Mostrar mensagens com a etiqueta Piegas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Piegas. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Na vida real não há tempo para pieguices!


Os pedidos de Passos Coelho aos portugueses – “mais exigentes”, “menos complacentes” e “menos piegas” – só reforçam a sobranceria com que os governantes portugueses, à imagem dos europeus, olham a crise. Uma sobranceria que agrava o fosso entre dirigentes e dirigidos (cada vez mais insultados) e que se manifesta de diferentes formas de capital em capital, mas com uma característica comum: a dissociação da vida real. Na UE insistem nas ameaças para impor mais austeridade na Grécia, achando que as notícias que falam de um quase colapso social patrocinado por Bruxelas, Paris e Berlim são exageradas – isto apesar do ódio a estas capitais ser já comum em Atenas. Voltemos a Passos e ao autismo perante a vida real.
Quer portugueses “menos piegas”. Ok, mas uma dúvida: os piegas são os estudantes que desde este mês pagam mais 58% pelo passe? Ou serão os alunos do escalão A da acção social (menos de 209 euros por mês), que passaram a pagar mais 5% a 21%? Ou os portugueses com menos de 700 euros por mês que pagam 23% de IVA na electricidade? Ou os 2,7 milhões de pobres que o Eurostat diz que temos? Fica a dúvida. “Menos complacentes.” Bem dito e a ironia é deliciosa: temos de ser menos complacentes com os que acham que a austeridade se faz à custa dos mais fracos e com a pobreza a que condenaram o país. Mas tal não implica apontar o dedo a quem nos quer menos complacentes? Temos também de ser “mais exigentes”. Certo, sobretudo com quem nos lidera e com os que têm um CV pouco exigente, demasiado complacente e alimentado de pieguices.

Porque na vida real ninguém enche o CV com lugares dourados caídos do céu nem tão-pouco consegue chegar a algum lado a trabalhar apenas nas férias de actividades políticas. Imagine que o seu CV era professor durante um ano aos 19, depois outro emprego só aos 25 anos, e durante dois anos. Por fim contava com nova experiência profissional só aos 36 anos. Acha que este CV ia valer-lhe a entrada directa em dezenas de administrações? Talvez não. Porém, e para quem nos lidera, este percurso é normal, ao alcance de todos de tão fácil que foi, daí não existirem razões para que os portugueses tanto se queixem. É tudo muito fácil quando se vive no País das Maravilhas...

Filipe Paiva Cardoso, Jornal I

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Somos mesmo piegas?


Na escola onde deu aulas (acusada há pouco de inflacionar notas para benefício dos seus formandos), Passos Coelho pôs-se a tartamudear sobre alunos e ensino, lembrando-se às tantas de excomungar os “piegas”. A lengalenga da exigência, com uma pitada de brutalidade darwinista. Nada de novo, portanto. A criatura, que de Sócrates só herdou a boçalidade, continua sem cabecinha nem assessores para lhe assinalar quando reprimir os disparates que lhe assomam às meninges. Mas ignora o que seja um símile ou uma metáfora.

Mesmo assim, a nação acusou logo o dói-dói: “Passos pede aos portugueses para serem ‘menos piegas’”, titulou o site do nosso jornal de referência mais espesso. E lá veio a costumeira maré de queixumes, choraminguices, ranger de dentes e rasgar de vestes. Ai que ele nos chamou “piegas”!

Não. Não chamou. Mas devia ter chamado. Quem se ofende tanto com as bocas de um zero à esquerda admite que vale menos que nada. Afinal falamos de uma nódoa académica, licenciada (na Lusíada) tarde e a más horas, mas a tempo de arredondar o CV. De um cromo que deu aulas de Matemática liceal durante um ano, sem ter concluído o curso – em dias de nula exigência, presumo. Um fulano que depois disso viveu abrigado sob a asa do partido e do padrinho Ângelo. Eis o perfil de quem agora nos incita a “não termos pena dos alunos coitadinhos que sofrem tanto para aprender”.

Repito: quem se deixa ofender por este títere oco, insensível e vaidoso está apenas a ofender-se a si mesmo.

Luís Rainha, Jornal I