quinta-feira, 7 de maio de 2009

Homem novo


Culturalmente, é mais fácil mobilizar os homens para a guerra que para a paz. Ao longo da história, a Humanidade sempre foi levada a considerar a guerra como o meio mais eficaz de resolução de conflitos, e sempre os que governaram se serviram dos breves intervalos de paz para a preparação das guerras futuras. Mas foi sempre em nome da paz que todas as guerras foram declaradas. É sempre para que amanhã vivam pacificamente os filhos que hoje são sacrificados os pais…

Isto se diz, isto se escreve, isto se faz acreditar, por saber-se que o homem, ainda que historicamente educado para a guerra, transporta no seu espírito um permanente anseio de paz. Daí que ela seja usada muitas vezes como meio de chantagem moral por aqueles que querem a guerra: ninguém ousaria confessar que faz a guerra pela guerra, jura-se, sim, que se faz a guerra pela paz. Por isso todos os dias e em todas as partes do mundo continua a ser possível partirem homens para a guerra, continua a ser possível ir ela destruí-los nas suas próprias casas.

Falei de cultura. Porventura serei mais claro se falar de revolução cultural, embora saibamos que se trata de uma expressão desgastada, muitas vezes perdida em projectos que a desnaturaram, consumida em contradições, extraviada em aventuras que acabaram por servir interesses que lhe eram radicalmente contrários. No entanto, essas agitações nem sempre foram vãs. Abriram-se espaços, alargaram-se horizontes, ainda que me pareça que já é mais do que tempo de compreender e proclamar que a única revolução realmente digna de tal nome seria a revolução da paz, aquela que transformaria o homem treinado para a guerra em homem educado para a paz porque pela paz haveria sido educado. Essa, sim, seria a grande revolução mental, e portanto cultural, da Humanidade. Esse seria, finalmente, o tão falado homem novo.

José Saramago

sábado, 2 de maio de 2009

Mãe.



O NOVO CANTO DA MÃE


Mãe
Nós somos os teus filhos
Que sem vergonha
Quebraram as fronteiras do silêncio.
Os filhos sem manhãs
Que rasgaram as noites que cobriam
As carnes das tuas carnes.
Nós somos, Mãezinha,
Os teus filhos,
Os pés descalços,
Esfomeados,
Os meninos das roças,
Do cais,
Os capitães d’areia,
Os meninos negros à margem da vida
Que despedaçaram o destino do teu ventre,
Que endireitaram os instantes
Que marcaram socalcos na terra firme,
Na profundidade das trevas da tua vida.
Nós somos, Mãezinha, os teus filhos,
Sexos que germinaram vida,
Forças que desfloraram a virgindade dos dogmas
Fecundaram minérios de esperança,
Olhos, dinamite de amor,
Mãos que esfacelaram a espessura dos obós.


Tomás Medeiros
(S. Tomé: 1931)

FELIZ DIA MÃE.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O primeiro 1º de Maio em Portugal e no mundo


No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração. A necessidade de se produzir o máxima ao mais baixo custo não respeitava idades nem sexos. As organizações sindicais eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.

Em 1864 é criada a Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres. A iniciativa surge num contexto de união entre líderes sindicais e activistas socialistas com vista a dar voz às lutas dos trabalhadores e às nações oprimidas. A esta associação se chamou mais tarde a Primeira Internacional Socialista que duraria sete anos. As divisões ideológicas entre as várias facções (sindicalistas, anarquistas, socialistas, republicanos e democratas radicais, entre outras) puseram fim à agremiação, mas deixaram mais explícitas as reivindicações e propostas pelas quais os trabalhadores se deveriam debater. A redução da jornada de trabalho para as 10 horas diárias era uma delas.

Os objectivos saídos desta Internacional tiveram eco no IV Congresso da American Federation of Labor, em Novembro de 1884. As negociações, sucessivamente falhadas com as entidades patronais, fizeram das cidades operárias um barril de pólvora pronto a explodir. Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta.

Na cidade de Chicago a repressão policial foi especialmente dura. Ao quarto dia de manifestações (dia 4 de Maio) explodiu uma bomba entre a multidão matando dezenas de trabalhadores e alguns polícias. Deste incidente resultou a prisão de oito líderes do movimento. Quatro foram condenados à morte por enforcamento e os restantes a prisão perpétua. Em 1890, o Congresso americano vota a lei que estabelece a jornada de oito horas de trabalho e três anos mais tarde, depois da reabertura do processo que levou à condenação dos oito operários, conclui-se que a bomba que explodiu em Chicago tinha sido colocada pela própria polícia.

O luto fortaleceu a luta

Três anos depois da condenação dos que ficaram conhecidos como os “Mártires de Chicago” as repercussões sentiram-se na Europa. Assim, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.

Curiosos são os títulos de alguns jornais americanos a propósito das manifestações dos trabalhadores. O “Chicago Tribune” dizia na altura: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”. O New York Tribune seguia a mesma linha: “Estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações”. De sublinhar que nos EUA o chamado Labor Day festeja-se a 3 de Setembro e não a 1 de Maio.

Em Portugal

A decisão da Comuna de Paris, de decretar o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador teve repercussões no nosso país. Diz-nos José Mattoso (in História de Portugal, vol. 5), que houve um reforço da luta do movimento operário português em finais do séc. XIX sendo "em torno da associação e da greve que gravita o próprio movimento operário". Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.

Mas, segundo o mesmo autor, o movimento operário alcançava grande força quando "aquelas (associações) a que hoje chamaríamos propriamente «sindicatos» se juntavam com as recreativas, as de socorros mútuos e os centros políticos". Tal ficou demonstrado no 1º de Maio de 1900 que juntou em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que "as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia".

Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador. Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.

O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Revolução em cada um de nós!


Ninguém é sozinho!

Ninguém nasce tão pouco sozinho, se durante 9 meses, mais ou menos dependemos na íntegra de outra pessoa, depois a coisa não é muito diferente.

Mais, cada um de nós é uma espécie de multidão, um aglomerado de células, os traços fisionómicos ancestrais misturados de uma forma impar, alguns defeitos também, muitas capacidades.

Depois, muito depois aparentemente autónomos, também não o somos, não só porque não vivemos em ilhas à mercê dos elementos e da nossa vontade, do nosso espírito empreendedor, mas vivemos em grupo, alcateias, bandos, cardumes e enxames.

O ser humano será um pouco como a grande barreira de corais da Austrália, o que se supunha que fosse um conjunto de organismos é apenas um único que e estende por 345,4 mil km2, e é só um, pode sobreviver a uma pequena amputação, a algumas tempestades, à morte de algumas das suas partes, mas é ainda só um.

A espécie humana será assim também, precisamos sempre de alguém, precisamos fisicamente de outros, mesmo que saiba fabricar o meu pão, irei precisar de quem fabrique a farinha, plante o cereal…

Como tal nesta necessidade de outros, na necessidade de sermos amados, de diversas formas como filhos, como companheiros, como pais e como amigos.

Por vezes afirmamos essas necessidades de uma forma básica, animal, tentar subjugar, tentar aniquilar, neutralizar, de todas as formas.

No fundo os nossos desejos pessoais serão sempre os mesmos, ser felizes, ter abrigo, se possível com conforto, ter alimento, ser amados e amar, caso tenhamos filhos que eles sejam felizes.

Simples!

Por isso a revolução terá de começar em cada um de nós de forma interna e inequívoca.

Fazendo parte deste organismo gigantesco da humanidade, teremos de saber que cada vitória ou realização pessoal, não poderá nunca ser conquistada em cima da derrota de outro ser como nós, que não poderemos apreciar na totalidade o nosso abrigo e conforto, quando for só e exclusivamente nosso sabendo que parte do mesmo grupo que nós não o tem de todo, o nosso pão, o nosso espaço…

Teremos assim que, mantendo as características que tornam cada um de nós único, esforçarmo-nos para que cada um de nós seja igual.

Todos os dias, em todas as coisas!

“Do Blog Cheira-me a Revolução!”

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Padre rali


…Paulo Gerardo não faz o trabalho de cinco. Mas quase. Juntamente com o recém padre João, tem sete paróquias, em nove freguesias na zona de Óbidos. E se, já diz o ditado, "paróquia viva, pároco morto", de cansaço, entenda-se, aqui a vida corre depressa, é estafante.

O domingo começa cedo, pois o rali paroquial, como dizem na brincadeira, tem de levar Paulo a celebrar quatro missas. Às 8.35, o carro já está a trabalhar e de casa, na Amoreira, sai disparado para a Usseira, paróquia onde os crentes aguardam no largo. Pormenores de última hora, vestir-se, distribuir o jornal da diocese, trocar impressões com catequistas e responsáveis da equipa de animação local, e está na hora de subir ao altar. Uma hora depois, deixados os avisos, e trocadas algumas palavras rápidas com alguém que se atravessa no caminho, está na altura de entrar no carro, e seguir viagem. Não sem antes tomar um café rápido, em pé, e enquanto larga uma moeda para comprar uma rifa a uma criança.

Há dois anos que Paulo anda nesta lufa-lufa, numa tentativa de dinamizar um grupo de paróquias meio adormecidas. "Ainda não estamos em velocidade de cruzeiro. Mas queremos criar uma dinâmica inter paroquial, sem que cada paróquia perca a identidade", explica, sublinhando que o truque é fomentar a relação entre as pessoas. "Ser cristão é viver em relação", foi o slogan do ano pois, diz, "a Igreja existe para levar o evangelho e para que o relacionamento entre as pessoas seja mais fraterno e humano". Por isso, em cada paróquia criou-se o grupo de mensageiros que levam os convites da igreja de casa em casa.

A resposta à falta de padres, afirma, "passa também por contar mais com os leigos. É difícil comprometer as pessoas, é verdade, mas às vezes também não é assim tão difícil como se apregoa", diz, no caminho sinuoso até ao Vau, onde já está tudo a postos para a missa. "O que é a Quaresma?", interpela os mais pequenos na homilia, levando na volta a resposta: "o tempo em que comemos menos doces e guardamos o dinheiro para dar a quem mais precisa", diz uma criança na fila da frente.
Cativar os mais novos é outro objectivo desta equipa de dois padres, hoje desfalcada porque o mais novo está num retiro. O que passa por pô-los a participar na missa, preparando as leituras e expondo a mensagem em cartazes e frases simples. "Nem sempre é fácil", confessa Paulo Gerardo, já a entrar no carro para se dirigir à paróquia principal: Óbidos.

Hoje é um daqueles dias em que entrar na vila amuralhada é quase missão impossível, pois o Festival do Chocolate faz rumar a Óbidos milhares de pessoas. A missa é ao meio dia, meia hora depois de acabar a do Vau, a dez quilómetros de distância, mas o drama é mesmo estacionar e correr até à Igreja de S. Pedro, abrindo caminho entre a multidão. Aqui a audiência é mais distinta, a igreja maior e com direito a visitas turísticas, mas a mensagem a pregar é a mesma: tempo de Quaresma, tempo de oração, penitência e jejum. No fim, mesmo com a barriga já a dar horas, é preciso conversar com os crentes, acertar assuntos com o diácono, e até dar uma palavra de conforto a um paroquiano que parece não estar bem.

Ao fim da terceira missa, a paragem é no restaurante, onde ao padre Paulo se junta para o almoço o colega que veio de Lisboa dar uma mãozinha na ausência do padre João. Também aqui o descanso é relativo, pois é preciso cumprimentar, dar uma palavra de atenção, atender o telemóvel. "Costumo dizer às pessoas que tenho tempo para tudo, pode é não ser quando elas querem", explica o padre que, além das missas, tem de arranjar horas para confessar, visitar doentes, ouvir pessoas, orientar grupos, preparar encontros e até dirigir obras na igreja. Na vida de pároco, não há escritório, rotinas, nem expediente mas, diz, devia sobrar mais tempo para ler e rezar.
Como hoje não é dos domingos em que a tarde fica livre, é preciso celebrar mais uma missa no Sobral da Lagoa às 15.30. As fatiotas mais aprumadas e a agitação no átrio revelam que qualquer coisa está para acontecer. É a bênção dos bebés, cerimónia que percorre todas as paróquias, em alusão a um episódio da vida de Jesus, e que enche a igreja. Pelo menos, hoje, que é dia de festa.

DN

sábado, 11 de abril de 2009

BORDALO PINHEIRO. OS TRABALHADORES AGRADECEM. OBRIGADO PORTUGAL.



Do alto da sua humildade, os trabalhadores das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro manifestam que a experiência ensina-nos que é preciso perdoar muito e não esquecer nada. Ao longo de cerca de 105 dias, vivemos, a pior experiência das nossas vidas, em termos profissionais.

Tudo começou a 17 de Dezembro de 2008, ou melhor, tudo se agravou, quando nos foi proposto, que suspendêssemos os contratos de trabalho. Ora, depois de um ano, em que já tínhamos recorrido ao Fundo de Garantia Salarial, para que pudéssemos receber dois meses de vencimento, quando existiam cerca de 6 mil horas de trabalho suplementar, no chamado banco de horas, sem nunca termos parado um único minuto, porque entendemos e acreditámos nas pessoas, esta atitude por parte da administração foi considerada pelos trabalhadores, abusiva.

Nunca os trabalhadores se deram como vencidos, o seu objectivo era e será sempre, a viabilidade da empresa, a continuidade laboral de uma empresa / instituição, de índole artística e cultural de Portugal, sendo naturalmente o seu ganha-pão.

Foi com elegância e determinação que os trabalhadores, apoiados nos apoios incondicionais de muitos dos seus ex-colegas que, desenvolveram esforços e sacrifícios, nunca deixaram que alguém mais “iluminado” turvasse as suas intenções. Levaram o nome da empresa e a sua causa até onde foi possível, sempre com respeito pelo próximo, parte integrante dos princípios que norteiam estes trabalhadores.

Entre reuniões plenárias dos trabalhadores e na Câmara Municipal, a Comissão de representantes, na qualidade de coordenadora de acções desenvolvidas, deu a cara e a voz, por todos, foi por diversas vezes confortada, em muitos gabinetes, inclusive governamentais, sinais evidentes de que, não só a postura educada como todos os trabalhadores se apresentavam, como a nossa visão dos factos, estavam correctos.

Foi um período repleto de trabalho, extra, em equipa, com um valiosíssimo contributo e potencial intelectual de algumas personalidades, com descrição e profissionalismo, alcançou-se um caminho que, se deseja seguro, embora não muito sólido nos tempos mais próximos, atentos e conscientes dessas dificuldades, os trabalhadores nunca deixarão de colocar em cada minuto a sua paixão pela empresa.

Os trabalhadores da Bordalo Pinheiro, jamais esquecerão, as manifestações de solidariedade que receberam, como por exemplo; Governo Civil de Leiria, Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Deputados na Assembleia da República, Concelhias de Partidos Políticos, CGTP, Federação Portuguesa de Cerâmica, União de Sindicatos de Leiria, Sindicato de Cerâmica da Região Centro, Artistas, população das Caldas a Rainha, comunicação social e muitos outros anónimos e entidades de Portugal, a todos, o nosso Muito Obrigado.

Gostaríamos de destacar a importância que o Senhor Ministro da Economia e Inovação, Dr. Manuel Pinho teve. Receber-nos no seu gabinete, prometermo-nos que o processo seria resolvido num prazo de dois meses, manifestar-nos a sua solidariedade e compreensão, para além de ter a amabilidade de nos contactar directamente e de vir á empresa apresentar a solução, estamos cientes que senão fosse a sua contribuição não teríamos este desfecho. Obrigado Senhor Ministro.

Com toda a certeza, dizemos, o dia 31 de Março, ficará eternamente na memória de ex e actuais trabalhadores, com emoção, podemos ver Sua Excelência o Primeiro-Ministro, na empresa, momento simbólico, mas acima de tudo um reconhecimento ao empenhamento dos trabalhadores, conforme fez questão de mencionar. Mais do que agradecer a sua vinda, o nosso sentido agradecimento pelas suas palavras.

A todos que contribuíram e nos encorajaram, muito sinceramente, não temos palavras para expressar a nossa gratidão, contribuímos todos para a grandeza histórica da empresa, cidade e do país.

Obrigado Portugal.



Os trabalhadores das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro

domingo, 5 de abril de 2009

Deixem o povo em paz, porra!


“Esta gente que agora se farta de dizer mal de Portugal e dos portugueses é a mesma que está no poder há décadas. Sejam políticos, jornalistas, comentadores, dirigentes disto e daquilo, empresários, o que for. São os que se dizem detentores da verdade, mas não a dizem. Talvez se queiram servir dela para outros proveitos. Sabem das notícias, mas não as dão. Têm medo de quê? Talvez de perder o conforto dos lugares que ocupam. Achincalham-se pelas costas, apertam-se peito a peito pela frente. Falam dos portugueses, falam muito dos portugueses e de Portugal, como se alguém lhes tivesse dado o dom de olhar lá do alto duma torre imensa para cá por baixo categorizarem. São bocas abertas de lugares comuns, ideias roubadas aos outros, pensam quase sempre pela cabeça dos outros, citando, referindo, comparando. Eles sabem tudo, eles têm soluções para tudo. Generalizam com o maior dos à-vontades, mas sempre com o cuidado de se colocarem fora das generalizações. Eles dizem mal de Portugal e dos portugueses? Eu prefiro dizer mal deles. Foram eles que organizaram a festa. A eles se deve a qualidade da banda. Querem agora ter um pezinho dentro e outro fora? À merda com eles! Foram eles que calaram, foram eles que pactuaram, foram eles que carregaram os sacos azuis da nossa miséria. Mas afinal quem faz as leis? O povo? E os políticos? O povo? Quem, ao longo destes anos, tem dado voz aos falsários e calado os competentes? O povo? Sempre e sempre o povo, malfadado povo. Deixem o povo em paz, porra! Mas qual povo qual carapau? O povo levanta-se às 6 da manhã para ir esfregar as latrinas dos centros comerciais. O povo não arranja as unhas. O povo mora atrás dos balcões com a corda ao pescoço. O povo é apenas a engrenagem do sistema que vocês, vocês que agora criticam, vocês que agora dizem mal, vocês que agora se angustiam, o povo é apenas a engrenagem do sistema que vocês operam. Deixem o povo em paz, caralho! O povo só quer ter o que comer, porque o povo sabe que a morte está ali no final da esquina à espreita. O povo quer ter filhos de barriga cheia. Que querem vocês? Que querem vocês do povo? Que o povo deixe de ser povo? O povo é cão, há-de ser sempre cão. O que varia é o dono.”

Autor desconhecido

quarta-feira, 25 de março de 2009

OBIDOS - Páscoa - Semana Santa.



A Semana Santa, um dos “cartazes” mais emblemáticos da Vila de Óbidos, e que este ano se realiza entre os dias 4 e 12 de Abril, é, sem dúvida, das cerimónias religiosas “mais impressionantes e cheias de realismo do género, realizadas na zona Oeste. Este evento atrai à vila muitas pessoas que participam pela devoção ou, simplesmente, pela curiosidade cultural e turística”

Óbidos integra, este ano, no programa de celebrações da Semana Santa a realização de uma Via-Sacra que juntará todos os grupos da paróquia do concelho de Óbidos.

Despertando estas celebrações o maior interesse por todos, o Município de Óbidos inclui um vasto programa cultural adequado ao período que se vive, onde se destaca o Concerto “As Últimas Sete Palavras de Cristo” de Hayden, interpretado pelo Quarteto Lacerda, no dia 7 de Abril, e “Missa in Tempori Bell” (Missa em Tempo de Guerra) de Haydn, interpretado pela Orquestra Filarmónica das Beiras e Coro Regina Coeli, no dia 11 de Abril, como celebração dos 200 anos da morte de Haydn.

Programa Cultural e Religioso

3 de Abril

18h00 – Inauguração da Exposição “Cruz 33” (Arte Contemporânea) de Nuno Bettencourt na Galeria da Casa do Pelourinho

21h00 – Concerto: “Bach e Haendel – o Barroco em Tempo de Paixão” por Luís Peças (Contra-tenor) e João Santos (órgão) na Igreja de São Pedro

4 de Abril

21h30 – Procissão da Mudança das Imagens

As imagens do Senhor Jesus dos Passos e Nossa Senhora das Dores são transportadas para novo local. Saída: Igreja da Misericórdia

5 de Abril

15h00 – Bênção e Procissão dos Ramos

Comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém

Saída: Museu Paroquial de São João

15h30 – Missa de Ramos na Paixão do Senhor

“Hossana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!”

Igreja de Santa Maria

17h00 – Procissão dos Passos

Jesus a Caminho do Calvário

Saída: Igreja de Santa Maria

6 de Abril

21h00 – Palestra: “Ciência e Religião: a História e a Actualidade de um Diálogo Permanente”, por Henrique Leitão (Universidade Nova de Lisboa) no Auditório Municipal da Casa da Música

7 de Abril

21h00 – Concerto: “As Últimas Sete Palavras de Cristo”, de Haydn

Celebração dos 200 anos da morte de Haydn pelo Quarteto Lacerda

Igreja de Santa Maria

8 de Abril

21h00 – Concerto Stabat Mater (Boccherini)

Quinteto Arabesco (Cordas), Soprano: Ana Leonor Pereira na Igreja de Santa Maria

9 de Abril

18h00 – Concerto: “Canções Sacras”

Canto (Armando Possante), Piano (Luísa da Gama Santos) na Igreja de Santa Maria

10 de Abril


10h00 – Ofício de Leituras e Laudes

Igreja de São Pedro

15h00 – Celebração da Paixão do Senhor

O sofrimento, a solidão e a angústia de Jesus perante a sua condenação à morte.

Igreja de São Pedro

17h30 – Via Sacra

Vila de Óbidos

21h30 – Procissão do Enterro do Senhor - À luz de archotes, percorre-se a Vila levando o Senhor até ao Sepulcro

Saída: Igreja da Misericórdia

11 de Abril

10h00 – Ofício de Leituras e Laudes

18h00 – Grande Concerto Coral Sinfónico: “Stabat Mater” (Pergolesi) “Missa in Tempori Belli” (Missa em Tempo de Guerra) (Haydn)

Orquestra Filarmonia das Beiras e Coro Regina Coeli

Santuário do Senhor Jesus da Pedra

22h00 – Vigília Pascal

Noite Pascal, Vigília da Vida

Igreja de São Pedro

12 de Abril

Missa da Ressurreição

A Igreja nasce e Vive do Anúncio de “Cristo Vivo”.

Igreja de São Pedro


segunda-feira, 23 de março de 2009

Mundial-2010: Portugal prepara Suécia em Amoreira-Óbidos.



A selecção portuguesa concentrou-se domingo em Amoreira-Óbidos, onde vai realizar a maior parte da preparação para o importante desafio de 28 de Março com a Suécia, no Porto, de apuramento para o Mundial-2010...

... Segunda-feira (11h00), terça (11h00) e quarta (10h00) os treinos vão decorrer à porta aberta na Praia d'El Rey.

Carlos Queiroz vai afinar detalhes tácticos quarta-feira (16h30) e quinta (11h00) em sessões à porta fechada: diariamente vai haver zona mista com jogadores a definir.

A comitiva parte para o Porto quinta-feira, às 16h30, estando a chegada prevista para três horas depois.

Sexta-feira, os atletas adaptam-se ao Estádio do Dragão, em treino fechado, às 11h00, seguindo-se a conferência de imprensa com o seleccionador e dois futebolistas.

Após o desafio de sábado (20h45), a equipa permanece concentrada e treina às 11h00 de segunda-feira no complexo do Pedroso, em Vila Nova de Gaia, partindo para a Suíça às 17h30, tendo em vista o desafio particular de 31 de Março com a África do Sul, em Lausana, às 20h45 locais (19h45 em Lisboa).

Na Suíça, a equipa das "quinas" realiza apenas um treino, às 11h00 locais (10h00 em Lisboa) do dia 30 de Março, no Estádio Olímpico de Lausana, palco do encontro.

A comitiva só regressa a Portugal no dia a seguir ao jogo, estando prevista a chegada às 11h30.

A Suécia chega a Portugal domingo, preparando o desafio do Dragão no campo do Estoril-Praia: a partida para o Porto apenas se verifica sexta-feira, sendo que o treino de adaptação ao Dragão se realiza às 18h00, duas horas e meia depois da conferência de imprensa de antevisão do jogo, no Hotel Sheraton.

Programa da selecção de Portugal:

- Domingo, 22 de Março:
Até 21:30 - Concentração dos jogadores que jogam sábado (Hotel Marriott).

- Segunda-feira, 23 de Março:
11:00 - Treino aberto (Praia d'El Rey).
Até 12:00 - Concentração dos restantes jogadores (Hotel Marriott). Contactos informais com Comunicação Social - Hotel Marriott.
17:00 - Treino (Hotel Marriott).

- Terça-feira, 24 de Março:
11:00 - Treino aberto (Praia d'El Rey).
13:15 - Zona Mista, restrita a jogadores a definir (Hotel Marriott).

- Quarta-feira, 25 de Março:
10:00 - Treino aberto (Praia d'El Rey).
15:45 - Zona Mista, restrita com jogadores a definir (Hotel Marriott).
16:30 - Treino fechado (Praia d'El Rey).

- Quinta-feira, 26 de Março:
11:00 - Treino fechado (Praia d'El Rey).
13:15 - Zona Mista, restrita com jogadores a definir (Hotel Marriott).
16:30 - Partida para o Porto.
19:30 - Chegada ao Porto.

- Sexta-feira, 27 de Março:
11:00 - Treino fechado (Estádio do Dragão). Após o treino, conferência de imprensa com Seleccionador nacional Carlos Queiroz e dois jogadores.

- Sábado, 28 de Março:
20:45 - PORTUGAL x SUÉCIA (Estádio do Dragão).

- Domingo, 29 de Março:
11:00 - Treino aberto (Estádio Jorge Sampaio, Pedroso, Vila Nova de Gaia).
17:30 - Partida para Suíça.
20:40 - Chegada à Suíça.

Segunda-feira, 30 de Março:
11:00 - Treino Estádio Olímpico de Lausana. Após o treino, conferência imprensa com Seleccionador Nacional e dois jogadores.

- Terça-feira, 31 de Março:
20:45 ÁFRICA DO SUL x PORTUGAL (Estádio Olímpico de Lausana).

- Quarta-feira, 01 de Abril:
10:00 - Partida para Portugal.
11:30 - Chegada a Portugal.


Nota: Horas locais. Na Suíça, menos uma hora em Portugal.

Expresso

domingo, 22 de março de 2009

A Amoreira e o futuro.



Com as obras de construção já a decorrer, os complexos escolares do Alvito (Gaeiras) e Furadouro (Amoreira) deverão estar concluídos no próximo Verão. A primeira pedra destes equipamentos escolares foi simbolicamente lançada no passado dia 18 de Janeiro, integrada nas comemorações do feriado municipal de Óbidos.

Os dois equipamentos irão custar cerca de sete milhões de euros e deverão estar concluídos antes do Verão, completando assim a oferta do complexo dos Arcos.

O presidente da Câmara, Telmo Faria, disse durante a cerimónia que estas obras são “uma das nossas grandes prioridades em termos de investimento, quer no orçamento para 2009, quer no que temos vindo a fazer nos últimos anos”.

A empreitada está a cargo da Sociedade de Construções José Coutinho, S.A., que também já tinha sido a que construiu o edifício dos Arcos.

O autarca disse que estes complexos são uma referência ao nível da arquitectura escolar. O responsável pelo projecto, Cláudio Sat, afirmou que estes dois novos equipamentos são uma “repetição das partes do complexo dos Arcos”, com os conceitos orientados para a concepção de uma escola “querida, valorizada, aberta à comunidade e útil”.

Ao imaginar estes complexos como novas centralidades no concelho, este arquitecto defendeu uma identidade comum de Escolas d’Óbidos, mas, simultaneamente, com diferenças que os reconheça como edifícios pensados especificamente para cada uma das localidades.

Cláudio Sat destacou também a sala do dentista, a existir em cada um dos complexos e colocada num sítio privilegiado, que deverá funcionar como uma “espécie de íman para a comunidade”.

O arquitecto defendeu ainda que para obter uma educação “diferente, aberta e participativa” os edifícios devem ser “coincidente, flexíveis, ter várias entradas e opções, em contacto directo com o espaço público e com menos gradeamentos”. É que, afirmou, o grande desafio consiste em “diminuir as barreiras e não em aumentá-las”.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Taxista de Óbidos


Um taxista de Óbidos está há mais de treze meses à espera de receber a carta de condução, que foi para renovar, mas que ainda não lhe foi entregue. Como trabalha junto a uma unidade hoteleira de prestígio, o homem alega ter grandes prejuízos, por ter de recusar vários serviços para Espanha, uma vez que a guia de substituição não lhe permite conduzir fora do território nacional.
“Esta saga começou no dia 11 de Fevereiro de 2008. Dirigi-me ao Posto de Atendimento ao Cidadão de Óbidos para renovar a carta, entreguei a papelada toda e têm vindo a pôr carimbos sucessivos na guia de substituição conforme vão terminando os períodos de validade, entre 90 a 120 dias”, relatou Fernando Constantino, de 56 anos.
Antigo agente da Polícia Marítima, residente no Olho Marinho, reformou-se há cinco anos e passou a ser taxista, ocupando a praça de táxis do Hotel Marriot da Praia D’El Rey, unidade de cinco estrelas. “Para Espanha já tive vários serviços, porque trabalho no resort de um campo de golfe, há golfistas que vêm de Espanha para aqui, e devido à quantidade de bagagem que trazem, como o meu carro é grande, serve-lhes, mas tenho de recusar porque a guia provisória não me deixa conduzir no estrangeiro”, indicou.
De acordo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), ex-Direcção-Geral de Viação, “a guia funciona como substituta da carta em território nacional e para poder circular em território extra-nacional o condutor terá de pedir ao Automóvel Clube de Portugal (ACP) uma carta internacional que terá a validade da guia”.
“Fico sem ganhar alguns milhares de euros e para obter o documento do ACP tenho de despender cerca de 45 euros e pode acontecer ter de pagar várias vezes até me chegar a carta renovada”, exclamou Fernando Constantino.
“Num país em que temos o Simplex, parece que não é para todos”, lamentou.
O IMTT de Leiria informou ter “falhado a impressão da carta”, assegurando que o assunto ia ser resolvido o mais rápido possível.
“Se entretanto a carta não aparecer vou pôr-me em frente à DGV de Leiria com um cartaz a protestar”, revelou Fernando Constantino.

95 mil cartas por entregar

O IMTT tem vindo a divulgar a actividade relacionada com a emissão das cartas de condução registada em cada semana, o número de pedidos e de emissões, bem como a totalidade de títulos em produção nas suas diferentes fases, anunciando que se tem registado uma “recuperação” desde Setembro de 2008, altura em que havia 181.652 cartas em produção, passando para 94.734 cartas, dados referentes a 8 de Março.
Segundo o IMTT, estão pendentes 7.890 cartas (aguardam informação ou documentos dos requerentes), em registo 7.628 (aguardam aprovação), registadas a aguardar 94.734 (para digitalização e associação das imagens da fotografia e assinatura dos requerentes), e em produção 60.562 (última fase, em que são enviadas por correio registado a cada titular).
De acordo com o IMTT, na primeira semana de Março foram requeridas 19.445 cartas, tendo sido expedidas 10.358.

Francisco Gomes
Jornal das Caldas

segunda-feira, 16 de março de 2009

35 Anos depois…Um golpe que serviu de ensaio ao 25 de Abril.



O golpe das Caldas, na madrugada de 16 de Março de 1974 e que era suposto juntar diferentes unidades militares espalhadas pelo País, acabou por se limitar ao Regimento de Infantaria 5 (RI5), nas Caldas da Rainha.

Embora ainda hoje persistam dúvidas (sobre as razões disso ter acontecido, é provável que as dificuldades de comunicação - agravadas pela prisão de cabecilhas do Movimento dos Capitães como o agora coronel Vasco Lourenço - tenham estado na origem dessa situação. Mas no RI5, onde coabitavam diferentes grupos de oficiais, não houve hesitações. O próprio comandante, recém-chegado à unidade, já tinha sido avisado que haveria barulho se os generais Costa Gomes e António de Spínola - heróis condecorados com a Ordem da Torre e Espada - fossem prejudicados.

"Nessa altura já estávamos juntos. Quem quer que desse a ordem de avançar, fosse puro [oriundo da Academia militar] ou espúrio [miliciano dos Quadros Permanentes], iríamos saltar", lembrou ontem ao DN o então capitão do RI5 Gonçalves Novo.

Com a preparação do golpe dos capitães em marcha e acelerado com a prisão de Vasco Lourenço e outros oficiais na Trafaria, seria o "beija-mão" dos oficiais generais das Forças Armadas a Marcelo Caetano e a demissão de Costa Gomes e Spínola a fazer sair a coluna militar do RI5 cerca das 02.00 daquele sábado.

"Foi despoletado antes do tempo, mas serviu como balão de ensaio" para o 25 de Abril, observou Vasco Lourenço. "Marchámos sozinhos", frisou Gonçalves Novo, "com a missão de tomar o aeroporto e a rotunda da Encarnação [também chamada do Relógio] e desencadear o golpe. Não era uma acção isolada" e até "houve outras movimentações", mas as outras unidades militares acabaram por ficar nos quartéis, referiu o coronel.

"Fomos parados a uns cinco quilómetros de Lisboa" por Manuel Monge - um dos principais spínolistas - e Casanova Ferreira. Estes oficiais, disse Vasco Lourenço, foram para as Caldas e contaram-se entre os 200 militares que acabaram depois presos.

Marcelo Caetano, nas vésperas de ser derrubado, falou sobre a "irreflexão dos oficiais que se lançaram na aventura" de se dirigir a Lisboa: "Irreflexão por não considerarem que, em tempo de guerra subversiva, toda a manifestação de indisciplina assume particular gravidade. Irreflexão por não terem em conta que há manobradores políticos, cá dentro e lá fora, prontos a explorar todos os episódios de que possam tirar partido para cavar dissenções internas e minar os alicerces do Estado e fazer beneficiar interesses do estrangeiro.”

MANUEL CARLOS FREIRE
Diário de Notícias

quinta-feira, 12 de março de 2009

Julgado de Paz começa a funcionar em Março em Óbidos


Óbidos irá ter a partir de Março um Julgado de Paz, que irá funcionar nas antigas instalações da delegação escolar, junto à entrada da vila.

Os Julgados de Paz são pequenos tribunais de proximidade que podem ser utilizados para solucionar problemas muito directamente relacionados com a vida das pessoas (conflitos de arrendamento, de condomínio, de demarcação de terrenos, etc) a custos reduzidos (cada parte paga, no máximo, 35€).

A Câmara cedeu as instalações, mobiliário e equipamento informático, num investimento de cerca de 75 mil euros. Cabem também a esta autarquia os recursos humanos ligados ao atendimento e apoio administrativo, assim como as despesas de manutenção desta estrutura.

O Ministério da Justiça suporta os encargos relativos à remuneração do Juiz de Paz e dos mediadores e promove a formação dos recursos humanos.
Será nomeado um Juiz de Paz que ficará afecto ao agrupamento de concelhos de Alcobaça, Caldas da Rainha, Óbidos e Nazaré.

Nos julgados de paz já deram entrada, entre 2002 e 2008, mais de 24.000 processos, sendo importante salientar que, não obstante o aumento do número de processos entrados todos os anos, têm mantido um bom tempo de resposta para os cidadãos que os utilizam, pois o tempo médio de resolução dos litígios é de apenas 2 a 3 meses.
Além disso, uma parte significativa dos processos termina por acordo (cerca de 50%). Quando as partes não chegam a acordo, os processos são decididos por sentença emitida pelo juiz de paz, de valor idêntico a uma sentença de um tribunal judicial.