 20%, ou uma quinta parte, do total de 52299937,64 euros que a sorte do Euromilhões destinou a apostadores portugueses.

Os apostadores dos jogos sociais da Santa Casa, entre os quais está o Euromilhões, pagam, ainda, 4,5% de Imposto de Selo aplicado ao preço da aposta no momento em que é registada. Até ao final de 2012, esse era o único imposto pago, e à cabeça. O início de 2013 trouxe o "desconto" de 20% ao total do prémio, quando este é superior a cinco mil euros.

A medida abrange, para além do Euromilhões, os prémios na Lotaria Nacional, Lotaria Instantânea, Totobola, Totogolo, Totoloto e Joker.

Santa Casa dá 400 mil à ciência.



A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai apostar na investigação na área das neurociências. O anúncio foi feito ontem pelo provedor Pedro Santana Lopes. São duas bolsas distintas, cada uma no valor de 200 mil euros, num total de 400 mil, que serão atribuídas anualmente. Uma das linhas de apoio visa o tratamento e cura de doenças degenerativas associadas ao envelhecimento como Parkinson e Alzheimer.
A outra destina- -se a financiar projetos inovadores no campo das lesões na coluna vertebral . As verbas são oriundas dos prémios não reclamados nos jogos tutelados pela Santa Casa.

"São bolsas de esperança. Mais do que premiar trabalhos já feitos, são bolsas para apoiar trabalhos de investigação que possam contribuir para a descoberta de uma cura ou para minorar as tragédias que se abatem sobre essas pessoas",sublinhou Pedro Santana Lopes ao CM". 

A iniciativa conta com o apoio das Universidades de Lisboa, Porto e do Centro de Neurociências de Coimbra. O valor de cada bolsa será distribuído, de forma faseada, ao longo de três anos. 
CM

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

VERGONHA!!!


Um País porreiro, pá!

Vivemos num país porreiro, pá! Os políticos, esses que mandaram Portugal pelo esgoto e se esforçam por tapar o cano, inventam fórmulas para se eximir dos sacrifícios que impõem ao cidadão comum, dormem descansados e nada fazem para isentar de taxas imorais iniciativas como a que visa ajudar o forcado Nuno Carvalho, que ficou tetraplégico em Agosto de 2012. Como o CM noticiou, dos fundos angariados domingo numa corrida de touros solidária no Campo Pequeno, 26 mil euros são levados pelo Fisco.
É certo que vivemos uma crise profunda, mas isso justifica a aplicação de 13% de IVA e 10% de imposto de selo a quem quer ajudar os outros?

Um Estado cego às diferentes necessidades das pessoas é um Estado que esqueceu as pessoas. Lamentavelmente, vivemos há muito em força do convívio com uma entidade dessas, pronta para fazer contas e deduzir impostos, mas incapaz de dar a cada um em função do que lhe é devido.

E não está longe o dia em que, como em Espanha, as pessoas ponham fim à vida quando os mesmos que as condenaram à miséria lhes reclamarem a casa onde vivem. E assim vamos regressando à barbárie que séculos de humanismo se esforçaram por afastar de nós.

CM - Francisco J. Gonçalves, jornalista

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Raspadinha tem nova modalidade.


A Lotaria Instantânea - Raspadinha tem a partir do próximo mês uma nova modalidade de jogo. Chama-se Mini Pé de-Meia e é, como o nome indica, uma opção mais barata e com prémios mais modestos do jogo-sensação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa do último ano. 

Em 2012, os jogos sociais obtiveram receitas na raspadinha de 376 milhões de euros. Um montante que representou um acréscimo de 82% face à facturação de 2011. Em prémios, a raspadinha entregou um total de 233 milhões de euros.

O novo jogo tem o custo de um euro e oferece de primeiro prémio 500 euros/mês ao longo de cinco anos, ou seja 30 mil euros no total. O segundo prémio representa 250 euros/mês por dois anos e o terceiro permite ganhar 150 euros/mês durante um ano. A probabilidade de ganho é de uma em cada três raspadinhas.

O vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paes Afonso, acredita que "a nova raspadinha irá atrair mais apostadores para os jogos sociais, devido a ter um preço mais modesto face às duas modalidades à venda". Recorde-se que a Super Pé-de--Meia custa cinco euros e a Pé-de- -Meia custa três euros.

Paes Afonso considera ainda que a entrada em funcionamento deste novo jogo "é mais uma opção da Santa Casa no combate ao jogo ilegal das rifas, que se caracteriza por entregar prémios de pequenos montantes".

Na raspadinha, em 2012, as maiores fortunas entregues foram quatro primeiros prémios da Super Pé-de-Meia. Ganhar o máximo nesta modalidade, que surgiu em Agosto do último ano, representa um prémio de dois mil euros mensais por doze anos, o que totaliza 288 mil euros. Na Pé-de-Meia foram, por sua vez, entregues doze primeiros prémios. Estes vencedores recebem durante dez anos 1500 euros por mês, ou seja, um total de 180 mil euros.

CM.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O “Estado a que isto chegou”: Que consequências?



Vivemos tempos conturbados, plenos de incerteza, de insegurança, de angústia. Tempos em que o medo nos surge a cada esquina do nosso quotidiano, cada vez menos nosso - objectos que somos de um deus menor (o dinheiro) que nos “coisifica” -, e em que nos sentimos meras peças de um todo que desconhecemos, que não compreendemos, e que nos sufoca.
Olhamos à nossa volta e as injustiças de que damos conta – muitas delas vivendo-as como protagonistas/vítimas principais – impedem-nos de permanecermos calados, incitam-nos a que gritemos a nossa revolta.
Mas hoje, esse grito de revolta aparece-nos ténue, frágil, impotente, perante a constância e a extensão dessas injustiças, sempre reiteradas, renovadas, ampliadas.
A nossa indignação já esgotou as palavras que conhecíamos para a nomearmos, para contermos “ a raiva que não se deixa aprisionar em palavras” (Amartya Sen).
Buscamos, com urgência, um último átomo de ponderação. E são inúmeras as vozes que nos abraçam, expressando a sua solidariedade, por assumirem como suas as nossas razões. São vozes que nos chegam dos mais diversos lugares, através dos mais diversos mensageiros, apoiando-nos na nossa profunda convicção de que há outros caminhos a percorrer se queremos – como exigimos! – alcançar o Futuro.
Mas essas vozes, mesmo mais “moderadas e ponderadas” que as palavras verticais com que afirmamos a nossa indignação, também não chegam ao Poder. Ou são por ele ignobilmente desprezadas.
Sem palavras para nos defendermos, sentimos nos impelidos a ultrapassar a fronteira da indignação, e a entrarmos, violentados e temerosos, mas DE PÉ, no território dos humilhados, dos ofendidos, dos descartáveis. Dos que são apenas números em estatísticas de vão-de escada, manhosamente manipuladas pelo Poder e por muita da comunicação social. No território onde mora o desespero.
Sem palavras para dizermos a nossa indignação, é-nos cada vez mais imprescindível, e urgente, que a raiva que sentimos se solte em actos. Poderão ser actos aleatórios, imprevisíveis, sem controlo, desesperados. Poderão ser potencialmente violentos, eventualmente (também eles) injustos. Mas que não restem dúvidas – serão uma consequência, e não, nunca, uma causa da violência. Serão respostas (legítima defesa) à violência que hoje sofremos, imposta pelo exercício ilegítimo do Poder.
Pois não é violência pura a destruição do Presente de milhões de portugueses?
Não é violência pura o roubo do Futuro perpetrado contra os mais jovens? Não é violência pura os despudorados insultos lançados contra os mais velhos, amarrotando lhes um Passado inteiro e vertical, impondo-lhes um Presente vazio e de exclusão, negando lhes um Futuro merecidamente digno?
Não é a mais abjecta violência haver – hoje, século XXI, num país da União Europeia! – milhares de crianças com fome? Não é isto um Crime contra a Humanidade?
Não é uma violência vil e despudorada colocar no “limbo dos descartáveis” milhares de homens e mulheres porque ficaram sem meios de subsistência – sem emprego – aos quarenta/cinquenta anos?
Não é da mais canalha violência colocar - numa comunidade que se exige nacional na construção de um Futuro comum –, de forma intencional, uns contra os outros, jovens contra velhos, mulheres contra homens, empregados contra desempregados, funcionários públicos contra trabalhadores “privados”, professores contra todos, militares como “inúteis”?
Tendo repudiado todas as palavras ponderadas, nossas e de tantos e tantos Seres Humanos que nos acompanham na nossa indignação, o Poder político refugia-se na máxima hipocrisia: “Não há alternativa”. Não percebe – melhor, finge não perceber! – que esta afirmação é a total e definitiva prova da ilegitimidade com que é exercido esse Poder: para a Democracia, é condição inultrapassável, insubstituível, inalienável, haver alternativas!
Da ilegitimidade provada da sua acção governativa, e denunciando o medo, ou a 
“impossibilidade de ter ideias” (Jorge de Sena), o Poder político coloca-se agora no território da irracionalidade.
Dar-se-á conta de que, defendendo – e agindo, impondo-o! – tão convictamente o dogma “Não há alternativa”, o governo está, incontornavelmente,
inquestionavelmente, a assumir TODA a responsabilidade pelos seus actos, e omissões, e, porque indiscutivelmente estes e estas são CAUSAS, também a assumir a responsabilidade pelas consequências que deles derivem? Nomeadamente os actos aleatórios, imprevisíveis, sem controlo, potencialmente violentos, eventualmente injustos, que o mundo dos humilhados, dos ofendidos, dos desprezados, dos descartáveis, venham a praticar – porque desesperados?
É que a estes, perdida a capacidade de expressar a sua indignação (porque as palavras se esgotaram), e negada qualquer perspectiva minimamente digna de um Presente e, muito menos, de um Futuro, resta-lhes apenas, como objectivo único, a sobrevivência.
Esta, tal como a legítima defesa, no mundo dos Seres Humanos, pode, e deve, ser 
enquadrada e ponderada, por Valores, Princípios, Ética.
Mas estes são conceitos, e práticas, que o governo demonstradamente não reconhece.
É possível nomear muitos dos responsáveis pelo “estado a que isto chegou”. Urge que não fiquem impunes, como um primeiro acto de muitos outros necessários para devolver a um Povo inteiro a confiança, no Outro e nas instituições, colectivamente indispensável a construção de um Futuro Digno e Comum.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Resistir, nunca desistir.


Entrámos no ano de todos os perigos e de todos os medos. Ninguém ameniza as perspectivas, e o primeiro-ministro acentuou a nossa angústia afirmando que nunca as coisas, depois do 25 de Abril de 74, tinham estado tão escuras. Os seus apaniguados, contentíssimos, aplaudiram as declarações, considerando-as sinal de honrada "transparência". Esqueceram-se, evidentemente, de que, à esquerda e à direita, gente altamente qualificada e sensata já advertira da tragédia próxima. E Passos Coelho continua a não reconhecer, claramente, o que a aplicação da ideologia neoliberal nos tem feito. Nem o que essa ideologia significa de risco para a própria democracia, cada vez mais acanhada até ao ponto de constituir uma humilhação e um desespero intoleráveis para quem nela acredita.
O ano traz, portanto, malvados prenúncios. E, embora sabedor da nociva sorte que nos aguarda, Passos Coelho não move uma palha para inverter a funesta tendência. Não move ou não sabe mover. A representação do poder demonstra enorme desprezo pelos protestos de rua, pelos movimentos de massas (o 15 de Setembro testemunhou a recusa da apatia e da resignação, pelas razões que em si mesmo comportava), pelos depoimentos e pelas declarações veementes de economistas, sociólogos, políticos, alarmados com o caminho para o desastre a que o País é impelido. Interpelado sobre se a população aguenta o caudal de restrições, impostos e constrangimentos, o banqueiro sr. Ulrich admitiu: "Aguenta! Aguenta!", num escabroso convencimento, a roçar o insulto e o impudor. É em criaturas deste jaez e estilo que o primeiro-ministro se apoia, pois elas mesmas caracterizam um dos pilares em que assenta a ideologia que defende.
A ideologia. Eis a questão capital. E o novo paradigma político e social, que nos tem sido imposto, inscreve--se nessa nova experiência do capitalismo, como emergência de sair da crise por si criada.
A regressão a que Pedro Passos Coelho nos obrigou contém uma incerteza dramática, que o atinge, atingindo-nos cruelmente. Ele abriu a caixa de Pandora e, agora, não sabe como fechá-la. É um tonto perigosíssimo. Arruinou a pátria, não somente a pátria política, social e económica mas, sobretudo, a pátria moral. Nem daqui a duas ou três décadas o desastre será remediado, diz quem sabe. O nefasto "rotativismo" ocultará ou dissimulará os erros e os crimes cometidos. Ninguém vai parar à cadeia, porque eles protegem-se uns aos outros, com o impudor de quem se reconhece acima de deus e do diabo.
É pungente assistir-se às torções do PS, como aos embustes, ao vazio de sentido dos discursos do PSD. Não desejo referir-me, neste texto, ao dr. Cavaco, por nojo e estrito resguardo mental. Desejo, isso sim, demonstrar o orgulho e a vaidade que sinto por pertencer a um povo como este, sofrido, cercado, mas decente e indomável.

BAPTISTA-BASTOS - DN