sábado, 9 de março de 2013

Santa Casa dá 400 mil à ciência.



A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai apostar na investigação na área das neurociências. O anúncio foi feito ontem pelo provedor Pedro Santana Lopes. São duas bolsas distintas, cada uma no valor de 200 mil euros, num total de 400 mil, que serão atribuídas anualmente. Uma das linhas de apoio visa o tratamento e cura de doenças degenerativas associadas ao envelhecimento como Parkinson e Alzheimer.
A outra destina- -se a financiar projetos inovadores no campo das lesões na coluna vertebral . As verbas são oriundas dos prémios não reclamados nos jogos tutelados pela Santa Casa.

"São bolsas de esperança. Mais do que premiar trabalhos já feitos, são bolsas para apoiar trabalhos de investigação que possam contribuir para a descoberta de uma cura ou para minorar as tragédias que se abatem sobre essas pessoas",sublinhou Pedro Santana Lopes ao CM". 

A iniciativa conta com o apoio das Universidades de Lisboa, Porto e do Centro de Neurociências de Coimbra. O valor de cada bolsa será distribuído, de forma faseada, ao longo de três anos. 
CM

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

VERGONHA!!!


Um País porreiro, pá!

Vivemos num país porreiro, pá! Os políticos, esses que mandaram Portugal pelo esgoto e se esforçam por tapar o cano, inventam fórmulas para se eximir dos sacrifícios que impõem ao cidadão comum, dormem descansados e nada fazem para isentar de taxas imorais iniciativas como a que visa ajudar o forcado Nuno Carvalho, que ficou tetraplégico em Agosto de 2012. Como o CM noticiou, dos fundos angariados domingo numa corrida de touros solidária no Campo Pequeno, 26 mil euros são levados pelo Fisco.
É certo que vivemos uma crise profunda, mas isso justifica a aplicação de 13% de IVA e 10% de imposto de selo a quem quer ajudar os outros?

Um Estado cego às diferentes necessidades das pessoas é um Estado que esqueceu as pessoas. Lamentavelmente, vivemos há muito em força do convívio com uma entidade dessas, pronta para fazer contas e deduzir impostos, mas incapaz de dar a cada um em função do que lhe é devido.

E não está longe o dia em que, como em Espanha, as pessoas ponham fim à vida quando os mesmos que as condenaram à miséria lhes reclamarem a casa onde vivem. E assim vamos regressando à barbárie que séculos de humanismo se esforçaram por afastar de nós.

CM - Francisco J. Gonçalves, jornalista

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Raspadinha tem nova modalidade.


A Lotaria Instantânea - Raspadinha tem a partir do próximo mês uma nova modalidade de jogo. Chama-se Mini Pé de-Meia e é, como o nome indica, uma opção mais barata e com prémios mais modestos do jogo-sensação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa do último ano. 

Em 2012, os jogos sociais obtiveram receitas na raspadinha de 376 milhões de euros. Um montante que representou um acréscimo de 82% face à facturação de 2011. Em prémios, a raspadinha entregou um total de 233 milhões de euros.

O novo jogo tem o custo de um euro e oferece de primeiro prémio 500 euros/mês ao longo de cinco anos, ou seja 30 mil euros no total. O segundo prémio representa 250 euros/mês por dois anos e o terceiro permite ganhar 150 euros/mês durante um ano. A probabilidade de ganho é de uma em cada três raspadinhas.

O vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paes Afonso, acredita que "a nova raspadinha irá atrair mais apostadores para os jogos sociais, devido a ter um preço mais modesto face às duas modalidades à venda". Recorde-se que a Super Pé-de--Meia custa cinco euros e a Pé-de- -Meia custa três euros.

Paes Afonso considera ainda que a entrada em funcionamento deste novo jogo "é mais uma opção da Santa Casa no combate ao jogo ilegal das rifas, que se caracteriza por entregar prémios de pequenos montantes".

Na raspadinha, em 2012, as maiores fortunas entregues foram quatro primeiros prémios da Super Pé-de-Meia. Ganhar o máximo nesta modalidade, que surgiu em Agosto do último ano, representa um prémio de dois mil euros mensais por doze anos, o que totaliza 288 mil euros. Na Pé-de-Meia foram, por sua vez, entregues doze primeiros prémios. Estes vencedores recebem durante dez anos 1500 euros por mês, ou seja, um total de 180 mil euros.

CM.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O “Estado a que isto chegou”: Que consequências?



Vivemos tempos conturbados, plenos de incerteza, de insegurança, de angústia. Tempos em que o medo nos surge a cada esquina do nosso quotidiano, cada vez menos nosso - objectos que somos de um deus menor (o dinheiro) que nos “coisifica” -, e em que nos sentimos meras peças de um todo que desconhecemos, que não compreendemos, e que nos sufoca.
Olhamos à nossa volta e as injustiças de que damos conta – muitas delas vivendo-as como protagonistas/vítimas principais – impedem-nos de permanecermos calados, incitam-nos a que gritemos a nossa revolta.
Mas hoje, esse grito de revolta aparece-nos ténue, frágil, impotente, perante a constância e a extensão dessas injustiças, sempre reiteradas, renovadas, ampliadas.
A nossa indignação já esgotou as palavras que conhecíamos para a nomearmos, para contermos “ a raiva que não se deixa aprisionar em palavras” (Amartya Sen).
Buscamos, com urgência, um último átomo de ponderação. E são inúmeras as vozes que nos abraçam, expressando a sua solidariedade, por assumirem como suas as nossas razões. São vozes que nos chegam dos mais diversos lugares, através dos mais diversos mensageiros, apoiando-nos na nossa profunda convicção de que há outros caminhos a percorrer se queremos – como exigimos! – alcançar o Futuro.
Mas essas vozes, mesmo mais “moderadas e ponderadas” que as palavras verticais com que afirmamos a nossa indignação, também não chegam ao Poder. Ou são por ele ignobilmente desprezadas.
Sem palavras para nos defendermos, sentimos nos impelidos a ultrapassar a fronteira da indignação, e a entrarmos, violentados e temerosos, mas DE PÉ, no território dos humilhados, dos ofendidos, dos descartáveis. Dos que são apenas números em estatísticas de vão-de escada, manhosamente manipuladas pelo Poder e por muita da comunicação social. No território onde mora o desespero.
Sem palavras para dizermos a nossa indignação, é-nos cada vez mais imprescindível, e urgente, que a raiva que sentimos se solte em actos. Poderão ser actos aleatórios, imprevisíveis, sem controlo, desesperados. Poderão ser potencialmente violentos, eventualmente (também eles) injustos. Mas que não restem dúvidas – serão uma consequência, e não, nunca, uma causa da violência. Serão respostas (legítima defesa) à violência que hoje sofremos, imposta pelo exercício ilegítimo do Poder.
Pois não é violência pura a destruição do Presente de milhões de portugueses?
Não é violência pura o roubo do Futuro perpetrado contra os mais jovens? Não é violência pura os despudorados insultos lançados contra os mais velhos, amarrotando lhes um Passado inteiro e vertical, impondo-lhes um Presente vazio e de exclusão, negando lhes um Futuro merecidamente digno?
Não é a mais abjecta violência haver – hoje, século XXI, num país da União Europeia! – milhares de crianças com fome? Não é isto um Crime contra a Humanidade?
Não é uma violência vil e despudorada colocar no “limbo dos descartáveis” milhares de homens e mulheres porque ficaram sem meios de subsistência – sem emprego – aos quarenta/cinquenta anos?
Não é da mais canalha violência colocar - numa comunidade que se exige nacional na construção de um Futuro comum –, de forma intencional, uns contra os outros, jovens contra velhos, mulheres contra homens, empregados contra desempregados, funcionários públicos contra trabalhadores “privados”, professores contra todos, militares como “inúteis”?
Tendo repudiado todas as palavras ponderadas, nossas e de tantos e tantos Seres Humanos que nos acompanham na nossa indignação, o Poder político refugia-se na máxima hipocrisia: “Não há alternativa”. Não percebe – melhor, finge não perceber! – que esta afirmação é a total e definitiva prova da ilegitimidade com que é exercido esse Poder: para a Democracia, é condição inultrapassável, insubstituível, inalienável, haver alternativas!
Da ilegitimidade provada da sua acção governativa, e denunciando o medo, ou a 
“impossibilidade de ter ideias” (Jorge de Sena), o Poder político coloca-se agora no território da irracionalidade.
Dar-se-á conta de que, defendendo – e agindo, impondo-o! – tão convictamente o dogma “Não há alternativa”, o governo está, incontornavelmente,
inquestionavelmente, a assumir TODA a responsabilidade pelos seus actos, e omissões, e, porque indiscutivelmente estes e estas são CAUSAS, também a assumir a responsabilidade pelas consequências que deles derivem? Nomeadamente os actos aleatórios, imprevisíveis, sem controlo, potencialmente violentos, eventualmente injustos, que o mundo dos humilhados, dos ofendidos, dos desprezados, dos descartáveis, venham a praticar – porque desesperados?
É que a estes, perdida a capacidade de expressar a sua indignação (porque as palavras se esgotaram), e negada qualquer perspectiva minimamente digna de um Presente e, muito menos, de um Futuro, resta-lhes apenas, como objectivo único, a sobrevivência.
Esta, tal como a legítima defesa, no mundo dos Seres Humanos, pode, e deve, ser 
enquadrada e ponderada, por Valores, Princípios, Ética.
Mas estes são conceitos, e práticas, que o governo demonstradamente não reconhece.
É possível nomear muitos dos responsáveis pelo “estado a que isto chegou”. Urge que não fiquem impunes, como um primeiro acto de muitos outros necessários para devolver a um Povo inteiro a confiança, no Outro e nas instituições, colectivamente indispensável a construção de um Futuro Digno e Comum.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Resistir, nunca desistir.


Entrámos no ano de todos os perigos e de todos os medos. Ninguém ameniza as perspectivas, e o primeiro-ministro acentuou a nossa angústia afirmando que nunca as coisas, depois do 25 de Abril de 74, tinham estado tão escuras. Os seus apaniguados, contentíssimos, aplaudiram as declarações, considerando-as sinal de honrada "transparência". Esqueceram-se, evidentemente, de que, à esquerda e à direita, gente altamente qualificada e sensata já advertira da tragédia próxima. E Passos Coelho continua a não reconhecer, claramente, o que a aplicação da ideologia neoliberal nos tem feito. Nem o que essa ideologia significa de risco para a própria democracia, cada vez mais acanhada até ao ponto de constituir uma humilhação e um desespero intoleráveis para quem nela acredita.
O ano traz, portanto, malvados prenúncios. E, embora sabedor da nociva sorte que nos aguarda, Passos Coelho não move uma palha para inverter a funesta tendência. Não move ou não sabe mover. A representação do poder demonstra enorme desprezo pelos protestos de rua, pelos movimentos de massas (o 15 de Setembro testemunhou a recusa da apatia e da resignação, pelas razões que em si mesmo comportava), pelos depoimentos e pelas declarações veementes de economistas, sociólogos, políticos, alarmados com o caminho para o desastre a que o País é impelido. Interpelado sobre se a população aguenta o caudal de restrições, impostos e constrangimentos, o banqueiro sr. Ulrich admitiu: "Aguenta! Aguenta!", num escabroso convencimento, a roçar o insulto e o impudor. É em criaturas deste jaez e estilo que o primeiro-ministro se apoia, pois elas mesmas caracterizam um dos pilares em que assenta a ideologia que defende.
A ideologia. Eis a questão capital. E o novo paradigma político e social, que nos tem sido imposto, inscreve--se nessa nova experiência do capitalismo, como emergência de sair da crise por si criada.
A regressão a que Pedro Passos Coelho nos obrigou contém uma incerteza dramática, que o atinge, atingindo-nos cruelmente. Ele abriu a caixa de Pandora e, agora, não sabe como fechá-la. É um tonto perigosíssimo. Arruinou a pátria, não somente a pátria política, social e económica mas, sobretudo, a pátria moral. Nem daqui a duas ou três décadas o desastre será remediado, diz quem sabe. O nefasto "rotativismo" ocultará ou dissimulará os erros e os crimes cometidos. Ninguém vai parar à cadeia, porque eles protegem-se uns aos outros, com o impudor de quem se reconhece acima de deus e do diabo.
É pungente assistir-se às torções do PS, como aos embustes, ao vazio de sentido dos discursos do PSD. Não desejo referir-me, neste texto, ao dr. Cavaco, por nojo e estrito resguardo mental. Desejo, isso sim, demonstrar o orgulho e a vaidade que sinto por pertencer a um povo como este, sofrido, cercado, mas decente e indomável.

BAPTISTA-BASTOS - DN

sábado, 29 de dezembro de 2012

2013, ANO NOVO, NOVAS LUTAS!



“O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções”. Karl Marx.

 Sempre que o Ano Novo nos está a bater à porta, são chamados a botar palpites em todos os órgãos de manipulação social – jornais ditos de referência, rádios, televisões e outros megafones do grande capital – especialistas em esoterismo, adivinhos, magos, bruxos, videntes, feiticeiros, todos os profetas da nossa praça, com faculdades divinatórias de amplo leque, que vão dos cartomantes ao especialista em necromancia: os poderes supra normais conglomeram-se para predizerem o que trará dentro de si o bebé ano novo.
 Os meus vaticínios têm sido testados; nunca falhei! Então, porque razões me ignoram?
 Não me embrenho nas catacumbas do ocultismo, nem me ajoelho de mãos postas procurando respostas do além-mundo. Sou muito mais terra-a-terra: olho em meu redor, observo rostos e leio nas expressões os seus anseios, nos olhares sem expressão as inquietudes e no próprio andar o desânimo ou cansaço.

 Nunca falho! Reafirmo! Já sei: dizem que sou agoirento. Mesmo com semelhante epíteto não desisto e, agoirento ou não, sem me socorrer dos astros, porque nem tão-pouco astrólogo sou, afirmo com a maior das convicções que para o ano os ricos serão ainda mais ricos e, como consequência, os pobres serão cada vez mais e mais pobres. Se isto não for verdade que nunca mais possa escrever sequer uma letra!
 A corrupção continuará sem freio nos dentes. Ainda não roubaram tudo. Vamos assistir a mais desemprego, injustiça social e ainda muito mais canalhice governamental. É uma certeza irrefutável, não precisam de consultar os videntes.

 Não necessitamos de fazer apelo aos búzios para afirmar que iremos continuar a privatizar e depois dos aviões será a vez dos nossos sonhos. Não desesperem.

 Qualquer bola de cristal, mesmo da Marinha Grande, deixa-nos ver os portugueses a emigrar cada vez mais e eu, mesmo sem bola, antevejo mais compatriotas a saírem para tomarem o lugar dos que na década de sessenta também fugiram à fome.
O governo dará mãos livres ao patronato para despedir ainda mais para assim reduzir o número de desempregados. O crescimento económico será negativo, é um oximoro, crescer para trás, mas os malabaristas da linguagem têm destes truques. Entretanto não haverá crise para os Bancos e os Jet7 vão continuar a sugar os Jet/zero, mais conhecidos por Zé-povinho.
A nível internacional, assistiremos à continuação do genocídio na Palestina, ao massacre do povo sírio e ao esboroar do estado social onde quer que o imperialismo dite as suas regras.
 Os povos vão intensificar as lutas pelos seus direitos e as suas "democracias" irão intensificar a repressão.

 Se tudo isto não acontecer emigro para Marte ou qualquer outra parte.

A luta continua!

domingo, 23 de dezembro de 2012

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER!


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

ARY DOS SANTOS


FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO DE 2013 A TODOS OS SEGUIDORES DESTE MEU BLOGUE.

Um Presidente que não conta.


É um tempo para pararmos um pouco, olharmos à nossa volta e reflectirmos sobre aquilo que fizemos, aquilo que deixámos de fazer, aquilo que não devíamos ter feito, aquilo que podíamos ter feito melhor", afirmou Cavaco Silva durante a sessão de apresentação de cumprimentos natalícios por parte do Governo.
Não é de crer que o homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas tenha, por uma vez, resolvido anunciar uma introspecção. De alguém que continua a tentar fazer-nos de parvos e diz que as suas palavras sobre as suas pensões foram mal interpretadas quando todos as ouvimos claramente, não podemos esperar grandes actos de contrição.
Por estas e outras não faltou gente a interpretar aquela frase como um recado ao Governo e não como uma espécie de mea culpa. No fundo, uma troca de recados: o primeiro-ministro mandou um recado a Cavaco Silva quando falou - de forma ignorante e imprudente pondo em causa a solidariedade entre gerações, essencial ao equilíbrio da comunidade - sobre "pessoas" que não descontaram o suficiente para ter as reformas de que hoje desfrutam e o Presidente da República tratou de mandar outro recado incentivando Passos Coelho a reflectir. Digamos que estamos bem entregues quando, num momento como o que passamos, Presidente e primeiro-ministro se divertem a mandar recados um ao outro.
É provável que a santíssima trindade composta por Passos, Gaspar e Relvas, essa entidade una e indivisível, não tenha consciência do mal que está a fazer ao País e da catástrofe que está a semear. O Presidente da República também ainda não percebeu que está a ser conivente por acções ou omissões da dita trindade, e que os cidadãos entendem que ele é parte integrante da equipa que está a destruir a classe média, a condenar gente, sobretudo de meia-idade (que não mais vai conseguir arranjar emprego) à miséria e a fazer regredir social e economicamente o País muitas dezenas de anos.
Não, não foram apenas as suas infelicíssimas declarações sobre as suas pensões, não foi aquele inominável discurso em que ofendeu tudo e todos aquando da sua vitória eleitoral, não foi o episódio das escutas (que em qualquer país civilizado teria levado à demissão do Governo ou do Presidente da República) que faz com que Cavaco Silva seja o Presidente da República mais impopular da história da democracia. Não é em vão que sondagem após sondagem Cavaco Silva reúna mais opiniões desfavoráveis que Seguro, Paulo Portas ou até do duo dinâmico Martins/Semedo - só mesmo Passos Coelho é mais impopular que ele. Nada disto surpreende: além de o sentirem colaborar com o Governo, os portugueses não conseguem perceber a sua importância. Cavaco Silva conseguiu tornar o cargo de Presidente da República irrelevante.
PEDRO MARQUES LOPES -  DN

domingo, 2 de dezembro de 2012

Movimento 1º Dezembro inicia recolha de assinaturas para restauração do feriado.


Ontem foi  a última vez que se assinalou oficialmente o feriado de 01 de  Dezembro, na sequência da decisão do Governo de acabar com dois feriados  civis - os que se comemoram a 01 de Dezembro e 05 de Outubro (implantação  da República) -- e dois católicos - Assunção de Maria 15 de Agosto  e do  Corpo de Deus (60 dias após a Páscoa) a partir de 2013 "contrariar o risco  da deterioração económica".
Por discordar desta decisão, este movimento decidiu avançar com um projecto  de lei para restaurar o feriado de 01 de Dezembro.
Nos termos da lei são necessárias 35.000 assinaturas, mas "em homenagem  aos 40 conjurados de 1640, o Movimento 1. de Dezembro planeia reunir a  assinatura de 40.000 subscritores".
No projeto de lei, os subscritores defendem a importância deste feriado  afirmando que "evoca a última vez em que, estando sob domínio estrangeiro  e tendo perdido a independência nacional, Portugal a reconquistou pelas  armas, pondo fim ao domínio dos Filipes (1580-1640) e restaurando assim  a soberania nacional independente".
"O 1. de Dezembro é, nesses termos, o próprio Dia de Portugal por natureza  das coisas, o dia que, no calendário oficial, celebra o facto sem o qual  não existiríamos como Estado, Povo e Nação independentes", lê-se no projecto  de lei.
O Movimento 1. de Dezembro foi formalizado a 11 de Julho  através de  um protocolo com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP)  e é dirigido por uma comissão coordenadora.
A comissão representativa dos cidadãos subscritores é constituída por  José Ribeiro e Castro (deputado), general José Garcia Leandro, Jorge Miranda  (constitucionalista), Jorge Rangel (presidente do Instituto Internacional  de Macau), Manuel Braga da Cruz (reitor da Universidade Católica Portuguesa),  Margarida Gonçalves Neto (médica), Matilde Sousa Franco (museóloga), Pedro  Quartin Graça (jurista e político) e Ricardo Sá Fernandes (advogado).

Mariscadores da Lagoa de Óbidos contestam interdição da apanha de bivalves.


Cerca de 150 mariscadores da Lagoa de Óbidos contestaram a decisão das autoridades marítimas em impedir a apanha de bivalves entre Outubro e Abril, por causa da poluição. O instituto responsável pela introdução da medida considera que está em causa a saúde pública.
A lei, apesar de não proibir a apanha, obriga os mariscadores a venderem o marisco apenas a unidades industriais de depuração que não existem na região.
"Já estamos habituados a parar de vez em quando. Umas vezes devido às biotoxinas (algas que causam intoxicações) outras devido à poluição e por isso achamos que as medidas devem ser tomadas após cada análise e não com resultados anteriores a Julho", disse Alberto Jacinto, vice-presidente da Associação de Pescadores e Mariscadores Amigos da Lagoa de Óbidos.
O director do Instituto da Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR), Costa Monteiro, explicou que a medida resulta da aplicação de uma directiva comunitária que obriga que "as decisões sejam tomadas depois de analisado o comportamento das espécies ao longo de um ano". "Não é possível tomar uma decisão com base em análises pontuais, temos que avaliar o comportamento ao longo do ano para defesa da saúde pública", adiantou o responsável do instituto.
Em causa está o decreto-lei de 28 de Julho deste ano que decreta a obrigatoriedade de encaminhar todas as espécies apanhadas na Lagoa de Óbidos para transformação em unidade industrial, devido à poluição causada por anos de descargas de esgotos.
A inexistência de unidades industriais na região e o facto dos centros de transformação espanhóis, que dantes compravam o marisco da lagoa já terem deixado de se abastecer com os bivalves da lagoa, leva o presidente da junta da freguesia da Foz do Arelho a dizer que esta medida causa "problemas sociais".
"É fácil decretar que durante seis meses não se pode comercializar bivalves mas são 200 famílias que ficam privadas deste rendimento, que em muitos casos é um complemento aos baixos salários destes homens", afirmou o presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, Fernando Horta.
Apesar de já existirem estações de tratamento de águas residuais nos dois concelhos mais pertos da lagoa (Caldas da Rainha e Óbidos), os mariscadores falam em sedimentos que se acumularam no fundo da lagoa por décadas de descargas a céu aberto. "Sempre que chove ou que entra mais água do mar para o seu interior (lagoa comunica com o mar através de um canal) estes sedimentos são revolvidos e contaminam as espécies", disse Alberto Jacinto.
O Instituto da Água tem há anos previstas dragagens na lagoa de Óbidos, para retirar esses sedimentos, mas até agora nunca foram concretizadas.
A apanha de bivalves representa 90 por cento da actividade piscatória da lagoa de Óbidos.

domingo, 11 de novembro de 2012

Carta a Merkel


Minha Estimada Senhora: Deixe que a cumprimente e deseje boas-vindas ao nosso país. Não vai aprender muito, pois a visita é curta, para conhecer melhor este Portugal pequenino mas belo, arruinado mas marialva.
Um país e um povo que adora a Alemanha. Se nos conhecesse pelos electrodomésticos, desde frigoríficos até à banal torradeira, saberia que talvez metade das nossas casas são alemãs. E não falo dos automóveis. Aí somos verdadeiramente alemães. Seja como for, saberá que para além dos cumprimentos formais, não vai ser calorosamente recebida.
A senhora é a culpada maior de todos os males que aconteceram a esta terra nos últimos anos. É recebida, como diz Louçã, como uma assaltante que nos rouba encabeçando uma conhecida quadrilha de especuladores. É a líder de um pacto de agressão contra o País, diz Jerónimo de Sousa, a chefe de uma quadrilha internacional que decidiu esmifrar o tutano das nossas miseráveis carteiras. Mas desde logo vai perceber a nossa natureza. Somos pedinchões e aprendemos historicamente que a culpa é sempre dos outros. O nosso maior partido da oposição já lhe pediu mais investimento, centenas de analistas sabem que são inocentes e a culpa é sua. Está no país onde para beber uma cerveja, a bebida que tão bem conhece, pedimos tremoços. À borla, claro.
O nosso Governo, certinho, bom aluno, dar-lhe-á esse encantamento: podemos morrer à fome mas pagamos. No fundo, não ligue muito ao arraial de submissões que vai receber nem à berraria que a vai ensurdecer. Somos isto há séculos. O nosso saber, democraticamente distribuído, não vai além da Cartilha Maternal de João de Deus, embora com um poderoso exército de rapazes, ainda que improdutivos, com centenas de discursos morais sobre si, os outros e o País. Temos, por tudo isto, uma boa experiência na preguiça, no ressabiamento e em declararmo-nos sempre inocentes.
Quando partir, logo se arranjará culpado mais à mão. Vá com Deus, minha senhora. E se quiser arrumar todas as catilinárias contra si, compre uns jogadores de futebol. Por uns milhões valentes. O nosso bem-estar é a alma da bola. E verá que, por aí, será ovacionada à partida. E nós voltaremos aos tremoços e à imperial, discutindo aquilo que não somos para depois, já bêbedos, chorarmos a sua partida ao som do faduncho da desgraçadinha.

F. Moita Flores - CM

sábado, 10 de novembro de 2012

10 mil crianças contra Jonet e Merkel.


Isabel Jonet tem uma obra que fala por si. Rosto do Banco Alimentar contra a Fome, que dinamizou fortemente, foi escolhida por isso mesmo para presidente da associação de instituições europeias congéneres.
Não precisa, por isso, que a defendam. As declarações que fez sobre a necessidade de empobrecermos e nos habituarmos a viver com menos podem ser entendidas como uma colagem ao discurso do primeiro-ministro ou como uma convicção própria.
Mas quando acrescenta que em Portugal não existe miséria nem fome, o caso muda de figura. Mais que ninguém, Isabel Jonet sabe do que fala. A não ser que não considere fome nem miséria o facto de 10.385 crianças deste país estarem em situação de carência alimentar, como revelou o secretário de Estado da Educação, João Casanova de Almeida - e de 5.547 dessas tomarem a primeira refeição do dia na cantina da escola.
Lavar os dentes com água da torneira ou não comer bifes porque não há poder de compra são minudências ao pé disto. Fome é fome. E há crianças com fome em Portugal. São só dez mil? Mesmo que fosse só uma: não é aceitável que num país civilizado haja crianças com fome.
Jonet merece todos os elogios pelo que tem feito na área social. Mas é justamente criticada por considerar que não há fome em Portugal. Errou. Devia reconsiderar e corrigir as suas afirmações.
Quanto a Angela Merkel, que nos visita na segunda-feira e que tem repetidamente afirmado que o ajustamento português está a correr bem, deem-lhe apenas uma folha de A4 com este valor: em Portugal há 10.385 crianças que vão para a escola com fome. E não havia há dois anos.
Pode ser que ela considere normal. Mas pode ser que, depois de ver o número, reconsidere sobre o impacto profundamente negativo que este tipo de ajustamento está a ter sobre a sociedade portuguesa.

Nicolau Santos (www.expresso.pt)

sábado, 3 de novembro de 2012

Ondas de Peniche já produzem energia elétrica.


Se pensava que Peniche só era famoso no surf, então leia com atenção: o Waveroller já está a produzir energia elétrica a partir das ondas. É uma máquina única a nível mundial e está no fundo do mar, a 900 metros da costa, perto do Baleal.
O último realtório da sobre energias renováveis publicado há poucos dias pela Direção Geral da Energia e Geologia (DGEG) não deixa margem para dúvidas. Portugal voltou a ter energia elétrica produzida a partir da força das ondas.
Há três anos já tinha havido uma experiência com o Pelamis, na Aguçadoura (Póvoa de Varzim), mas agora é o Waveroller (de origem finlandesa), que já está em teste no fundo do mar de Peniche, na zona do Baleal, a cerca de 900 metros da costa.
O Waveroller é já a segunda fase de um projeto que nasceu há cerca de dois anos, em articulação com a Eneólica (do grupo Lena) e a finlandesa AW Energy.
Ou seja, este protótipo pré-comercial surge na sequência de uma experiência anterior, a uma escala muito menor, mas que correu muito bem "e superou todas as expectativas", nota Leocádio Costa, da AW Energy.

Mais de seis milhões no fundo do mar 

Custou perto de €6,5 milhões (em grande parte financiados por programas comunitários) e pesa 600 toneladas. Tem 43 metros de comprimento, por 18 de largura e 12 de altura. Mais de 50% desta estrutura submarina terá incorporação nacional.
Está desde agosto colocado no fundo do mar, onde as suas pás gigantes vão oscilando com a força das ondas que lhe passam por cima. Com esse movimento é acionado um dispositivo que transforma a energia das ondas em energia elétrica. Essa energia é depois enviada para a costa por um cabo submarino, onde é recebida por um transformador que depois a injeta na rede.