domingo, 28 de julho de 2013

Respeitáveis cidadãos e veneráveis imbecis!




Por entre a bruma política e futebolística, a notícia mais importante não abriu noticiários ou fez manchetes: neste ano lectivo, nos exames nacionais do secundário, bateram-se todos os recordes negativos.
Em Matemática não damos uma para a caixa, em Português ganhámos aversão à língua. Colectivamente, a força motriz que fará o nosso futuro conseguiu distinguir-se de todas as outras desde que há exames nacionais.
Tenho falado do assunto. A culpa não está na simplista ideia de que os portugueses sofrem de uma espécie de evolucionismo ao contrário – é uma análise perigosa e contraditória com outros números que nunca foram tão bons. Uma longa conversa onde teríamos que falar do empobrecimento da comunicação, da desagregação das famílias, da ausência de disciplina e responsabilização individual dos alunos, da falta de qualidade de um número substancial de professores e dos incompetentes programas. Programas que, nomeadamente no estudo da língua portuguesa, trocam uma grande aventura por um exercício burocrático que prefere a leitura cega da gramática à fundamental viagem pelos livros que nos ajudaram a ser estes e não outros.
Enquanto um miúdo inglês, até ao 9.º ano, já conhece no essencial, Shakespeare, Poe, Dickens, Wilde, Melville, Hemingway ou Virgínia Woolf, os meus filhos e os seus, conseguiram passar pelos Lusíadas e, mesmo assim, na maioria dos casos, sem dizer nada acerca do fio invisível que faz de Camões um dos arquitectos da alma portuguesa. Da grande epopeia especula-se de raspão, mas das oitavas decassílabas, subordinadas ao ritmo fixo x ou y, mergulha-se até à náusea. Interessa-nos, como sempre nos interessou, a massa bruta, a grande obra, aquilo que nos faz parecer sábios aos olhos de papalvos. Nunca nos interessa, ou pelos menos raramente nos comove, a procura da simplicidade, da grande ideia, do que nos fica no coração depois de tudo se ter esquecido.
Importante é ficar bem na fotografia. Estar confortável nos salões de chá onde parecemos aos outros mais qualificados na argamassa, na linguagem codificada, na objectividade, nas convenções. Os pobres diabos que fogem disso são vistos como líricos, utópicos ou mesmo dementes. Más companhias e péssimas influências. Cromos poéticos, perigosos delirantes.
Exagero um pouco, infelizmente só um pouco.
O jornalista para ganhar estatuto precisa de chegar a director ou ser comentador. Numa redacção, quando algum miúdo se destaca, é logo hipótese para um qualquer cargo de editor, de chefe disto e daquilo.
Na medicina, os mais talentosos, são pressionados para liderar equipas, fazer investigação e doutoramentos em universidades americanas ou europeias, nada contra. No entanto, quando algum mostra vontade de voltar a ver doentes, de os acompanhar e curar, há sempre quem diga ser uma loucura pois atira para o lixo a oportunidade de uma vida.
Na política, as juventudes partidárias formam miúdos para serem pessoas partidas e não inteiras. Antes eram cegos de ideologia, o que me parecia mal mas, ainda assim, incomparável com esta cegueira de si próprios. Não seguem cada um por uma estrada própria, formando opiniões, dúvidas, novas perguntas e respostas que destroem e reformulam a cada momento – a sua estrada está definida e, os que se destacam, seguem-na sem atropelos: fazem-se notar com arremedos de criatividade e rebeldia controlada, sabem quem são os aliados, licenciam-se custe o que custar e estão disponíveis para o que vier.
Nas faculdades, sobretudo nos cursos científicos, como Biologia, os nossos melhores (doutorados nas melhores universidades do mundo) não têm lugar como professores pois os lugares estão ocupados por outros que, apesar de profundamente desactualizados, formam alunos que, no final da licenciatura, estão atrasados em relação aos colegas ingleses, franceses, italianos, espanhóis ou italianos. Escolho a Biologia por ser um exemplo flagrante onde se evoluiu mais nos últimos vinte anos do que em toda a sua história.
Licenciar-se, custe o que custar. Parece contraditório com o que disse antes, mas apenas aparentemente. Portugal tem a mais alta percentagem de licenciados e doutorados a ocupar cargos políticos, é um facto. Não são permitidas excepções. A licenciatura transformou-se não numa opção para melhor mergulhar no conhecimento, mas numa opção de sobrevivência. O que ouvimos, mesmo entre os pais, não é da necessidade de se conhecer mais, de se saber mais, de se atingir a sabedoria. O que ouvimos é o mais cortante, e menos poético, «o meu filho precisa do canudo».
Como escrevi numa mensagem para amigos «ser chamado de doutor é hoje mais uma forma de igualização do que de distinção. Nas empresas, escolas, banca, ONG’s, política ou televisão, a maioria das pessoas é o título e só depois o nome. Doutor isto, engenheiro aquilo e uma consequência: o que era status transformou-se num estigma que confunde respeitáveis cidadãos com veneráveis imbecis. Estou certo que, num futuro não muito distante, importantes serão os que forem reconhecidos pelo seu nome e essência».

Oxalá.


Luís Osório - Sol

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Eleições viciadas.



O sistema eleitoral autárquico permite candidaturas independentes, mas sem lhes conceder as mesmas condições que dá aos partidos políticos. No processo eleitoral que se avizinha, os independentes partem com uma enorme desvantagem.
Desde logo, porque não dispõem dos meios financeiros ilimitados a que os partidos com assento parlamentar têm acesso. Estes canalizam para o processo eleitoral autárquico alguns dos muitos milhões de subvenções que recebem do estado. As condições financeiras são desiguais. E, para agravar esta situação, os partidos têm isenções fiscais, não pagam IVA, enquanto os independentes a isso estão obrigados. Por absurdo, são os candidatos com menos recursos que pagam mais impostos.
Mas o que é ainda mais grave é que não são garantidas condições mínimas de igualdade no acesso aos cidadãos para a transmissão da mensagem eleitoral.
Os partidos do regime beneficiam de doses maciças de propaganda através das televisões e de outros órgãos de comunicação nacionais. Daqui até às eleições, os debates irão suceder-se nos vários canais, com os representantes partidários a defenderem os seus candidatos. Os portugueses irão ser bombardeados com programas em que os candidatos dos partidos do regime serão propagandeados, enquanto os independentes serão esquecidos. Quando o tema em debate for ligado ao processo eleitoral, a campanha será explícita. E mesmo quando se discuta política nacional, as eleições locais estarão presentes, ainda que implicitamente. Como se irão tirar ilações de carácter nacional a partir dos resultados locais, a política governamental e parlamentar estará sempre contaminada pela campanha eleitoral autárquica.
Com a democracia portuguesa diminuída, o processo autárquico está refém de uma partidocracia dominante. Exige-se agora uma atitude corajosa da Comissão Nacional de Eleições, a par de uma desejável autorregulação por parte dos órgãos de comunicação social. A nível local, devem ser proporcionados meios de acesso ao eleitorado equitativos, para partidos e candidaturas independentes. E, sobretudo, devem impedir-se as lavagens de cérebro que os comentadores de serviço dos partidos irão tentar impingir através das televisões.
Paulo Morais - CM

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Está a acontecer. Já se apercebeu?


Está a acontecer. Aquilo que nem nos passava pela cabeça que pudesse acontecer está mesmo a acontecer. Está a acontecer cada vez com mais regularidade as farmácias não terem os medicamentos de que precisamos. Está a acontecer que nos hospitais há racionamento) de fármacos e uma utilização cada vez mais limitada dos equipamentos. Está a acontecer que muitos produtos que comprávamos nos supermercados desapareceram e já não se encontram em nenhuma prateleira. Está a acontecer que a reparação de um carro, que necessita de um farol ou de uma peça, tem agora de esperar uma ou duas semanas porque o material tem de ser importado do exterior. Está a acontecer que as estradas e as ruas abrem buracos com regularidade, que ou ficam assim durante longos meses ou são reparados de forma atamancada, voltando rapidamente a reabrir. Está a acontecer que a iluminação pública é mais reduzida, que mais e mais lojas dos centros comerciais são entaipadas e desaparecem misteriosamente. Está a acontecer que nas livrarias há menos títulos novos e que as lojas de música se volatilizaram completamente. Está a acontecer que nos bares e restaurantes há agora vagas com fartura, que os cinemas funcionam a meio gás, que os teatros vivem no terror da falta de público. Está tudo isto a acontecer e nós, como o sapo colocado em água fria que vai aquecendo lentamente até ferver, não vemos o perigo, vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida colectiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação.
Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espectáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país.
E morre porque era esta classe média que mais consumia — e que mais estimulava — os produtos culturais nacionais, da literatura à dança, dos jornais às revistas, da música a outro tipo de espectáculos e de manifestações culturais. É por isso que a cultura está a morrer neste país, juntamente com a economia. E se a economia pode ainda recuperar lentamente, já a cultura que desaparece não volta mais. Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe.
Durante a II Guerra Mundial, quando o esforço militar consumia todos os recursos das ilhas britânicas, foi sugerido ao primeiro-ministro Winston Churchill que cortasse nas verbas da cultura. O homem que conduziu a Inglaterra à vitória sobre a Alemanha recusou perentoriamente. “Se cortamos na cultura, estamos a fazer esta guerra para qué?” Mutatis mutandis, a mesma pergunta poderíamos fazer hoje: se retiramos todas as verbas para a cultura, estamos a fazer este ajustamento em nome de quê? Mas esta, claro, é uma questão que nunca se colocará às brilhantes cabeças que nos governam.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Aos meus amigos fora da Turquia.



Estou a escrever para vos fazer saber o que se passou em Istambul nestes últimos 5 dias. Estou a escrever pessoalmente porque muitos dos meios de comunicação foram bloqueados pelo governo e o "passa a palavra" e a internet são as únicas formas que restam para nos explicarmos e gritar por apoio e ajuda.

Na ultima semana de Maio de 2013 um grupo de pessoas cuja maioria não pertencia a nenhuma organização ou ideologia especifica, juntaram-se no Parque Gezi em Istambul. Entre eles estavam amigos meus e estudantes de yoga. A razão era simples : Protestar e impedir a demolição do parque para a construção de mais um centro comercial no centro da cidade. Existem inúmeros centros comerciais em Istambul, e pelo menos um em cada bairro. A destruição destas árvores deveria começar quinta feira de manhã. As pessoas reuniram-se com cobertores livros e crianças. Montaram tendas e pernoitaram no meio das árvores. De manhã quando os bulldozers começaram a arrancar árvores com centenas de anos do chão, eles enfrentaram-nos e impediram a operação.

Não fizeram mais nada que colocarem-se em frente às maquinas.

Não existiu um jornal ou uma televisão que tivesse noticiado o sucedido.Tiveram um black-out informativo completo.

Mas a policia chegou com canhões de agua e gás pimenta. E expulsaram as pessoas para fora do parque.

Ao serão do dia 31 de Maio o numero de manifestantes multiplicou-se. O numero de policias à volta do parque também. Entretanto o governo local de Istambul fechou todos os caminhos à Praça Taskim onde o parque está situado. O metro foi fechado, a circulação de comboios foi cancelada, e as estradas bloqueadas.

Contudo mais e mais pessoas conseguiam chegar ao centro da cidade a pé.

Vieram de todos os locais de Istambul. Diferentes passados, diferentes ideologias, diferentes religiões. Juntaram-se para impedir a destruição de algo maior que o parque:

O direito a sermos cidadãos honrados neste país.

Juntaram-se e permaneceram sentados no parque. A policia de choque, durante um ataque a meio da noite, pegou fogo às tendas, e atacou o manifestantes com gás lacrimogéneo e jactos de agua. Dois jovens atropelados por tanques morreram. Outra rapariga, uma amiga minha, foi atingida na cabeça com uma lata de gás que foi disparada. A policia disparava directamente contra a multidão. Após três horas de operação continua nos cuidados intensivos numa situação muito crítica. Enquanto escrevo isto, ainda não sei se sobreviverá. Este blog è dedicado a ela.

Estas pessoas são amigos meus, estudantes meus, familiares meus. Não têm qualquer agenda secreta como o Estado diz. A agenda do Estado, è a que se vê. È muito clara. O país inteiro está a ser vendido a corporações pelo governo, para a construção de centros comerciais, condomínios de luxo, auto-estradas, barragens e centrais nucleares. O nosso governo está a procurar (e a criar quando necessário), qualquer desculpa para atacar a Síria contra a vontade do povo turco.

Como se isso não bastasse, ultimamente o controlo do governo sobre a vida pessoal dos cidadão está a ser intolerável. O Estado, segundo a sua agenda conservadora aprovou legislação em relação ao aborto, nascimento por cesariana, venda e consumo de álcool, e inclusive sobre a cor de bâton  usado por hospedeiras de bordo.

As pessoas que marcham no centro de Istambul exigem uma vida livre, justiça, protecção e respeito do Estado. Exigem serem ouvidos nos processos de decisão acerca da cidade onde vivem.

O que recebemos em troca foi força bruta e gás disparado contra nós. Três pessoas perderam a vista.

Mas continuam a marchar. Centenas e milhares de toda a espécie juntaram-se a eles. Dois mil atravessando a ponte Bosporus a pé para se juntarem às pessoas em Taskim. Foram recebidos com mais canhões de agua, mais gás pimenta, mais hostilidade. Quatro morreram, milhares foram feridos.

Nenhum telejornal ou canal de televisão noticiou estes acontecimentos. Em vez disso, transmitiam noticias sobre a Miss Turquia ou o "gato mais perigoso do mundo".

A policia continuou a perseguir e a gasear as pessoas a um ponto que gatos e cães vadios chegaram a morrer envenenados.

Escolas, Hospitais e mesmo hoteis de 5 estrelas abriram as portas para acolher feridos. Alguns policias recusaram participar nas agressões e demitiram-se. À volta da praça a policia colocou antenas para bloquear os sinais 3G. Residentes e donos de lojas na zona providenciaram internet e wireless gratuitamente para as ruas. Restaurantes ofereciam e distribuíam comida e água.

Em Izmir e Ancara reuniam-se pessoas nas ruas em apoio às de Istambul. A manifestações começavam a espalhar-se a outras cidades, onde cidadãos iam sendo tratados com brutalidade e hostilidade pela policia. Centenas de milhares juntaram-se.

Os media, continuavam a transmitir a Miss Turquia e o "gato mais perigoso do mundo".

***

Estou a escrever isto para que saibam o que se passa em Istambul. A comunicação social não diz nada disto. Pelo menos no meu país. Por favor postem todos os artigos que encontrarem e virem na internet e espalhem pelo mundo.

Eu não pertenço a qualquer partido politico. Eu não acredito na politica. Não defendo qualquer ideologia nem estou ao lado de qualquer regime. Como muitos na Turquia, estou cansada e frustrada da polarização entre o secular Kemalismo e o Islamismo. Não pertenço a qualquer deles. Eu acredito no afastamento desta polarização em caminho de encontrarmos novas formas de relacionamento. Eu sei que muitas das pessoas que se manifestam nas ruas de Istambul partilham esta ideia e acho que não somos os únicos. Apenas queremos viver as nossas vidas com dignidade.

Enquanto postava artigos que explicavam o que se estava a passar em Istambul no meu Facebook, alguém me perguntou:

"Que esperas conseguir por queixar-te acerca do teu país a estrangeiros ?"

Este blog è a minha resposta.

Por "queixar-me" a estrangeiros acerca do meu país espero o seguinte:

Liberdade de expressão e de opinião,

Respeito pelos direitos humanos,

Controlo sobre as decisões que dizem respeito ao meu corpo,

O direito de me aglomerar a outro em qualquer parte de cidade sem me chamarem terrorista.

Mas principalmente ao espalhar tudo isto, a vocês, meus amigos, que vivem noutras partes do mundo, espero conseguir a vossa consciência, apoio e ajuda.

Por favor espalhem este blog.

Obrigada "

O original pode ser encontrado aqui:
http://defnesumanblogs.com/

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prémios Neurociências criados pela Santa Casa apresentados no Mosteiro dos Jerónimos.




O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Pedro Santana Lopes, o neurocirurgião João Lobo Antunes e o cientista Alexandre Quintanilha apresentam, no dia 29 de maio (quarta feira), no Mosteiro dos Jerónimos, a primeira edição dos Prémios Santa Casa Neurociências. São os maiores prémios atribuídos na área da investigação médica e científica em Portugal, no valor de 400 mil euros distribuídos em dois galardões: o Prémio Melo e Castro para a recuperação e tratamento de lesões vertebro-medulares; e o Prémio Mantero Belard, para o tratamento das doenças associadas ao envelhecimento, como a Doença de Parkinson e de Alzheimer.

O neurologista António Damásio está também associado à promoção destes Prémios, através dos quais a Santa Casa pretende investir e contribuir para a investigação científica, num contexto de grave crise.

A iniciativa conta ainda com o apoio das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, bem como de várias sociedades médicas nacionais.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Carta a Jorge Jesus.




Caro Jorge Jesus, muitos parabéns pelo grande jogo que ontem o Benfica fez.
Muitos parabéns pela forma desassombrada, corajosa, intensa e vibrante como ontem o Benfica jogou. Assim, sim, assim o Benfica é grande, mesmo quando perde.
Ontem, talvez pela primeira vez em toda a minha vida, senti que Portugal inteiro se orgulhou do Benfica. Mesmo os nossos adversários, portistas e sportinguistas, admiraram o nosso fantástico jogo, e o nosso maravilhoso público em Amesterdão, e mesmo eles sentiram a crueldade que foi perder assim.
A derrota custa, custa muito, mas caro Jorge Jesus, não deixes que esta derrota ensombre o quanto fizeste este ano e a grande temporada que o Benfica fez. 
Jamais me vou esquecer de muitos momentos bons deste ano. Das vitórias em Leverkusen e Bordéus, da forma magnífica como jogámos em Nou Camp, Newcastle ou nesta final; das excelentes vitórias nacionais em campos tão difíceis como Alvalade, Braga, Madeira e Paços de Ferreira.
E, sobretudo, jamais me vou esquecer daquele que foi o melhor jogo da época que o Benfica fez, na Luz, contra o Fenerbahçe, na meia-final.
Além disso, também não me vou esquecer do que diziam da equipa no início do ano, quando tínhamos acabado de vender Witsel e Javi Garcia e não havia meio-campo, pois Aimar e Martins estavam fora de combate. Ou quando diziam que não tínhamos defesa, pois Luisão estava castigado para meses e supostamente não havia lateral esquerdo.
Ainda te lembras do que disseram de ti? Pois, meu caro Jesus, a ti se deve a grande construção desta equipa. A invenção de um meio-campo excelente, com Matic e Enzo Pérez; o nascimento de um jovem lateral chamado Melgarejo; a afirmação de um grande avançado chamado Lima; e ainda uma aposta em jovens portugueses, os dois Andrés.
Quem fez tudo isto em apenas um ano, e conseguiu tanta coisa boa e bonita para alegrar os nossos corações, não pode pensar em desistir só porque perdeu dois jogos nos descontos. 
Os grandes homens não são os que estão sempre no topo, lá no alto, mas sim aqueles que sabem que vão cair muitas vezes e que se vão tornar a levantar do chão muitas vezes mais, e recomeçar tudo outra vez. 
A história não acaba aqui, a vida não acaba hoje nem amanhã, e no Domingo ainda temos de lutar por um milagre. 
Sim, um dia vai acontecer um milagre ao Benfica. Ninguém sabe quando, mas um dia a famosa maldição de Bela Gutman também vai acabar. Ontem não foi esse dia, mas ele vai chegar.
Sabemos todos, desde crianças, que todas as maldições acabam com a chegada de um Príncipe Encantado. Quem sabe se um dia não serás tu?

Domingos Amaral

domingo, 5 de maio de 2013

Selecção dos Mediadores dos Jogos Sociais do Estado.



  • Lisboa, 02 de Maio 2013: Foi hoje publicado em dois jornais de circulação nacional o Comunicado do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (DJSCML), que torna públicos os critérios, regras e procedimentos, para selecção dos Mediadores dos Jogos Santa Casa.

    Mantendo o rigor e transparência que sempre pautaram esta actividade, pretendeu-se simplificar procedimentos, nos termos do nº 5 do artigo 2º do Regulamento dos Mediadores dos Jogos Sociais do estado, aprovado pela Portaria nº 313/2004 de 23 de março, e alterado pelas Portarias nºs 216/2012 de 18 de Junho e 112/2013, de 21 de Março.
    Este Comunicado, que revoga o anterior Comunicado para selecção de mediadores dos Jogos Sociais do Estado de 24 de Janeiro de 2009, vem determinar que os mediadores dos jogos sociais do Estado passam a ser seleccionados nos termos exatos do referido Comunicado, não sendo consideradas quaisquer candidaturas que não cumpram os critérios, regras e procedimentos nele estabelecidos.

    Adequando os novos critérios e procedimentos à realidade actual  o início de um procedimento com vista à selecção de mediadores passa a ser publicitado no endereço electrónico www.jogossantacasa.pt, com indicação da respectiva zona de interesse comercial e do prazo para os interessados apresentarem a sua candidatura.
     As candidaturas que cumpram os requisitos estabelecidos serão avaliadas pelo DJSCML de acordo com elementos referentes ao respectivo estabelecimento comercial, tais como localização, período de funcionamento, acessibilidades, segurança, etc.

    Consulte aqui os novos Critérios, Regras e Procedimentos de Seleção de Mediadores., hoje tornados públicos, que entram em vigor no dia 31 de Maio de 2013.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Santa Casa alerta apostadores para fraude nas "Raspadinhas".



Jogos parecidos e ilegais detetados pela Santa Casa, que já participou o caso às autoridades.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa alerta os apostadores para uma fraude com bilhetes de jogo semelhantes aos da "Raspadinha". A informação surge num comunicado, no qual a Santa Casa refere que tem vindo a "detetar novas formas de jogo ilegal", das quais destaca imitações da conhecida "Raspadinha", oficialmente designada como "Lotaria Instantânea", ilegalidades que estão a ser investigadas pelas "autoridades policiais".

De acordo com o comunicado da Santa Casa, têm surgido "bilhetes de jogo cujas características são semelhantes aos da Lotaria Instantânea, conhecida popularmente por Raspadinha e cuja exploração - à semelhança dos restantes Jogos Sociais do Estado - está confiada em exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa".

Mas num anúncio, esta segunda-feira, no JN, a Santa Casa é mais clara e fala mesmo em "alerta". Neste sentido, o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa "alerta todos os cidadãos para os riscos em que incorrem ao participarem neste tipo de jogo ilegal, tais como o de burla e fraude, e também para o facto de tal participação constituir uma contraordenação".
E a Santa Casa esclarece que essas irregularidades foram detetadas pelo Departamento de Jogos, "em colaboração com as autoridades policiais competentes".

O alerta surgiu na passada sexta-feira, dia em que foi publicada um novo diploma legal relativamente à Raspadinha. Trata-se da Portaria nº 148/2013, que, segundo a Santa Casa, vem "reforçar a segurança dos apostadores e dos mediadores no momento da aquisição de bilhetes da Lotaria Instantânea".

A instituição salienta que os bilhetes só podem ser vendidos "através dos mediadores dos Jogos Sociais do Estado, que estão devidamente identificados".

Só valem em bom estado

É nestes termos e com este enquadramento jurídico que os vencedores das raspadinhas "só terão direito ao prémio se não forem rasgados, mutilados, deteriorados, alterados ou estiverem legíveis e se mantiverem intacta a zona 'Não raspar'". Da mesma forma, salienta a Santa Casa da Misericórdia, o código de barras deve ser mantido intacto. A nova legislação já está em vigor.

CARLOS VARELA - JN

quinta-feira, 28 de março de 2013

O homem está em grande forma!



Notoriamente, os dois jornalistas destacados para entrevistar José Sócrates estavam impreparados, ou não tomaram em consideração a aptidão dialéctica do ex-primeiro-ministro, ou, pior, não estavam ali para esclarecer, sim, acaso, para baralhar e entrar em chicana, colocando-se como protagonistas, quando deviam ser mediadores. Chegou a ser pungente a evidência com que o entrevistado repôs a natureza dos factos, perante a turva propriedade das enunciações. O esclarecimento das manobras e das conspiratas com origem em Belém, e as inclinações ideológicas do dr. Cavaco, que põem em causa a sua tão apregoada "independência", foram pontos fulcrais da entrevista. Ficou-se a saber o que se suspeitava: o manobrismo unilateral de quem começa a ser cúmplice consciente do desastre para que nos encaminham. Um a um, ponto a ponto, Sócrates rebateu as alegações de "desincorporação" que ambos os jornalistas se aplicavam em expor, recorrendo às instâncias que estabeleciam as relações marcantes na época. Aí, a sua intervenção foi arrasadora. Claro que Sócrates e o seu governo não podem ser responsáveis de todas as malfeitorias, apesar das estruturas de contra-informação utilizadas, da negligência propositada de alguma comunicação social, e que ele denunciou com denodo. A entrevista foi extremamente interessante porque o reconhecido talento de José Sócrates voltou a impor-se em grande estilo. Ficámos esclarecidos? Não; porque os entrevistadores, além das deficiências apontadas, foram intimidados pelo "animal feroz". O homem está em grande forma.

BAPTISTA-BASTOS - DN

segunda-feira, 11 de março de 2013

O que devemos aos reformados.


É provável que o Tribunal Constitucional decrete a inconstitucionalidade da sobretaxa de 3,5% aos reformados, tratados por este governo como cidadãos de segunda – provavelmente fazendo parte desse contingente de “instalados” que trava a ascensão dos jovens de que recentemente falava Miguel Relvas. Se é impossível negar a existência da inversão da pirâmide demográfica (e uma reforma da Segurança Social deveria sempre discutir a existência de tectos máximos, rejeitando reclamações patéticas do estilo do movimentos dos banqueiros reformados e etc.), obrigar um pensionista com mais de 1350 euros mensais a pagar a crise com uma sobretaxa é um atentado social e institui, de facto, uma desigualdade geracional. Tratar os reformados como cidadãos de segunda é tentar fazer recair sobre uma geração que nasceu numa ditadura, que não teve qualquer acesso ao Estado social até à idade adulta, que em alguns casos viveu o racionamento da Segunda Guerra, penou na guerra colonial e teve os seus direitos civis amputados até ao 25 de Abril de 1974, uma “culpa” de se ter transformado, na meia- -idade, sabe Deus como, numa geração de “privilegiados”.
Não dispondo de qualquer hipótese de criar emprego – é a própria receita recessiva da troika e as políticas europeias que o impedem – o governo entretém-se na propaganda infeliz de colocar as gerações umas contra as outras, como se a situação fosse definível pela existência de “culpados” e “vítimas”. A utilização política do gap geracional é tanto mais obscena quanto a geração dos reformados fez o que lhe foi possível para entregar às novas gerações um país muito melhor do que aquele que existia quando começou a trabalhar e a pagar impostos. Se o Tribunal Constitucional declarar impossível à luz da Constituição portuguesa a divisão entre velhos e novos presta um bom serviço à coesão nacional.
Afinal, não foi a esmagadora maioria dos agora atingidos que criou os regimes excepcionais de reformados de cargos públicos – que na sua origem foram criados para evitar que um titular de cargo público passasse à situação de desemprego quando o mandato expirasse, mas serviu de pasto para um sistema insustentável moral e financeiramente. A participação maciça de pessoas mais velhas na manifestação “Que se lixe a troika” é um sintoma expressivo de que o combate ao governo tem nos reformados um dos seus principais suportes. Afinal, o governo também se encarrega de os combater.
Ana Sá Lopes - Ionline.

domingo, 10 de março de 2013

Prémio de 51,6 milhões do Euromilhões foi registado na Póvoa de Varzim.



Há mais um "excêntrico" em Portugal. O primeiro prémio do Euromilhões, no valor de mais de 51,6 milhões de euros, foi registado no Café Aroma Vivo, no Largo das Dores, Póvoa de Varzim. Luciana Ribeiro não sabe quem foi o totalista, mas, na montra, havia já um letreiro: "Saiu aqui o 1.o Prémio do Euromilhões".
"Estamos numa zona de passagem. Vem aqui muita gente que nem sequer é da Póvoa. Estamos próximos do tribunal e em frente ao hospital. É impossível saber quem foi", explica a proprietária. Ao final da tarde deste sábado, o totalista não se tinha ainda "denunciado".
No pequeno café, Luciana Ribeiro faz centenas de registos por semana de Euromilhões, Totobola e Totoloto. Por questões de proteção de dados, não há nomes, moradas ou telefones. Por isso, só se o novo euromilionário disser é que se ficará a saber a quem saiu o prémio e, "muitas vezes, as pessoas até nem ligam logo aos números". "Se calhar amanhã [hoje], quando lerem os jornais, é que se vão dar conta." Luciana soube, logo de manhã, que o boletim foi lá registado.
"Ligaram-me da Santa Casa a dizer e a dar instruções sobre o que fazer caso o totalista cá viesse", conta a proprietária do "Aroma Vivo", acrescentando que o totalista deverá dirigir-se diretamente ao departamento de Jogos da Santa Casa, a fim de reclamar o prémio.
No "Aroma Vivo", em quatro anos sob a gestão de Luciana Ribeiro e do companheiro, Sérgio Regado, nunca ali saiu nenhum prémio do Euromilhões, embora já tenham saído pequenos e médios totolotos, totobolas e raspadinhas, mas nunca acima de cinco mil euros.
Ontem o Euromilhões dominava as conversas. O corrupio de jornalistas e as "sessões" de fotografias faziam sorrir quem passava, curiosos sobre o vencedor.
Na zona, o último primeiro prémio do Euromilhões havia saído em 2007, em Bagunte (Vila do Conde), a um casal. Rendeu 15 milhões e foi "escolhida à sorte" pelo filho de três anos. Desta vez, a chave (3, 20, 23, 28, 42 e estrelas 8 e 11) resultou num único primeiro prémio.

JN

sábado, 9 de março de 2013

FISCO GANHA QUASE 10,5 MILHÕES NO EUROMILHÕES.

O Euromilhões deu, esta sexta-feira, quase 10,5 milhões de euros ao Fisco. É quanto vale o novo imposto, de 20%, sobre os prémios dos jogos sociais, aprovado no Orçamento de Estado para 2013. Vencedor do jackpot, deixa mais de 10 milhões ao Estado.

Um primeiro prémio, no valor de mais de 51,6 milhões euros, um segundo, superior a 580 mil euros, e cinco quartos prémios de quase seis mil euros cada, vão render ao Fisco quase 10,5 milhões de euros em impostos sobre os prémios que o Euromilhões deixou em Portugal este sábado.

O Orçamento de Estado para 2013 introduziu a possibilidade de o Fisco taxar o sonho de milhões de portugueses.

O único totalista do Euromilhões de sexta-feira, um prémio de 51689985 euros, quase 52 milhões de euros, vai receber pouco mais de 41 milhões (41351998 euros). Com a taxa de 20% em Imposto de Selo aplicada aos prémios superiores a cinco mil euros, o totalista do jackpot deste sábado deixa 10,34 milhões de euros nos cofres do Estado.

O vencedor de um segundo prémio, cujo valor era de pouco mais de 580 mil euros, vai deixar 116 mil euros ao Fisco, levando para casa cerca de 465 mil euros.

A proporção que o Fisco leva dos prémios com o Imposto de Selo, um quinto, é bem patente na análise ao quatro prémio, que saiu em sorte a cinco totalistas. O estado fica com 5921,87 euros, o equivalente a um quarto prémio. Cada apostador fica com um prémio líquido de 4736,63 euros, deixando 1185 euros ao Orçamento de Estado.

Tudo somado, o Fisco ganhou, sexta-feira, um "jackpot" de cerca de 10,46 milhões de euros, correspondente a 20%, ou uma quinta parte, do total de 52299937,64 euros que a sorte do Euromilhões destinou a apostadores portugueses.

Os apostadores dos jogos sociais da Santa Casa, entre os quais está o Euromilhões, pagam, ainda, 4,5% de Imposto de Selo aplicado ao preço da aposta no momento em que é registada. Até ao final de 2012, esse era o único imposto pago, e à cabeça. O início de 2013 trouxe o "desconto" de 20% ao total do prémio, quando este é superior a cinco mil euros.

A medida abrange, para além do Euromilhões, os prémios na Lotaria Nacional, Lotaria Instantânea, Totobola, Totogolo, Totoloto e Joker.

Santa Casa dá 400 mil à ciência.



A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai apostar na investigação na área das neurociências. O anúncio foi feito ontem pelo provedor Pedro Santana Lopes. São duas bolsas distintas, cada uma no valor de 200 mil euros, num total de 400 mil, que serão atribuídas anualmente. Uma das linhas de apoio visa o tratamento e cura de doenças degenerativas associadas ao envelhecimento como Parkinson e Alzheimer.
A outra destina- -se a financiar projetos inovadores no campo das lesões na coluna vertebral . As verbas são oriundas dos prémios não reclamados nos jogos tutelados pela Santa Casa.

"São bolsas de esperança. Mais do que premiar trabalhos já feitos, são bolsas para apoiar trabalhos de investigação que possam contribuir para a descoberta de uma cura ou para minorar as tragédias que se abatem sobre essas pessoas",sublinhou Pedro Santana Lopes ao CM". 

A iniciativa conta com o apoio das Universidades de Lisboa, Porto e do Centro de Neurociências de Coimbra. O valor de cada bolsa será distribuído, de forma faseada, ao longo de três anos. 
CM