segunda-feira, 15 de junho de 2009

A idade transforma o amor e o sexo


Aos 50 anos as emoções são mais verdadeiras, as pessoas estão mais libertas e o prazer erótico que é possível alcançar é superior ao da juventude.

Assistimos a mudanças profundas na relação entre sexo e amor nas várias etapas da vida. Antigamente, as raparigas tinham a primeira relação sexual com 18 anos, com o namorado. Os rapazes tinham a primeira experiência com prostitutas. No caso das raparigas, o sexo estava relacionado com o amor, nos rapazes nem tanto. Actualmente, as raparigas têm a primeira experiência sexual com 13 ou 14 anos, com rapazes da mesma idade. O amor e o sexo aproximaram-se, mas estes amores adolescentes, apesar de emocionalmente muito intensos, são frágeis e de curta duração.
Com 20 e 30 anos, homens e mulheres estão dedicados aos estudos, à carreira e trocam de cidade e de trabalho, viajam, querem divertir-se. Têm numerosas experiências amorosas, mas só muito dificilmente se entregam e fazem do amor a razão de ser da vida. Muitos adiam o casamento e o momento de ter filhos. As mulheres sonham com o homem ideal, que as ame de forma apaixonada e seja fiel. Contudo, têm dificuldade em encontrá-lo, porque os homens também mudam com muita frequência de parceira. Mais tarde, quase todos casam ou vivem em união de facto, e têm filhos, mas os casais são muitas vezes frágeis.

É exactamente esta fragilidade e o aumento do número de solteiros que faz com que muitas mulheres voltem a procurar o amor quando os filhos já estão crescidos.

E podem fazê-lo porque, graças às dietas, à ginástica, aos tratamentos com hormonas e à cirurgia estética permanecem biologicamente jovens e belas. Algumas, imitando homens ricos e divas do cinema, procuram homens muito mais jovens, mas ficam muitas vezes desiludidas, ciumentas e ansiosas. Mas porque o fazem? Qual a atracção de uma pessoa mais jovem? Um corpo mais musculoso ou seios mais firmes? Não, aquilo que atrai é uma mente fresca, livre, curiosa, aberta, sem tabus, sem inibições, cheia de vitalidade, que deseja divertir-se, voltar a ter prazer. Mas estas características também estão presentes em pessoas que têm mais ou menos a mesma idade e são fascinantes. É com estas pessoas, já sem problemas com filhos e com a carreira e que interiorizam as experiências de forma sábia, que é possível alcançar uma intimidade e um prazer erótico não acessível na juventude.
Estou certo de que muitos vão espantar-se com aquilo que afirmo, mas apenas porque há demasiados preconceitos, demasiados tabus e poucas pesquisas sobre as relações amorosas das mulheres que têm entre 40 e 60 anos. Apesar de serem frequentes e com tendência para aumentar com o prolongamento da esperança de vida.

Francesco Alberoni,
Sociólogo, escritor e jornalista

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eleições Europeias e a votação na Amoreira.




Num sufrágio com 62,95 por cento de abstenção (61,24 em 2004), o PSD conseguiu 1 127 128 votos expressos (31,69 por cento), elegendo um total de oito deputados para o Parlamento Europeu.

O PS recolheu 945 362 votos (26,58 por cento) e elegeu sete eurodeputados, perdendo cinco mandatos relativamente ao acto eleitoral de 2004.

A terceira força política mais votada nestas eleições para o Parlamento Europeu, em que os votos em branco quase duplicaram relativamente há cinco anos, foi o Bloco de Esquerda, que contabilizou 10,73 por cento das intenções (379 290 votos).

O Bloco de Esquerda, que duplicou a votação registada há cinco anos, garantiu a eleição de dois deputados, mais um do que na anterior eleição europeia e poderá ainda obter mais um mandato depois do apuramento dos resultados nos consulados.

O PCP-PEV, que, nesta eleição europeia se fixou nos 10,66 por cento (379 290 votos), subiu a votação para os dois dígitos e manteve os mesmos dois mandatos alcançados em 2004, em que ficaram à frente dos bloquistas.

Os restantes dois eurodeputados foram eleitos pelo CDS-PP, que obteve 297 823 votos expressos (8,37 por cento).

Nas comunidades portuguesas no estrangeiro, estavam registados pouco mais de 200 mil eleitores.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Porque devo votar



…Domingo há votos, e o i lança hoje um apelo a todos os portugueses: votem. Essa é a única forma de exercer um direito único e poderoso, que permite apressar a teoria da boa e da má moeda...

Não existe nenhum motor de mudança tão suave e simultaneamente poderoso como o voto. Ele não serve para servir políticos - serve para que quem vota separe a boa da má moeda. É isso que se exige. Dizem: são todos iguais, todos dizem o mesmo. Não são.

Votar para as eleições europeias é escolher a voz que um país deseja em Bruxelas - e há vozes muito variadas nesta campanha.

O papel de um eleitor é separar bem os que falam com determinação e energia nas televisões dos que estudam e decidem nos bastidores. Não vale a pena lembrar que estes tempos são mediáticos - são. Mas mesmo aí se distinguem os fala-baratos dos políticos capazes.

Não deixe de exercer o seu direito à escolha no domingo. Conhece o princípio: num instante tudo muda.

Martim Avillez Figueiredo – Jornal I

sábado, 30 de maio de 2009

O país deve preocupar-se.



Manuela Moura Guedes considera que o partido do poder em Portugal a quis silenciar. É grave, e como em outros casos seria excelente que a verdade viesse à superfície bem rápido. Portugal está adiado, e a culpa não é apenas da economia internacional. É nossa.

Faltam pouco mais de 8 dias para as eleições europeias e aquilo que se discute nada tem que ver com política. Não digo país. Digo política…

Quando a apresentadora do telejornal mais visto em todo o país acusa um partido de a calar, o país tem de se preocupar. Porque ou Moura Guedes diz o que não se sabe, ou o partido faz o que não pode. De uma forma ou outra, interessa a palavra preocupar - o país tem de se preocupar. Com questões assim e com a política - adia-se um país quando não se pensa nele.

Um autor inglês escreveu um livro com nome sugestivo: What?s Left . Não é novo mas tem uma história velha deliciosa: conta ele que os pais, empedernidos marxistas, quase o matavam em criança por falta de vitamina C. As laranjas nesses anos 60 vinham apenas de Portugal ou Espanha, onde Salazar e Franco mandavam à direita. Felizmente, escreve ele, um como o outro deixaram o poder a tempo e voltaram as laranjas lá a casa. Mas a ideologia era mais importante do que as vitaminas. Hoje não.

Sucede que quando tudo é indiferente, quando nada importa, também é razoável que pouca ou nenhuma importância se dê a acusações graves de jornalistas, bastonários ou empresários que construíram outlets. É como se nada valesse nada. A política, porém, consiste na valorização desses nadas, na existência de alternativas perante situações que parecem nada. Um exemplo? Desejar nacionalizações ou rejeitá-las, querer mais intervenção do Estado ou preferir evitá-la, pedir mais autonomia ou trocá-la por mais condução central, tudo hoje parecem nadas. Mas são muito. Um país guia-se e conduz-se, e há momentos em que é preciso guinar à esquerda ou à direita. Que curva se deveria fazer agora?

É a pergunta certa. Acontece que ela precisa da resposta certa - e ela não vem nos manuais. Que interessa esquerda e direita quando se discutem direitos dos homossexuais? O que importa aí são os direitos de cada um - não uma ideologia velha. Da mesma forma, que interessam os livros quando se pensa em nacionalizar um banco? O que vale aí é a factura e os condenados que a vão pagar. As campanhas eleitorais sempre foram espaços para que surgissem respostas - às vezes à esquerda, outras à direita, mas inteligentes. Onde está a inteligência agora? O país deve preocupar-se.

Martim Avillez Figueiredo - Jornal I 30/05/2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Porquê votar nas Eleições Europeias?


Quando votamos para o parlamento nacional, votamos em homens e mulheres que, em nosso nome fazem escolhas para a sociedade e que influenciam o nosso dia-a-dia e o futuro dos nossos filhos. Para a Europa, é igual. Quando quase 80% das regras da nossa vida se decidem ao nível europeu, devemos querer saber quem nos vai representar. As empresas que enviam os seus colaboradores a Bruxelas para convencer as instituições europeias a ouvirem as suas exigências, compreenderam bem onde se tomam as decisões. Os cidadãos contudo ainda não tomaram consciência, nomeadamente porque os políticos nacionais continuam a utilizar a Europa como uma “pára-chuva”: o que está bem vem de Lisboa, o que está mal vem de Bruxelas.

Esta é apenas uma razão, de entre muitas, para votar nas próximas eleições europeias. Os eurodeputados não vão apenas decidir sobre as leis do amanhã, sobre a regulação financeira, a solidariedade entre as regiões ou as regras relativas à emigração. Eles vão também decidir sobre o homem ou a mulher que será o próximo Presidente da Comissão Europeia, a instituição que lança as ideias…

A Europa necessita de uma política comum em matéria energética bem como em relações externas, as quais estão intimamente ligadas. Neste momento, estamos numa fase em que a posição da União Europeia (UE) não é tão forte e unânime como deveria ser. Os recentes conflitos entre a Ucrânia e a Rússia relativo ao gás natural mostraram o quanto ainda está por fazer.

Se ainda não está convencido da necessidade de votar, reflicta mais um pouco:

• É de esquerda, da direita ou do centro? Dê peso ao partido político da sua escolha no seio do Parlamento Europeu (PE). Quantos mais votos o seu partido obtiver na votação nacional, mais mandatos terá no PE e mais peso terá para fazer pender a decisões para o seu lado;

• Quer decidir sobre a legislação europeia ainda antes que ela seja transposta para a legislação nacional, vote nas eleições europeias!

• Quer viver num ambiente mais são, faça por isso e vote nas eleições europeias: o Parlamento europeu é uma das instituições mais empenhadas em matéria de protecção do ambiente;

• Quer participar na luta contra o aquecimento climático, reforce o poder do PE: este envolveu-se não só a favor da protecção do ambiente, mas também para reduzir as emissões de gazes que provocam o efeito estufa;

• Quer ter uma palavra a dizer sobre a protecção dos consumidores, transmita-o aos deputados europeus!

• Quer influenciar a resposta da UE à crise financeira e económica actual, então vote nas eleições europeias: cada vez mais os deputados europeus defendem a necessidade de uma legislação europeia que regulamente os mercados e os produtos financeiros para reduzir os riscos de especulação.

• O PE é também o lugar onde o debate sobre o futuro da Europa tem lugar. Para fazer entender a sua escolha sobre o projecto europeu e o seu futuro, vote!

Votar nas eleições europeias é o único meio que temos de influenciar a política europeia. O Parlamento é a única instituição europeia eleita por sufrágio universal directo que representa directamente 500 milhões de cidadãos da Europa. Não deixe que outros decidam por si. Peça a palavra e vote nas eleições europeias!


Constantino Rei in “Jornal O Interior”

sábado, 16 de maio de 2009

Eu sei que nem sempre votei bem.


“…Eu sei que nem sempre votei bem. Talvez não seja possível votar bem. Às vezes cai-se na ingenuidade de votar na palavra de alguém, e não há palavras inamovíveis. Mesmo que a pessoa em quem votamos mantenha a sua palavra, ela integrará um discurso que não é só seu. As coisas mudam – mas raramente em direcção ao futuro. O peso da História exerce uma atracção real e funesta. Existe essa preguiça activa a que chamamos tradição. Temos demasiadas palavras demasiadas vezes pronunciadas. Votar em alguém não chega – se chegasse, não havia democracia. Votar num grupo de gente também não chega. Mesmo que esse grupo seja todo ele constituído por seres abnegados, estará rodeado, no interior do próprio partido, por seres menos abnegados, que se encostam à política como modo de vida. Se um partido ganha a maioria, aqueles que se instalaram nele para subir na vida farão a vida negra aos que estão na política para melhorar a vida das populações. Mas se não conquistar a maioria, tem de negociar continuamente com as oposições, para que as suas reformas sejam aprovadas. Esta negociação acaba por ser sempre uma forma, mais ou menos leve, de corrupção, entrega de pequenos poderes e pequenas e médias prebendas. Títulos. Tachos. Motoristas. Encomendas de estudos. Coisas que custam dinheiro. Nas autarquias esta negociata é o trabalho quotidiano. Votamos sabendo que as coisas são assim, longe da perfeição…

… Não há saída para o descrédito da política. Segundo uma sondagem do Expresso publicada a 25 de Abril, 77% dos portugueses não se revê nos partidos. Na semana seguinte, soubemos que os custos das campanhas eleitorais vão subir, e que todos os partidos representados na Assembleia votaram alegremente um aumento exponencial do dinheiro vivo, e sem controlo, para financiar as campanhas eleitorais. No auge da crise, com o desemprego e o desespero a crescerem dia a dia, as empresas a falirem, o tecido económico do país a desfiar-se, os partidos permitem-se receber até 1278 milhões de euros de donativos sem prestar contas, além dos quase cem milhões que continuarão a sacar ao erário público. Só o socialista António José Seguro votou contra este convite aberto à corrupção. Assim, não há ingenuidade democrática que nos valha. Esforcei-me por votar sempre…Desta vez, apetece-me desistir. Eles que votem uns nos outros, já que tornam tão claro que a competição não nos diz respeito.”

Inês Pedrosa

Única/Expresso

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Homem novo


Culturalmente, é mais fácil mobilizar os homens para a guerra que para a paz. Ao longo da história, a Humanidade sempre foi levada a considerar a guerra como o meio mais eficaz de resolução de conflitos, e sempre os que governaram se serviram dos breves intervalos de paz para a preparação das guerras futuras. Mas foi sempre em nome da paz que todas as guerras foram declaradas. É sempre para que amanhã vivam pacificamente os filhos que hoje são sacrificados os pais…

Isto se diz, isto se escreve, isto se faz acreditar, por saber-se que o homem, ainda que historicamente educado para a guerra, transporta no seu espírito um permanente anseio de paz. Daí que ela seja usada muitas vezes como meio de chantagem moral por aqueles que querem a guerra: ninguém ousaria confessar que faz a guerra pela guerra, jura-se, sim, que se faz a guerra pela paz. Por isso todos os dias e em todas as partes do mundo continua a ser possível partirem homens para a guerra, continua a ser possível ir ela destruí-los nas suas próprias casas.

Falei de cultura. Porventura serei mais claro se falar de revolução cultural, embora saibamos que se trata de uma expressão desgastada, muitas vezes perdida em projectos que a desnaturaram, consumida em contradições, extraviada em aventuras que acabaram por servir interesses que lhe eram radicalmente contrários. No entanto, essas agitações nem sempre foram vãs. Abriram-se espaços, alargaram-se horizontes, ainda que me pareça que já é mais do que tempo de compreender e proclamar que a única revolução realmente digna de tal nome seria a revolução da paz, aquela que transformaria o homem treinado para a guerra em homem educado para a paz porque pela paz haveria sido educado. Essa, sim, seria a grande revolução mental, e portanto cultural, da Humanidade. Esse seria, finalmente, o tão falado homem novo.

José Saramago

sábado, 2 de maio de 2009

Mãe.



O NOVO CANTO DA MÃE


Mãe
Nós somos os teus filhos
Que sem vergonha
Quebraram as fronteiras do silêncio.
Os filhos sem manhãs
Que rasgaram as noites que cobriam
As carnes das tuas carnes.
Nós somos, Mãezinha,
Os teus filhos,
Os pés descalços,
Esfomeados,
Os meninos das roças,
Do cais,
Os capitães d’areia,
Os meninos negros à margem da vida
Que despedaçaram o destino do teu ventre,
Que endireitaram os instantes
Que marcaram socalcos na terra firme,
Na profundidade das trevas da tua vida.
Nós somos, Mãezinha, os teus filhos,
Sexos que germinaram vida,
Forças que desfloraram a virgindade dos dogmas
Fecundaram minérios de esperança,
Olhos, dinamite de amor,
Mãos que esfacelaram a espessura dos obós.


Tomás Medeiros
(S. Tomé: 1931)

FELIZ DIA MÃE.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O primeiro 1º de Maio em Portugal e no mundo


No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração. A necessidade de se produzir o máxima ao mais baixo custo não respeitava idades nem sexos. As organizações sindicais eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.

Em 1864 é criada a Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres. A iniciativa surge num contexto de união entre líderes sindicais e activistas socialistas com vista a dar voz às lutas dos trabalhadores e às nações oprimidas. A esta associação se chamou mais tarde a Primeira Internacional Socialista que duraria sete anos. As divisões ideológicas entre as várias facções (sindicalistas, anarquistas, socialistas, republicanos e democratas radicais, entre outras) puseram fim à agremiação, mas deixaram mais explícitas as reivindicações e propostas pelas quais os trabalhadores se deveriam debater. A redução da jornada de trabalho para as 10 horas diárias era uma delas.

Os objectivos saídos desta Internacional tiveram eco no IV Congresso da American Federation of Labor, em Novembro de 1884. As negociações, sucessivamente falhadas com as entidades patronais, fizeram das cidades operárias um barril de pólvora pronto a explodir. Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta.

Na cidade de Chicago a repressão policial foi especialmente dura. Ao quarto dia de manifestações (dia 4 de Maio) explodiu uma bomba entre a multidão matando dezenas de trabalhadores e alguns polícias. Deste incidente resultou a prisão de oito líderes do movimento. Quatro foram condenados à morte por enforcamento e os restantes a prisão perpétua. Em 1890, o Congresso americano vota a lei que estabelece a jornada de oito horas de trabalho e três anos mais tarde, depois da reabertura do processo que levou à condenação dos oito operários, conclui-se que a bomba que explodiu em Chicago tinha sido colocada pela própria polícia.

O luto fortaleceu a luta

Três anos depois da condenação dos que ficaram conhecidos como os “Mártires de Chicago” as repercussões sentiram-se na Europa. Assim, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.

Curiosos são os títulos de alguns jornais americanos a propósito das manifestações dos trabalhadores. O “Chicago Tribune” dizia na altura: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”. O New York Tribune seguia a mesma linha: “Estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações”. De sublinhar que nos EUA o chamado Labor Day festeja-se a 3 de Setembro e não a 1 de Maio.

Em Portugal

A decisão da Comuna de Paris, de decretar o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador teve repercussões no nosso país. Diz-nos José Mattoso (in História de Portugal, vol. 5), que houve um reforço da luta do movimento operário português em finais do séc. XIX sendo "em torno da associação e da greve que gravita o próprio movimento operário". Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.

Mas, segundo o mesmo autor, o movimento operário alcançava grande força quando "aquelas (associações) a que hoje chamaríamos propriamente «sindicatos» se juntavam com as recreativas, as de socorros mútuos e os centros políticos". Tal ficou demonstrado no 1º de Maio de 1900 que juntou em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que "as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia".

Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador. Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.

O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Revolução em cada um de nós!


Ninguém é sozinho!

Ninguém nasce tão pouco sozinho, se durante 9 meses, mais ou menos dependemos na íntegra de outra pessoa, depois a coisa não é muito diferente.

Mais, cada um de nós é uma espécie de multidão, um aglomerado de células, os traços fisionómicos ancestrais misturados de uma forma impar, alguns defeitos também, muitas capacidades.

Depois, muito depois aparentemente autónomos, também não o somos, não só porque não vivemos em ilhas à mercê dos elementos e da nossa vontade, do nosso espírito empreendedor, mas vivemos em grupo, alcateias, bandos, cardumes e enxames.

O ser humano será um pouco como a grande barreira de corais da Austrália, o que se supunha que fosse um conjunto de organismos é apenas um único que e estende por 345,4 mil km2, e é só um, pode sobreviver a uma pequena amputação, a algumas tempestades, à morte de algumas das suas partes, mas é ainda só um.

A espécie humana será assim também, precisamos sempre de alguém, precisamos fisicamente de outros, mesmo que saiba fabricar o meu pão, irei precisar de quem fabrique a farinha, plante o cereal…

Como tal nesta necessidade de outros, na necessidade de sermos amados, de diversas formas como filhos, como companheiros, como pais e como amigos.

Por vezes afirmamos essas necessidades de uma forma básica, animal, tentar subjugar, tentar aniquilar, neutralizar, de todas as formas.

No fundo os nossos desejos pessoais serão sempre os mesmos, ser felizes, ter abrigo, se possível com conforto, ter alimento, ser amados e amar, caso tenhamos filhos que eles sejam felizes.

Simples!

Por isso a revolução terá de começar em cada um de nós de forma interna e inequívoca.

Fazendo parte deste organismo gigantesco da humanidade, teremos de saber que cada vitória ou realização pessoal, não poderá nunca ser conquistada em cima da derrota de outro ser como nós, que não poderemos apreciar na totalidade o nosso abrigo e conforto, quando for só e exclusivamente nosso sabendo que parte do mesmo grupo que nós não o tem de todo, o nosso pão, o nosso espaço…

Teremos assim que, mantendo as características que tornam cada um de nós único, esforçarmo-nos para que cada um de nós seja igual.

Todos os dias, em todas as coisas!

“Do Blog Cheira-me a Revolução!”

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Padre rali


…Paulo Gerardo não faz o trabalho de cinco. Mas quase. Juntamente com o recém padre João, tem sete paróquias, em nove freguesias na zona de Óbidos. E se, já diz o ditado, "paróquia viva, pároco morto", de cansaço, entenda-se, aqui a vida corre depressa, é estafante.

O domingo começa cedo, pois o rali paroquial, como dizem na brincadeira, tem de levar Paulo a celebrar quatro missas. Às 8.35, o carro já está a trabalhar e de casa, na Amoreira, sai disparado para a Usseira, paróquia onde os crentes aguardam no largo. Pormenores de última hora, vestir-se, distribuir o jornal da diocese, trocar impressões com catequistas e responsáveis da equipa de animação local, e está na hora de subir ao altar. Uma hora depois, deixados os avisos, e trocadas algumas palavras rápidas com alguém que se atravessa no caminho, está na altura de entrar no carro, e seguir viagem. Não sem antes tomar um café rápido, em pé, e enquanto larga uma moeda para comprar uma rifa a uma criança.

Há dois anos que Paulo anda nesta lufa-lufa, numa tentativa de dinamizar um grupo de paróquias meio adormecidas. "Ainda não estamos em velocidade de cruzeiro. Mas queremos criar uma dinâmica inter paroquial, sem que cada paróquia perca a identidade", explica, sublinhando que o truque é fomentar a relação entre as pessoas. "Ser cristão é viver em relação", foi o slogan do ano pois, diz, "a Igreja existe para levar o evangelho e para que o relacionamento entre as pessoas seja mais fraterno e humano". Por isso, em cada paróquia criou-se o grupo de mensageiros que levam os convites da igreja de casa em casa.

A resposta à falta de padres, afirma, "passa também por contar mais com os leigos. É difícil comprometer as pessoas, é verdade, mas às vezes também não é assim tão difícil como se apregoa", diz, no caminho sinuoso até ao Vau, onde já está tudo a postos para a missa. "O que é a Quaresma?", interpela os mais pequenos na homilia, levando na volta a resposta: "o tempo em que comemos menos doces e guardamos o dinheiro para dar a quem mais precisa", diz uma criança na fila da frente.
Cativar os mais novos é outro objectivo desta equipa de dois padres, hoje desfalcada porque o mais novo está num retiro. O que passa por pô-los a participar na missa, preparando as leituras e expondo a mensagem em cartazes e frases simples. "Nem sempre é fácil", confessa Paulo Gerardo, já a entrar no carro para se dirigir à paróquia principal: Óbidos.

Hoje é um daqueles dias em que entrar na vila amuralhada é quase missão impossível, pois o Festival do Chocolate faz rumar a Óbidos milhares de pessoas. A missa é ao meio dia, meia hora depois de acabar a do Vau, a dez quilómetros de distância, mas o drama é mesmo estacionar e correr até à Igreja de S. Pedro, abrindo caminho entre a multidão. Aqui a audiência é mais distinta, a igreja maior e com direito a visitas turísticas, mas a mensagem a pregar é a mesma: tempo de Quaresma, tempo de oração, penitência e jejum. No fim, mesmo com a barriga já a dar horas, é preciso conversar com os crentes, acertar assuntos com o diácono, e até dar uma palavra de conforto a um paroquiano que parece não estar bem.

Ao fim da terceira missa, a paragem é no restaurante, onde ao padre Paulo se junta para o almoço o colega que veio de Lisboa dar uma mãozinha na ausência do padre João. Também aqui o descanso é relativo, pois é preciso cumprimentar, dar uma palavra de atenção, atender o telemóvel. "Costumo dizer às pessoas que tenho tempo para tudo, pode é não ser quando elas querem", explica o padre que, além das missas, tem de arranjar horas para confessar, visitar doentes, ouvir pessoas, orientar grupos, preparar encontros e até dirigir obras na igreja. Na vida de pároco, não há escritório, rotinas, nem expediente mas, diz, devia sobrar mais tempo para ler e rezar.
Como hoje não é dos domingos em que a tarde fica livre, é preciso celebrar mais uma missa no Sobral da Lagoa às 15.30. As fatiotas mais aprumadas e a agitação no átrio revelam que qualquer coisa está para acontecer. É a bênção dos bebés, cerimónia que percorre todas as paróquias, em alusão a um episódio da vida de Jesus, e que enche a igreja. Pelo menos, hoje, que é dia de festa.

DN

sábado, 11 de abril de 2009

BORDALO PINHEIRO. OS TRABALHADORES AGRADECEM. OBRIGADO PORTUGAL.



Do alto da sua humildade, os trabalhadores das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro manifestam que a experiência ensina-nos que é preciso perdoar muito e não esquecer nada. Ao longo de cerca de 105 dias, vivemos, a pior experiência das nossas vidas, em termos profissionais.

Tudo começou a 17 de Dezembro de 2008, ou melhor, tudo se agravou, quando nos foi proposto, que suspendêssemos os contratos de trabalho. Ora, depois de um ano, em que já tínhamos recorrido ao Fundo de Garantia Salarial, para que pudéssemos receber dois meses de vencimento, quando existiam cerca de 6 mil horas de trabalho suplementar, no chamado banco de horas, sem nunca termos parado um único minuto, porque entendemos e acreditámos nas pessoas, esta atitude por parte da administração foi considerada pelos trabalhadores, abusiva.

Nunca os trabalhadores se deram como vencidos, o seu objectivo era e será sempre, a viabilidade da empresa, a continuidade laboral de uma empresa / instituição, de índole artística e cultural de Portugal, sendo naturalmente o seu ganha-pão.

Foi com elegância e determinação que os trabalhadores, apoiados nos apoios incondicionais de muitos dos seus ex-colegas que, desenvolveram esforços e sacrifícios, nunca deixaram que alguém mais “iluminado” turvasse as suas intenções. Levaram o nome da empresa e a sua causa até onde foi possível, sempre com respeito pelo próximo, parte integrante dos princípios que norteiam estes trabalhadores.

Entre reuniões plenárias dos trabalhadores e na Câmara Municipal, a Comissão de representantes, na qualidade de coordenadora de acções desenvolvidas, deu a cara e a voz, por todos, foi por diversas vezes confortada, em muitos gabinetes, inclusive governamentais, sinais evidentes de que, não só a postura educada como todos os trabalhadores se apresentavam, como a nossa visão dos factos, estavam correctos.

Foi um período repleto de trabalho, extra, em equipa, com um valiosíssimo contributo e potencial intelectual de algumas personalidades, com descrição e profissionalismo, alcançou-se um caminho que, se deseja seguro, embora não muito sólido nos tempos mais próximos, atentos e conscientes dessas dificuldades, os trabalhadores nunca deixarão de colocar em cada minuto a sua paixão pela empresa.

Os trabalhadores da Bordalo Pinheiro, jamais esquecerão, as manifestações de solidariedade que receberam, como por exemplo; Governo Civil de Leiria, Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Deputados na Assembleia da República, Concelhias de Partidos Políticos, CGTP, Federação Portuguesa de Cerâmica, União de Sindicatos de Leiria, Sindicato de Cerâmica da Região Centro, Artistas, população das Caldas a Rainha, comunicação social e muitos outros anónimos e entidades de Portugal, a todos, o nosso Muito Obrigado.

Gostaríamos de destacar a importância que o Senhor Ministro da Economia e Inovação, Dr. Manuel Pinho teve. Receber-nos no seu gabinete, prometermo-nos que o processo seria resolvido num prazo de dois meses, manifestar-nos a sua solidariedade e compreensão, para além de ter a amabilidade de nos contactar directamente e de vir á empresa apresentar a solução, estamos cientes que senão fosse a sua contribuição não teríamos este desfecho. Obrigado Senhor Ministro.

Com toda a certeza, dizemos, o dia 31 de Março, ficará eternamente na memória de ex e actuais trabalhadores, com emoção, podemos ver Sua Excelência o Primeiro-Ministro, na empresa, momento simbólico, mas acima de tudo um reconhecimento ao empenhamento dos trabalhadores, conforme fez questão de mencionar. Mais do que agradecer a sua vinda, o nosso sentido agradecimento pelas suas palavras.

A todos que contribuíram e nos encorajaram, muito sinceramente, não temos palavras para expressar a nossa gratidão, contribuímos todos para a grandeza histórica da empresa, cidade e do país.

Obrigado Portugal.



Os trabalhadores das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro

domingo, 5 de abril de 2009

Deixem o povo em paz, porra!


“Esta gente que agora se farta de dizer mal de Portugal e dos portugueses é a mesma que está no poder há décadas. Sejam políticos, jornalistas, comentadores, dirigentes disto e daquilo, empresários, o que for. São os que se dizem detentores da verdade, mas não a dizem. Talvez se queiram servir dela para outros proveitos. Sabem das notícias, mas não as dão. Têm medo de quê? Talvez de perder o conforto dos lugares que ocupam. Achincalham-se pelas costas, apertam-se peito a peito pela frente. Falam dos portugueses, falam muito dos portugueses e de Portugal, como se alguém lhes tivesse dado o dom de olhar lá do alto duma torre imensa para cá por baixo categorizarem. São bocas abertas de lugares comuns, ideias roubadas aos outros, pensam quase sempre pela cabeça dos outros, citando, referindo, comparando. Eles sabem tudo, eles têm soluções para tudo. Generalizam com o maior dos à-vontades, mas sempre com o cuidado de se colocarem fora das generalizações. Eles dizem mal de Portugal e dos portugueses? Eu prefiro dizer mal deles. Foram eles que organizaram a festa. A eles se deve a qualidade da banda. Querem agora ter um pezinho dentro e outro fora? À merda com eles! Foram eles que calaram, foram eles que pactuaram, foram eles que carregaram os sacos azuis da nossa miséria. Mas afinal quem faz as leis? O povo? E os políticos? O povo? Quem, ao longo destes anos, tem dado voz aos falsários e calado os competentes? O povo? Sempre e sempre o povo, malfadado povo. Deixem o povo em paz, porra! Mas qual povo qual carapau? O povo levanta-se às 6 da manhã para ir esfregar as latrinas dos centros comerciais. O povo não arranja as unhas. O povo mora atrás dos balcões com a corda ao pescoço. O povo é apenas a engrenagem do sistema que vocês, vocês que agora criticam, vocês que agora dizem mal, vocês que agora se angustiam, o povo é apenas a engrenagem do sistema que vocês operam. Deixem o povo em paz, caralho! O povo só quer ter o que comer, porque o povo sabe que a morte está ali no final da esquina à espreita. O povo quer ter filhos de barriga cheia. Que querem vocês? Que querem vocês do povo? Que o povo deixe de ser povo? O povo é cão, há-de ser sempre cão. O que varia é o dono.”

Autor desconhecido