domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio, o exemplo!


Eusébio não foi apenas um genial jogador de futebol. Quem teve o privilégio de o ver jogar sabe que não era apenas o atleta da explosão fácil, da impressionante finta em corrida, dos espectaculares remates com qualquer dos pés que punham estádios em delírio. Foi um atleta invulgar, é certo. Dos melhores de sempre. E, embora eu fosse ainda um jovem já convictamente sportinguista, não perdia a oportunidade de o ver jogar, decidindo muitas vezes por ele em vez de uma tarde passada em Alvalade. Eusébio ensinou a gerações de jovens, pelo exemplo da atitude em campo, que o trabalho é feito de esforço e de alegria. Que é exactamente a capacidade de ultrapassar os limites do sofrimento, convertendo em esforço os restos das suas fraquezas e cansaços, o passo decisivo que entrega dimensão excepcional ao valor do trabalho.
Vi o Eusébio jogar com a cabeça ligada, com os joelhos desfeitos, gemendo de dores, a ser maldosamente rasteirado. Julgo mesmo que não terá havido atleta português que tenha levado tanta sarrafada, pontapeado pelo desespero de quem não sabia defrontar tamanho talento. A bola saía de campo, era do adversário, gentilmente Eusébio ia buscá-la e entregá-la. Colidia com um antagonista, era cuidadoso e havia sempre um gesto de ajuda. E depois era a Pantera Negra. Rápido como raros, intuitivo e elegante, e de uma alegria contagiante quando celebrava os muitos e espectaculares golos que marcou por esse mundo.
Nesse país cinzento em que então vivíamos, onde a própria alegria era objecto de censura, Eusébio transformou-se no ícone de gerações. A arte de jogar futebol com entrega desmedida à sua paixão. Cobiçado por ser assim. Invejado por ser assim. Sobretudo respeitado por ser assim. Eusébio sintetiza, na sua pureza e carácter como atleta, o que de melhor Portugal pode fazer. E, para nosso desencanto, é a antítese do país que hoje somos. Os vídeos dos seus jogos deveriam ser matéria obrigatória das aulas de formação cívica. Para mostrar como o talento, o trabalho e a vontade de vencer apenas se revelam na paixão, no empenho, na alegria e na solidariedade. Esta riqueza é o somatório que fez de Eusébio um sinal da história. Parabéns pelos 70 anos, grande herói! A Pátria saúda-te!
Escrevi este artigo de opinião em 2012, quando Eusébio fez setenta anos. Não retiro uma única palavra. Apenas acrescento uma: saudade!
Francisco Moita Flores.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Mensagem de Ano Novo.


Caros Amoreirenses!

Os anos são como os rios, nascem, crescem e morrem; tumultuosos, por vezes serenos, para no final da marcha se esvanecerem. Os rios perdem-se nos oceanos, os anos morrem sós, para darem lugar a um novo ser. 

Desapareceu 2013, nasce 2014 e com este o ser humano renova sonhos e esperanças; alguns acreditam que o que nasce é sempre melhor do que foi “o morto”.

Ser positivo é acreditar que o futuro é sempre mais risonho do que foi o passado, já que o presente é uma ficção.

Ser pessimista é acreditar que o futuro é sempre pior, pela incerteza da orientação dos ventos ou pelo temor do oculto, já que o futuro é uma mancha negra que se ilumina a cada momento pelo presente.

Ser pragmático é ser sensato, é aceitar que o passado nos ilumina a cada instante para podermos ter fé no futuro.

A sociedade é a convergência forçada de uma infinidade de egos e por isso é o mal ou bem que todos constituímos.

Ser pragmático é reconhecer que há vontades que se impõem gerando consensos, orientações ou imposições.

Ser pragmático é saber quais são as nossas reais capacidades e quais são os nossos verdadeiros contributos para que o criticável deixe de o ser.

Passamos a vida a auto elogiar-nos e a apontar os defeitos de todos os outros, esquecendo-nos que a perfeição só poderá existir quando não for possível fazer comparações. O único é perfeito mas o colectivo, ainda que imperfeito, é o possível.

Prefiro o possível, já que abomino os que se dizem únicos. Por tal motivo chegou o momento de iniciar uma nova caminhada.

Neste início de ano convêm lembrar as situações difíceis vividas por muitos portugueses, como o desemprego, presente no Natal de quase todas as famílias, a emigração que “obrigou” tantas famílias a passar esta quadra separadas e a pobreza que atinge tantas pessoas e as obriga a escolhas difíceis.

Todos nós sabemos bem que muitos destes sacrifícios, muitas destas privações foram longe demais e são resultado dos erros e das más escolhas do actual governo. Não pode ser assim!

Empobrecer nunca foi a solução, este não é o país que queremos nem o país que merecemos.

Todos nós sabemos que é preciso dar a um novo rumo a Portugal. Este é o momento de iniciarmos uma nova caminhada, juntos, que não deixe ninguém para trás. Somos um povo extraordinário, afável e trabalhador. Somos capazes de fazer melhor pelo nosso país, por nós, pelos nossos filhos.
É o momento de combatermos com firmeza as desigualdades sociais que fazem apodrecer a nossa vida em comum. A nossa missão é ajudar a construir um país mais justo e parar a destruição do que foi alcançado com tanto trabalho por tantos portugueses.
Chegou o momento de construir um novo tempo que aposte na criação de riqueza e de emprego, apostando nas pessoas, investindo na educação e na inovação, apoiando o dinamismo da sociedade portuguesa.
Nós, portugueses, somos capazes de fazer melhor, aqui em Portugal ou em qualquer canto do Mundo, todos os dias os portugueses mostram que são capazes!

Vencemos no passado, venceremos no futuro!

Que 2014 seja o ano de um novo rumo para Portugal!

“Plataforma Amoreira Um Novo Rumo!”

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Mensagem de boas festas!



Estamos prestes a celebrar mais um Natal, Festa da Família e data propícia à manifestação de sentimentos de solidariedade e apelos à concórdia entre as pessoas e entre os povos.

Neste contexto, não é demais salientar a função da família que se reafirma como núcleo fundamental da nossa sociedade.
Porém, é nos tempos mais difíceis que os laços afectivos e de solidariedade se tornam imprescindíveis para atenuar situações graves de carência económica e social.
O sentimento de Natal obriga-nos a reflectir sobre as graves desigualdades que marcam a nossa sociedade. Nestes tempos de austeridade, em que os níveis de pobreza não param de aumentar, não podemos esquecer os que não têm meios para usufruir de uma vida digna, alguns não auferindo sequer os mínimos que assegurem a sua sobrevivência. Não podemos deixar de nos orientar por um objectivo de maior justiça social e de lutar para uma maior equidade na redistribuição da riqueza.
Convém, mais uma vez considerarmos quanto é fundamental, a nível da formação e da educação ao longo da vida, um reforço dos valores civilizacionais de desenvolvimento pessoal e social que estão na base de uma sociedade mais humanizada.
A situação económica do nosso país é muito grave e os políticos, aos vários níveis, não devem esquecer que a sua função é tomar decisões e lutar para assegurar um desenvolvimento sustentado às pessoas e aos seus territórios. E isto ainda se torna mais importante quando se trata de uma relação de grande proximidade, como acontece no poder local.
Dadas as dificuldades que nos aguardam no próximo ano de 2014, cabe a todos e a cada um, contribuir com o seu trabalho e determinação para construir um futuro próximo com mais esperança no desenvolvimento económico e social. Neste final de ano, cabe-nos sublinhar a intenção de continuar a ter sempre presente o desenvolvimento da Amoreira. As nossas propostas para o ano de 2014 são prova disso!
Os eleitos do Partido Socialista na Assembleia de Freguesia desejam, em particular a todos membros desta Assembleia e do Executivo da Freguesia e, em geral, a todas as famílias amoreirenses um Feliz Natal 2013 e um Bom Ano de 2014. Boas Festas

Plataforma Amoreira Um Novo Rumo



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

África do Sul. O prisioneiro 46 664 livre para entrar na eternidade!


Zuma fez o anúncio na televisão estatal, deixando um apelo à unidade dos sul-africanos na despedida a Nélson Mandela

Nelson Mandela morreu pacificamente às 20h50, menos duas horas em Lisboa, na sua casa em Joanesburgo, África do Sul. Mandela tinha 95 anos, completados a 18 Julho, na sua casa, para onde foi levado em Setembro, após quase três meses de internamento hospitalar em Pretória devido a uma grave infecção pulmonar.  O antigo prisioneiro número 46 664 da ilha prisão de Roben Island agonizou corajosamente durante meses no seu leito de morte, antes de ficar finalmente livre para entrar na eternidade. O anúncio da morte de Mandela foi feito pelo presidente sul-africano Jacob Zuma, vestido com uma camisa preta, num depoimento para a televisão estatal: “A nossa nação perdeu o seu filho mais importante”. 

Zuma dirigiu-se aos sul-africanos referindo que “Mandela uniu-nos e é unidos que nos devemos despedir dele”. Apesar deste apelo à unidade, o internamento de Mandela esteve envolto num circo mediático montado junto ao hospital onde o ex-chefe de Estado esteve internado em Pretória e a presença oportunista de inúmeras personalidades políticas que rodeavam o paciente manteve-se quase até ao fim e passou mesmo para dentro da própria casa, com os herdeiros a digladiarem-se numa guerra suja pela partilha dos seus bens.
Mandela já não se terá apercebido desta luta travada pelos descendentes do seu primeiro casamento, filhas e netos, e destes contra a sua última mulher, Graça Machel, o foco principal do ódio e ressentimento dos herdeiros de Mandela.

Duas de três filhas de Mandela, no total teve seis filhos de três casamentos, Makaziwe e Zenani, intentaram uma acção judicial contra um grupo de advogados nomeados pelo pai para dirigirem duas empresas cujo objectivo é acumular dinheiro para os seus herdeiros. De forma intencional, Mandela decidiu não permitir que a família exercesse o controlo destas e de outras empresas patrimoniais. No entanto, duas irmãs,  apoiadas por outros membros da família, tentam por todos os meios, e contra os desejos expressos pelo pai, obter o controlo das referidas empresas. 

As filhas do Prémio Nobel da Paz e primeiro presidente negro da História sul-africana recorreram aos tribunais pedindo acesso a uma parte da sua fortuna pessoal. Madiba havia-lhes negado tal direito em 2008, quando despediu um advogado que alegadamente facilitava o acesso das suas contas às filhas, substituindo-o na condução da fundação com o seu nome por dois homens de confiança, o advogado George Bizos e Tokyo Sexwale, actual membro do governo.

Enquanto os herdeiros aguardavam avidamente o momento das partilhas, durante algum tempo houve discussões públicas sobre a decisão de desligar os aparelhos vitais que mantinham vivo o pai da pátria. Desde logo, o governo quis capitalizar o efeito político Mandela e sempre temeu distúrbios após o seu desaparecimento.
  
Muitos sul-africanos defenderam logo que Madiba foi internado que tinha chegado a hora da nação se preparar para o deixar partir em paz, enquanto alguns membros da sua família eram fortemente criticados por se preocuparem exclusivamente com a partilha do seu património.  “As pessoas estão profundamente perturbadas com a mesquinhez de alguns dos seus familiares”, denunciou, em certa altura, a professora Sarah Nutall ao jornal Today. “Ao contrário de Martin Luther King e de Gandhi, ele não foi assassinado. Deveríamos ter-lhe dado a oportunidade de morrer em paz”, sublinhou. Os políticos do CongressoNacional Africano (ANC) no poder sempre temeram que Mandela desaparecesse antes das eleições de 2014, com receio de que isso pudesse ter algum impacto negativo no resultado eleitoral. Mandela congregava tudo e todos. Muitos dos seus familiares e líderes de variadas procedências viviam praticamente à sombra do seu legado. Talvez isso fosse resultado do verdadeiro passe de mágica que realizou quando, em 1994, juntou no novo hino nacional duas músicas estruturalmente antagónicas: o hino nacional da África do Sul do apartheid, The Call (O apelo) e o do ANC, Nkosi Sikelel Africa, (Deus Abençoe África) para criar uma nova harmonia musical e racial.

O país do arco-íris, um conceito inventado pelo arcebispo Desmond Tutu, ainda é hoje uma miragem, numa certa África do Sul mergulhada na violência e na corrupção, mas é um sonho de Mandela e, como todos os sonhos, é passível de se realizar, desde que os homens o queiram.
Hoje, o novo dia na África do Sul será de dor e tristeza profunda marcado pela certeza absoluta da incapacidade de se conseguir encontrar uma referência nacional com a grandeza humana de Mandela. Para os sul-africanos, e para o mundo, resta o privilégio de se ter podido conhecer um ser humano excepcional.
Graça Machel, viúva pela segunda vez de um presidente da República, deve ter-se sentido a pessoa mais infeliz do mundo, com a perseguição que as filhas e um dos netos de Mandela sempre lhe moveram, chegando mesmo a questionar a legitimidade do seu casamento.

Winnie e Graça Machel. Duas mulheres marcantes na vida de  Mandela.

Sob o título “A vigília de amor de Graça”, o semanário “City Press” de Joanesburgo destacou na primeira página, na sua peça principal, o amor e dedicação de Graça Machel ao ex-presidente Nelson Mandela, que ontem morreu. À semelhança de outros artigos, publicados na imprensa sul-africana durante a prolongada doença, a peça fala não só do amor incondicional que Graça Machel tem dedicado a Madiba,  mas também da dignidade pela qual a activista moçambicana tem pautado as suas acções desde que o marido ficou doente. Em contraste, a comunicação social, amigos e um número crescente de sul-africanos anónimos têm condenado em uníssono acções de membros da família de Mandela, que esgrimiram em tribunal argumentos sobre quem tem direito a ditar o local onde Madiba seria sepultado.

“A África do Sul tem para com Graça Machel uma tremenda dívida de gratidão pela alegria que ela deu à sua vida desde o seu casamento”, disse ao “City Press” o arcebispo Desmond Tutu. Nelson Mandela e Graça Machel casaram-se há 15 anos.
Ao contrário de Graça, mas reverenciada por milhões de pessoas nas cidades negras pobres e chamada de “Mãe  da Nação”, Winnie foi uma das vozes que se insurgiu contra o poder. Defensora da prática  do pneu a arder no pescoço dos adversários, disse um dia: “Com os nossos fósforos e pneus libertaremos este país”.

Também foi acusada de rapto e assassinato do activista Stompie Moekesti, de 14 anos, e membro do ANC. Alegações de violência envolvendo membros do Clube de Futebol Mandela United, que agiam como seu corpo de guarda e exército privado no Soweto, continuam recorrentes. Winnie desmente as acusações, mas as suspeitas sobre si persistem. Winnie diz frequentemente que o ANC falhou na resolução dos problemas da maioria negra e prevê um futuro negro se nada melhor for feito para os pobres.
“A vida de primeira-dama não me serviria”, disse Winnie. “E nem sei o que faria como dona de casa”, afirmou um dia. Hoje, Winnie faz parte da direcção política do ANC.

Sérgio Soares - Jornal I

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

"Capitães de Abril" reiteram alertas para perigo de violência em Portugal.


Os "capitães de Abril" Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho reiteraram na segunda-feira à noite os alertas para o perigo de violência na actual situação político-económica em Portugal, após uma conferência de quase quatro horas sobre o 25 de Novembro, em Lisboa.
No auditório da Sociedade Portuguesa de Autores, os dois coronéis foram trocando, entre si e com a plateia, repleta de outros militares, factos, relatos e interpretações dos acontecimentos vividos desde a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974, ao golpe militar liderado pelo depois antigo Presidente da República Ramalho Eanes, que instituiu o Processo Constitucional no lugar do Processo Revolucionário em Curso (PREC).
"Eu sou um dos que sou acusado disso. Não estou a incitar à violência. Estou a alertar que a violência vem aí. Venho a fazer este alerta há cerca de três anos. A figura que criei na altura foi 'vem aí uma nova revolta de escravos', se não se alterarem as políticas que estão a ser feitas. Quem está a provocar a violência é quem está a fazer as políticas", afirmou Vasco Lourenço, referindo-se a declarações anteriores, num encontro organizado por outro ex-Presidente da República, Mário Soares, há dias na Aula Magna.
O coronel, assumidamente "moderado" rejeitou ter feito quaisquer "apelos à violência", mas insistiu que, "se não alterarem as políticas, a violência vai ser inevitável", adiantando que, tal como as suas palavras, também Soares não quis incentivar qualquer acção violenta.
"É indisciplina! A burguesia, a classe dominante, a minha classe, fica extremamente em aflição quando há um prenúncio de violência. É a única linguagem. Como o Estado burguês tem o monopólio da violência e lhe foge ao controlo, da polícia, da GNR, a classe dominante fica aflita", comentou Otelo, por seu turno, sobre a recente invasão das escadarias da Assembleia da República por parte de profissionais das forças de segurança.
Para o dirigente operacional do golpe militar que depôs o Estado Novo, "vão continuar a existir coisas dessas".
"Mário Soares fez aquela charla na Aula Magna e avisou que vem aí a violência. Eu também julgo que sim. Apesar de o nosso povo ser de brando costumes - o povo é sereno, dizia o almirante Pinheiro de Azevedo -, mas, a certa altura, quando a coisa extravasa, a criminalidade está a aumentar, pode-se passar para actos de violência que vão chocar enormemente a classe burguesa que, depois, é capaz de não ter polícia e todas as forças de repressão para actuarem. E aí, é um problema", disse.
Relativamente à homenagem ao antigo chefe de Estado Ramalho Eanes, Vasco Lourenço, reconheceu que a figura é merecedora, mas discordou da data em causa, por poder "abrir feridas". "Acho que a homenagem é justa pelo passado dele, agora podia ser feita, por exemplo, no 1.º de Dezembro ou no dia de anos do general Ramalho Eanes. Eu não estou na homenagem só por isso. Ao fazerem no 25 de Novembro, estão a realçar a divisão que houve. Já muito se conseguiu, muitas feridas conseguiram ser saradas e agora estão a reabri-las", justificou.
Sobre Eanes, Otelo classificou-o como "um prussiano", já que se "agarrou à Constituição como se fosse um regulamento de disciplina militar e tudo o que fugisse dali... 'corta!'".
Saraiva de Carvalho considerou que "o 25 de Novembro representa uma paragem, uma travagem brusca no PREC, que estava a ter um curso acidentado, um bocado atormentado, indisciplinado, nos quartéis (...). Que levou ao poder a facção mais moderada, mais aceite pelo mundo ocidental".
Analisando a actualidade, Vasco Lourenço defendeu que Portugal está a assistir à "destruição de tudo o que cheira a Abril", tornando-se um "protectorado de forças estrangeiras, em que o poder está a vender o país a pataco", caminhando "para situações que de democráticas têm muito pouco".
in Publico. 

domingo, 24 de novembro de 2013

Eanes, o íntegro.


Foi um dos militares que nos devolveram a liberdade, principal operacional do 25 de Novembro, que a estabilizou, e evitou uma guerra civil. A síntese desse dia foi escrita, um ano depois, pela grande escritora Maria Velho da Costa: «Não foi um acto de alegria mas um acto de necessidade.» Eanes será homenageado na próxima segunda-feira.

Primeiro Presidente da República em democracia, em tempos conturbados, direita e esquerda votaram nele por colagem às circunstâncias mas rangendo os dentes. Sá Carneiro, Mário Soares ou Álvaro Cunhal simbolizam isso. No Palácio de Belém foram anos de austeridade financeira.

Apadrinhou e distanciou-se do PRD, mas foi ele a nomear uma mulher primeira-ministra, Lurdes Pintasilgo, décadas antes de Thatcher ou Merkel.

Quando saiu de Presidente, recusou o bastão de marechal e foi tratado com miserável vilania, por trastes, nos seus direitos. Quando rectificaram, prescindiu de 1 milhão de euros em retroactivos. Não conheço outro caso.
Fiz a cobertura da sua campanha de reeleição em 1980. Tímido e reservado provocava (me) um certo distanciamento. Terei trocado meia dúzia de palavras com ele. Não posso testemunhar, pois, como me dizem, o seu enorme sentido de humor. Nunca conseguiu lidar com o espectáculo político-mediático, com um discurso cerrado e pouco acessível. Recusou o populismo e a simpatia fácil. Se em República houvesse cognomes, seria "o Íntegro". E, Presidente, isso todos os portugueses lhe reconhecem.

 Fernanda Mestrinho


Jornalista/advogada

Jornal I

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Metade das verbas dos Jogos Sociais afeta à saúde irá financiar cuidados continuados.

Metade do valor das receitas dos jogos sociais atribuído ao Ministério da Saúde vai financiar, em 2014, a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, segundo uma portaria publicada hoje em Diário da República.

O Diário da República publica hoje duas portarias que fixam as normas necessárias à repartição dos resultados líquidos de exploração dos jogos sociais atribuídos aos ministérios da Saúde e da Administração Interna, que entram em vigor a 01 de janeiro de 2014.
A verba afeta ao Ministério da Saúde (MS) será repartida pelas áreas ligadas à prestação de cuidados continuados integrados, à prevenção e tratamento das dependências e dos comportamentos aditivos e ainda aos programas de saúde considerados prioritários.
Segundo a portaria do MS, 50% dos resultados líquidos de exploração dos jogos sociais atribuídos ao ministério serão afetos à Administração Central do Sistema de Saúde para financiar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
Um terço das verbas destina-se a entidades que "prosseguem atribuições nos domínios do planeamento, prevenção e tratamento dos comportamentos aditivos e das dependências" e será distribuída por despacho do ministro da saúde, Paulo Macedo.
À Direção-Geral da Saúde serão atribuídas 17% das verbas para financiamento de programas em várias áreas, "sem prejuízo da possibilidade de gestão flexível dos recursos afetos às diferentes atividades, desde que devidamente justificada", refere a portaria.
Assim, 8% são para a área do VIH/SIDA, 3,5% para a área da saúde mental, 1% para as doenças oncológicas, 1% para a prevenção do tabagismo, 1% para a prevenção da diabetes e 0,5% para a área das doenças cerebrocardiovasculares.
Ainda segundo o DR, 0,5% das verbas serão aplicadas na área das doenças respiratórias, 0,5% no controlo das infeções associadas aos cuidados de saúde de resistência aos antimicrobianos, 1% para a área da nutrição e alimentação saudável e para outros programas a desenvolver no âmbito da prossecução dos objetivos do Plano Nacional de Saúde.
Relativamente às verbas dos jogos sociais atribuídas ao Ministério da Administração Interna, 2,77% do valor será atribuído à Autoridade Nacional de Proteção Civil para prossecução de finalidades de proteção civil, emergência e socorro, nomeadamente para apoio a associações de bombeiros voluntários.
À Secretaria-Geral do MAI será atribuída 0,30% das verbas para financiamento de iniciativas no domínio da sinistralidade rodoviária e da prevenção da criminalidade, designadamente em espaços turísticos, no interior do país e em zonas de risco.
As verbas terão ainda como destino o financiamento de iniciativas no domínio da prevenção dos riscos sociais, da vitimação e do sentimento de insegurança decorrentes da criminalidade.
Serão ainda atribuídos à Secretaria-Geral do MAI 0,69% das verbas para "posterior transferência para as forças de segurança, para o policiamento dos espetáculos desportivos".
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, já tinha explicado à agência Lusa que 72,8% das receitas dos jogos sociais são atribuídos a várias entidades para fins públicos, nomeadamente para a cultura, desporto, Segurança Social, saúde, administração interna, entre outras finalidades.

Lusa 7/11/2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Como vai ficar registada na História a revelação de documentos ultrassecretos da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América (EUA) feita por Edward Snowden? A espionagem, nas suas mais diversas expressões, é uma velha atividade em regra bastante suja. Não é fácil detetar nas práticas individuais e coletivas do processo valores éticos, morais ou de relevância humanista. Mas, ao longo da História observam-se atos de espionagem que estiveram na origem de grandes transformações da sociedade e/ou que fixaram sentidos na mudança de poderes. Snowden não nos trouxe propriamente uma descoberta, mas despertou atenções que podem vir a ser importantes.

Primeiro, a aldeia global está bem pior do que a aldeia real. Na aldeia global, os especialistas da coisa conseguem ter um ouvido e um olho dentro de cada casa ou no telemóvel de cada cidadão, enquanto na aldeia real as fontes se situavam em coscuvilhices e na ação de "bufos" que municiavam os especialistas. Na mudança de era que estamos a viver, a Internet é uma tecnologia que foi apropriada por um poder que brinca hoje, perigosamente, com a vida dos seres humanos, sem sujeição a qualquer escrutínio popular e democrático.

Segundo, os EUA - que ainda se sentem como senhores todo-poderosos da aldeia global - usufruindo da concentração dos comandos da Internet, optaram por utilizar os avanços tecnológicos pela via mais ignóbil da "inovação" social, o assassinato da liberdade e da democracia.

Terceiro, fica provado até à exaustão que o liberalismo dominante só não controla os movimentos de capitais e especulativos porque não quer. Prefere usar as tecnologias para facilitar o roubo e a exploração sem limites e para aprisionar as pessoas.

Quarto, como sabemos, a chamada crise financeira mundial que eclodiu em 2007/2008 teve a sua origem nos EUA e não teria sido exportada, em tão forte dose e tão eficazmente, para a Europa como foi, sem os colossais meios informáticos que aquele país manipula.

Como denunciou em discurso corajoso Dilma Rousseff, presidenta do Brasil, no passado dia 24 de setembro, na abertura da 68.ª Assembleia-geral da ONU (com Barack Obama presente), os EUA andam, de forma inqualificável, a espionar governos de países catalogados de irmãos e amigos, a apropriar-se de informações empresariais de alto valor económico e estratégico, a manipular, sem escrúpulos, dados pessoais de milhões e milhões de seres humanos.

No Reino Unido, o irmão mais próximo, os serviços secretos britânicos colaboram na operação contra o seu povo. Na França, em 30 dias, espiolharam, em absoluta ilegalidade, mais de 70 milhões de dados telefónicos de franceses. Na Alemanha, a prática é a mesma e parece que nem a sr.ª Merkel escapa. Agora surgem notícias sobre a Espanha e, por certo, a situação será idêntica na generalidade dos países europeus. Nós, portugueses, dificilmente saberemos o que de facto se passa connosco, pois somos governados por subservientes e traidores políticos, que optarão sempre por credibilizar o poder externo, em desfavor dos direitos e interesses do povo e do país.

Por que é que a "Europa" é colocada nesta situação vergonhosa? Será que podemos e conseguiremos sair deste atoleiro? Os países da União Europeia, no seu conjunto e cada um, estão dependentes e submetidos. Estão absolutamente ensanduichados entre os EUA, potência que está a perder poder económico e político, e a força dos países emergentes.

A "Europa" integrou-se na dinâmica da globalização neoliberal, nunca se quis afirmar como polo alternativo - objetivo que entretanto se tornou desadequado - e hoje é arrastada pelo grande irmão no seu estrebuchar. Foi por isso que a cabeça do neoliberalismo se instalou no espaço europeu nos últimos anos. Para atacar o modelo social europeu e um significativo quadro de direitos sociais e políticos vale tudo.


Só uma perspetiva nova de respeito pelos povos, por valores de universalismo e solidariedade assentes numa estratégia séria de cooperação, desde logo entre os países europeus, mas também com países e povos de todas as latitudes, poderá salvar-nos. Iremos a tempo?

Carvalho da Silva - JN

" Os pobres de Paulo Portas"

“Paulo Portas diz que os mais pobres não se manifestaram no protesto convocado este sábado pela CGTP e que juntou milhares de pessoas” (dos jornais, 20 de Outubro de 2013)
O livro de Ryiszard Kapuscinski “Mais Um Dia de Vida: Angola 1975” é interessante a vários níveis, entre os quais retenho dois: por nos trazer um período fundamental da história fundacional do actual estado angolano e pelo retrato inesquecível de Luanda durante o êxodo dos Portugueses. Uma cidade composta por muitas cidades: a cidade de madeira que cresce nas ruas e se desloca para o porto, composta por uma multidão de caixotes que se amontoam e onde tudo se acumula; a cidade de pedra, vazia, espectral, a que resta quando a Luanda colonial se esvazia nos barcos para encerrar o ciclo marítimo dos lusíadas; a cidade efémera e vergonhosa que os brancos em debandada ergueram nas vizinhanças do aeroporto.

 A descrição de Kapuscinski é fantástica, sonâmbula. O autor, um polaco surpreendente, foi um dos poucos jornalistas estrangeiros que continuaram em Luanda e a partir daí se deslocaram para as frentes de combate. Podemos imaginá-lo, um homem grande da Europa Central, indiferente ao perigo e ao cheiro miasmático da morte, numa aposta sem sentido consigo mesmo, cada vez mais solitário na grande cidade. Há um momento em que ruma a Benguela, cruza barreiras atravessadas nas estradas e encontra a cidade dos brancos. “Zonas residenciais vazias, um luxo indescritível, um excesso estonteante de espaço para chegar, cem metros depois, ao deserto onde crescem os povoados africanos, adobe e bosta, contraplacado e chapa, sobrelotados.” Apesar do contraste chocante, os negros não ocuparam as casas abandonadas e sem guarda. O jornalista interroga-se sobre os motivos desta atitude e adianta a sua explicação: tal ideia não lhes passou pela cabeça. Os muito pobres, diz ele, “não procuraram retirar proveito pessoal, material, da nova situação de forças criada pela descolonização, porque para eles era inconcebível outra forma de vida diferente, aceitando o seu casebre e a sua tigela de mandioca como o único mundo que alguma vez hão-de conhecer ou almejar.”

No filme que relata a ocupação da Torre Bela, a herdade dos duques de Lafões que em 1975 foi ocupada por camponeses ribatejanos, há imagens que persistem. Entrando num salão, mulheres rurais abrem os aparadores de vinhático e vêem, com um misto de espanto e admiração, as toalhas de linho imaculadas, dobradas, escrupulosamente passadas a ferro. E não lhes tocam, não as põem em utilização, não as retiram das gavetas.

“Às Segundas ao Sol” é um inesquecível filme de 2002 de Fernando Léon de Aranoa, em que Javier Bardem é Santa, um operário despedido quando a crise atinge os estaleiros das Astúrias. Uma noite, Santa e dois amigos sem trabalho vagueiam pela cidade e introduzem-se, furtivamente nos jardins de uma casa abastada onde a namorada de Santa é babysitter. Com os patrões fora e as crianças a dormir, ela abre-lhes as portas da cozinha e mostra-lhes o interior. No quarto de vestir exibe o interior de um armário. Santa olha, estupefacto, os vários pares de sapatos de mulher alinhados e, depois de uma luz se lhe acender nos olhos, exclama, sem qualquer ironia: “Ah, o marido tem uma sapataria?”

Nos vários círculos da exclusão, os pobres de Paulo Portas ocupam, como os negros dos bairros de Benguela, os lugares mais profundos, secretamente irrevogáveis. Pertencem, assim pensava Kapuscinski, a um mundo que não muda, que Salazar interpretou superiormente e tentou confundir com a alma lusa. Este miserável perfeito só existe no subconsciente de Paulo Portas e nesse lugar é, curiosamente, o único elemento parado, voluntariamente desprovido, feliz com a sua miséria. Está num estádio inferior ao da resignação. A resignação pressupõe um incómodo, o desconforto de se imaginar uma outra realidade e, mesmo como possibilidade remota, a sua inclusão nela. A resignação tem em si, paradoxalmente e de forma ardilosa, a proto-ambição de mudança, porque é potencialmente provisória, precária, instável. Essa ousadia está completamente ausente da pobreza de Portas.

Os pobres de Portas são os condenados da terra antes da Internacional, as vítimas da fome perpetuamente agradecidas à amabilidade enlatada da Dra. Isabel Jonet. Os pobres de Portas são o povoléu agrilhoado e agradecido, a arraia-miúda confundida com “a convergência do sistema de pensões”, a gentalha aturdida com “o regime geral”, o escorralho adormecido com “a condição de recurso”, a ralé que “não aparece na televisão”.

Os camponeses da Torre Bela são insurrectos interruptus. Hesitaram no momento da sua libertação. As suas mãos e a comida que decerto prepararam mereciam a brancura das toalhas de linho, de que desistiram.

Santa e os camaradas asturianos foram derrotados pela deslocalização, pela flexibilização e pela crise das economias europeias, mas entraram sem culpa no quarto dos patrões.

Mas nos círculos mais exteriores – e esta verdade fere a testa dos opressores como uma espada de fogo – há seres cada vez mais livres, alguns e algumas dos quais são tão livres como Paulo Portas.


“Mais Um Dia de Vida: Angola 1975”, Ryszard Kapuscinski, Tinta da China, 2013
“Às Segundas ao Sol”, Fernando Léon de Aranoa, 2002

“Torre Bela”, Thomas Harlan, 1977

Luís Januário - Jornal I

sábado, 7 de setembro de 2013

Óbidos: A mudança!

Câmara Municipal!

Junta de Freguesia da Amoreira:


Temos equipa! Somos Semente!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Temos equipa! Somos Semente!


Boa tarde meus amigos!

Na continuação do nosso trabalho em prol de um projecto de governo de proximidade ao qual nos temos dedicado de corpo e alma e para que cada amoreirense venha ao nosso encontro para saber quais as nossas propostas para os próximos quatro anos, se vencermos as eleições autárquicas na nossa freguesia como o esperamos, a nossa candidatura anuncia que dentro de poucos dias irá abrir uma sede de candidatura nesta histórica freguesia do concelho de Óbidos, AMOREIRA! Será aqui que passaremos a ter um contacto diário com todos os que querem colaborar na mudança! Por isso caros amoreirenses esta será a vossa casa para entrarem com dúvidas e saírem com certezas! O voto que vos pedimos tem toda a sua razão de ser: Queremos uma Amoreira mais viva! Temos equipa! Somos semente! Uma Assembleia Municipal que dê voz ao povo que a elegeu! Queremos um Presidente de Câmara que seja de todos os habitantes do seu concelho e não apenas de alguns! 

Dia 29 de Setembro de 2013 vota Luís Pereira para Presidente da Junta de Freguesia. Vota José Machado para Presidente da Assembleia Municipal. Vota Bernardo Rodrigues para Presidente da Câmara de Óbidos. VOTA PS!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Luís Pereira, candidato à Assembleia de Freguesia da Amoreira-Óbidos.


Minhas Amigas! Meus Amigos!

Amoreirenses!

Foi com muito orgulho que aceitei o desafio que este maravilhoso grupo de mulheres e homens me fez para liderar a candidatura do PS às eleições autárquicas de 2013 na Amoreira!

Sei, e, sabemos das dificuldades, tanto a nível económico como social, com que nos iremos debater! Mas, isso não nos irá impedir de lutar diariamente em prol de todos os Amoreirenses!

São desafios como estes que nos fazem crescer como mulheres e homens! São desafios como estes que nos fazem ver o quanto é gratificante lutar pelo nosso ideal e pensar nos outros antes de pensarmos em nós próprios!

São pois estes motivos que nos levam a querer ser sujeitos a sufrágio para que, sem margem para dúvidas, sejamos eleitos para conduzir os destinos dos Amoreirenses nos próximos quatro anos e para levarmos em frente um programa simples mas com mais-valias para todos os que vivem nesta maravilhosa freguesia do concelho de Óbidos!

O dia 29 de Setembro de 2013 será o primeiro dia de um novo futuro para a nossa Amoreira!

Contamos consigo!

Temos equipa! Somos semente!

Com todos por Óbidos!